Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Dez anos após o BOAI…

Completados 10 anos do Budapest Open Access Initiative, um grupo de pesquisadores, bibliotecários, editores de revistas, formuladores de políticas se reuniram, no início deste ano e discutiram recomendações para os próximos 10 anos, além de reafirmar os propósitos firmados há cerca de 10 anos atrás, reitera a estratégia indicando recomendações para a implantação do Acesso Livre em todo o planeta. Neste link os leitores poderão ler as recomendações agraupadas em 4 ítens, conforme segue:

1) Políticas;

2) Licenciamento e Reutilização;

3) Infraestrautura e Sustentabilidade;

4)Promoção e Coordenação.

Enfim, neste BOAI-10 os líderes do movimento lançaram uma roteiro de boas práticas para consolidar o Acesso Livre no mundo.

O referido documento encontra-se me língua portuguesa (Brasil), graças ao trabalho desenvolvido por Carolina Rossini, diretora do International Intelectual Property, da  Electronic Frontier Foundation. À Carolina os nossos agradecimentos pela realização deste trabalho.

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setembro 25, 2012 Posted by | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

O relatório FINCH e suas repercussões

Richard Poynder

O jornalista e blogueiro Richard Poinder fez uma entrevista bem esclareccedora com o arquievangelista Steven Harnad sobre o relatório FINCH, leia a entrevista, em inglês, aqui.

A entrevista é longa e não será traduzida inteiramente neste espaço. Farei, no entanto, a tradução de parte da matéria de Richard Poynder que introduz a entrevista com Stevan Harnad.

Coforme escreveu, Richard Poynder, em matéria introdutória:

“Quando, em 16 de julho, próximo passado, o Research Councils of United Kindom (RCUK), publicou sua política atualizada sobre a acesso aos resultados de pesquisa científica (Policy on Access to Research Outputs) o movimento Open Access (OA)  recebeu a notícia com entusiasmo. Este foi surpreendente: ao contrário das recomendações do controverso relatório  Finch (publicado um mês antes), RCUK salientou que continuaria a ver tanto a via Dourada, estratégia  OA para as publicações científicas, quanto a via Verde, estratégia OA baseada no auto-arquivamento, como estratégias similares em qualquer política de OA.

A via Dourada  e a via Vverde são as duas estratégias definidas há  oito anos atrás para se atingir o acesso livre à produção científica, quando o movimento OA nasceu, e são vistas como componentes essenciais em qualquer transição, bem sucedida, para o OA.

Por outro lado, o Relatório FINCH concluiu que a estratégia principal, a ser adotada, agora deveria ser a da via Dourada, quer através de revistas de acesso livre ou através de revistas híbridas, e que esta deve ser financiada por meio de taxas de processamento de artigo (APCs – Article Processing Charges).

Ao mesmo tempo, o relatório Finch reiterou que, era hora de rever a estratégia da via Verde do OA (a expressão utilizada por Richard Poynder é downgrade que significa regredir), e reduzir o papel dos repositórios institucionais para apenas fornecer acesso a dados de pesquisas e literatura cinzenta e auxiliar na preservação digital.

Em concordância com as propostas formuladas pelo relátório Finch, os defensores OA rapidamente concluiram que a política formulada por RCUK foi uma dádiva de Deus.

Stevan Harnad, defensor do OA de longa data, e auto-denomindo arqui-evangelista, foi  um dos primeiros a aplaudir a nova política.  Harnad, aliviado, começou  a inundar as listas de discussão com mensagens parabenizando RCUK por estabelecer uma uma política que não só desafiou o relatório Finch, mas foi mais forte do que sua política atual relativa ao OA.

Mas, como definiu Harnad, ao falar da política, e buscando convencer os mais céticos e incrédulos, ele mesmo começou a ter dúvidas. E, finalmente, ele chegou à conclusão de que  não havia outra opção senão a de retirar o seu apoio à política do RCUK – que agora ele a caracteriza como “autista”, e um “tolo, desperdiçado e contraproducente passo à trás”.

Como é que, o que à primeira vista, parecia tão desejável rapidamente tornou-se algo tão terrível? Curioso para descobrir, entrei em contato com Harnad, que me deu uma entrevista, via email e que pode ser lida no seguinte link.”

Por motivos de caráter pessoal, não farei a tradução da entrevista. Mas, ao longo desta materia, o leitor tem todos os links necessários para ter acesso à referida matéria.

agosto 21, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

O Acesso Livre, aos poucos, se consolida em Países Desenvolvidos

Segundo matéria publicada no  The Guardian, no último dia 17 de julho,  recente anúncio do governo britânico informando que todas as pesquisas financiadas pelo Reino Unido serão  livremente acessíveis, dentro de dois anos, considerada “a mais radical reformulação  nas  publicações acadêmicas desde a invenção da Internet”.  Não se trata de nenhum exagero: a “web” finalmente alcançará o seu objetivo inicial: o livre intercâmbio na pesquisa científica. A recompensa é incalculável: como um guia, a decisão do projeto Genoma em tornar os seus resultados livremente acessíveis permitiu uma economia de cerca de 200 vezes o custo do referido projeto.  Como os resultados foram previamente disponibilizados apenas no meio acadêmico para usos que ainda  inimagináveis, pode-se esperar por avanços significantivos na medicina, educação e indústria.

Mas, a notícia é ainda melhor do que o anúncio sugere. O anúncio do governo é uma resposta ao relatório FINCH, que indica que o custo para transição para o ecossistema do acesso livre  custará entre 50 a 60 milhões de libras  ao ano. Em regiões onde a resposta ao anúncio do governo não é entusiástica, se explica pelo fato de ser necessário um orçamento extra para as dotações existentes.  Mas, estes custos são bastante exagerados. O verdadeiro custo deve girar em torno dos 10 milhões de libras. Enfim, a discussão é longa e os leitores deste blog poderão se inteirar melhor sobre essa matéria clicando aqui.

A conclusão a que se chega, mostrada por esta matéria do “The Guardian”,  é que o Open Access tende a se consolidar, principalmente, em países sérios, cujos dirigentes se preocupam com a comunidade científica e com o seu acesso à informação científica mediante uma utilização consciente dos recursos públicos. É uma pena perceber que Países com menor poder aquisitivo não tem se preocupado com buscar soluções de baixo custo para o acesso à informação científica. Em contrapartida, verifica-se Países com o Reino Unido, os EUA e a própria comunidade européia discutindo e estabelecendo medida para o acesso livre à informação científica.  O Reino Unido mostra, assim, algo mais que se pode aprender, do que apenas os bem sucedidos resultados das provas olímpicas. O tempo passa e não se pode aguardar as olimpíadas de 2016 para tomar alguma atitude. Para tanto, nem é preciso viajar até aquele belo e interessante País.

agosto 2, 2012 Posted by | artigo | , , , , | Deixe um comentário

OA: a batalha continua

No próximo dia 28 de junho de 2012, vou ministrar uma palestra à “Rede de Compartilhamento de Bibliotecas de Instituições de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro – CBIES / RJ” e pretendo mostrar as motivações para o surgimento do movimento Open Access, a definição de estratégias para tornar a produção científica de uma instituição ou de um conjunto de instituição acessível livremente, assim como as vantagens que essas iniciativas trazem à comunidade científica, como um todo, e à sociedade, em particular.

Na oportunidade pretendo apresentar e discutir ações no sentido de materializar essas estratégias no estado do Rio de Janeiro. Vejam, maiores detalhes no sítio do IBICT.

junho 27, 2012 Posted by | Evento | , | Deixe um comentário

Novas datas para a 3.CONFOA

Recebí esta manhã as novas datas para o envio e avaliação dos trabalhos a 3. Conferência Luso-brasileira de Acesso Aberto, conforme segue:

  • 22 de junho: data limite para submissão dos resumos (comunicações eposters).
  • 25 de junho a 20 de julho: avaliação dos trabalhos pela comissão científica.
  • 23 de julho: divulgação dos resumos aceites.

Nova oportunidade àqueles que pretendem enviar trabalhos para a 3a. CONFOA. Não percam a oportunidade!

junho 18, 2012 Posted by | Evento | , , , , , | Deixe um comentário

A Universidade Harvard reclama do preço de Revistas científicas

A Folha de São Paulo publicou no dia 1º de Maio de 2012 matéria com o mesmo título deste post, “Universidade de Harvard reclama do preço de revistas científicas”.

Muito interessante a matéria, em si, e também pelo fato de o referido jornal ter recusado publicar um artigo de minha autoria sobre o Open Access, no ano passado.

A matéria é de autoria da jornalista Sabine Righetti, que enfatiza o fato de a referida universidade incentivar os seus cerca de 2.000 pesquisadores a publicarem em revistas de acesso livre e, caso isto não seja possível, ao publicarem em revistas de acesso pago, que os mesmos garantam que os seus artigos fiquem disponíveis em blogs e sítios de acesso livre.

maio 2, 2012 Posted by | artigo | , , , | Deixe um comentário

Acesso Livre: aos bibliotecários uma ajusta homenagem pelo seu dia!

Este post não falará diretamente sobre o tema central deste blog mas fará uma homenagem aos especialistas da classe que contribuiu decisivamente para eclodir o movimento do Acesso Livre e vem contribuindo para a implantação da estratégia da via Verde, não apenas no Brasil, mas também no exterior (vide entrevista do reitor da Université de Liège, Bernard Rentier). O jornalista, Richard Poynder, que entrevistou este reitor, inclusive, aponta que o Bernar Rentier teria sido alertado por um bibliotecário sobre os fundamentos do movimento, naquela época, ainda incipiente moivmento Open Access.

Devemos, além disto, dar o crédito aos bibliotecários por serem os primeiros a perceberem a crise dos periódicos e promover, em consequência, revisão de suas políticas de aquisição em diversas bibliotecas e buscar alternativas de manutenção das coleções. Hoje, a grande maioria dos repositórios de Acesso Livre estão funcionando e foram desenvolvidos graças ao empenho dos bibliotecários. Eloy Rodrigues é um exemplo desse tipo de profissional. Infelizmente, não dá para enumerar todos os profissionais envolvidos com a causa do acesso livre, este blog não teria espaço para enumerar tantos nomes, o que não me impede de render as minhas homenagens, aos bibliotecários representados pela pessoa de Eloy Rodrigues como legítimo representante de tão importante classe de profissionais pelo importante trabalho que realizam nas biliotecas existentes no Brasil e em tantos outros lugares espalhados pelo globo terrestre. A esses profissionais os nossos mais efusivos votos de sucesso e que este seja um dia muito especial.

março 12, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , | 2 Comentários

Enquanto um gigante dorme outro busca respostas à proposta do Acesso Livre

No último dia 27 de Fevereiro, o jornalista Guy Gugliotta do New York Times publicou matéria sob o título: Gulf on Open Access to Federally Financed Research, cuja tradução poderia ser: O abismo sobre o Acesso Livre às Pesquisas Financiadas pelo Governo Federal.

Esta matéria fala sobre a percepção do Acesso Livre pelos principais atores envolvidos: pesquisadores, editores científicos.

Stevan Harnad comenta a parte final dessa matéria:

“The debate between these two extremes has been remarkably vitriolic, in part, perhaps, because neither side has been completely honest. Mr. Adler would not discuss publishers’ profit margins, and open-access advocates frequently say that the journals are low-overhead cash cows that are gouging the public. Open-access scientists, on the other hand, are less than candid about how important it is to their careers to be published in prominent traditional journals. If scientists truly wished to kill the system, all they would have to do is withhold submissions.”

“O debate entre esses dois extremos (pesquisadores e editores) tem sido notavelmente virulento, em parte, talvez, porque nenhum dos lados tem sido completamente honesto. Sr. Adler não iria discutir margens de lucro das editoras, e os defensores do acesso livre  costumam dizer que as revistas são vacas da baixa sobrecarga do caixa que exploram o público. Os pesquisadores defensores do Acesso Livre são, por outro lado, menos honestos sobre como é importante para suas carreiras publicar na mais importantes e tradicionais revistas científicas.  Se os cientistas realmente queriam matar o sistema, o que todos eles teriam que fazer é reter suas submissões.”

Stevan Harnad considera esta observação, claro, um total absurdo:

(1) Que os pesquisadores precisam publicar em revistas com alto padrão de revisão por pares não é segredo  (e não há nada a esconder ou se desculpar!)
(2) O objetivo do Acesso Livre não é “matar o sistema”, mas para fornecer Acesso Livre às pesquisas

(3) Como de costume, o falso pressuposto é o que o Acesso Livre se resume à estratégia da via Dourada (Publicações de Acesso Livre)

(4) O Acesso Livre não tem nada a ver com “propostas de retenção” ou boicote.

(5) Ambos os projetos (FRPAA e RWA) são sobre a obrigatoriedade do auto-depósito em repositórios de Acesso Livre, estratégia da via Verde.
Vale a pena escrever um artigo (ou livro) sobre como  é esse incansável mal-entendido  de algo tão incrivelmente simples e que   continua se propagando ano após ano após ano.

E parece que o Congresso americano continuará despreparado, neste ano, em relação ao projeto de lei FRPAA, dividindo com o projeto de lei RWA, em grande parte, o mesmo espírito ignorante como é característico no exemplo do  jornalismo “equilibrado” .

Portanto, mais um ano se tenta falar sobre a obrigatoriedade da estratégia da via Verde para o Acesso Livre nas universidades.

Uma coisa, porém,  o jornalista estava correto. Há certamente algo que os pesquisadores são menos  sinceros: não sobre boicotar as submissões às revistas cinetíficas, mas sobre boicotar os auto-depósitos em repositórios de Acesso Livre.

A minha percepção é a de que em alguns países, desenvolvidos, em desenvolvimento ou não desenvolvidos, os seus dirigentes se preocupam em entender o Acesso Livre, enquanto em outros não existe qualquer preocupação e nem sequer procuram entender um tema tão estratégico para o desenvolvimento da ciência e para o seu progresso.

fevereiro 29, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , | 2 Comentários

BOAI: uma década depois

Mera coincidência, ao publicar um post para relembrar os princípios da declaração BOAI tentei levar ao conhecimento da comunidade dos princípios e compromissos. Por outro lado, fui surpreendido pelas entrevistas em comemoração aos dez anos do BOAI publicadas por Stevan em seu blog Open Access Archivangelism. Na realidade são várias entrevistas. Assistam!

Stevan Harnad from Leslie Chan on Vimeo.

fevereiro 27, 2012 Posted by | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

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