Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

2013 começa com “UMinho Open Access Seminar”

Ao contrário da rotina brasileira, na Europa e, mais especificamente em Portugal, a rotina é bem diferente da nossa, uma vez que, logo no mês de fevereiro,  a Universidade do Minho promoverá o “UMInho Open Access Seminar“. Trata-se de um evento em que serão discutidos os projetos OpenAIRE e MedOANet.

A Universidade do Minho está organizando este evento, que irá incluir as reuniões formais de ambos os projetos e um dia de seminário com sessões sobre políticas de acesso aberto, ciência aberta, interoperabilidade e infraestruturas para a investigação. Portanto, trata-se de uma excelente oportunidade para conhecer as iniciativas portuguesas e européias relacionadas com o Open Access.

  • O MedOANet European Workshop  reunirá tomadores de decisão chaves  e os  membros dos Grupos de Trabalho dos seis países do Mediterrâneo: Portugal, Espanha, França, Itália, Grécia e Turquia.  Este evento contará com a contribuição de experts em acesso aberto e representantes de organizações e iniciativas internacionais relevantes. Do workshop irá resultar um documento com as conclusões/recomendações sobre como implementar políticas de acesso aberto em sintonia com as recomendações da Comissão Europeia e coordenadas com outras iniciativas de acesso aberto a decorrer nos seis países do sul da Europa participantes no projeto.
  • OpenAIRE workshop centra-se na interoperabilidade entre infraestruturas de pesquisa para repositórios de publicações e dados científicos. Um marco do projeto OpenAIRE é a compreensão de como os repositórios de dados podem comunicar com outros sistemas e, definiu como objetivos principais do workshop: 1) a disseminação das diretrizes do OpenAIRE, que irá incluir uma discussão sobre iniciativas nacionais e identificação de outras atividades que envolvam dados científicos; 2) uma discussão técnica sobre os desafios e abordagens que o OpenAIRE tem desenvolvido sobre interoperabilidade. Neste contexto estarão presentes representantes de fontes de dados selecionadas, que irão abordar formas de integrar sistemas, os desafios envolvidos e as prioridades. Outros tópicos de discussão incluem formatos de metadados, estatísticas, identificadores únicos, etc.

Considerando que o evento prevê atividades abertas ao público, trata-se de uma excelente oportunidade para realizar contatos e também se inteirar das tecnologias e iniciativas que estão sendo desenvolvidas na Europa. Certamente, há muito que se aproveitar.

dezembro 11, 2012 Posted by | artigo, Evento | , , , , , , | Deixe um comentário

Estatísticas sobre Repositórios no Brasil

Seguindo a idéia do post publicado há alguns dias atrás, publicarei agora alguns gráficos dando uma idéia sobre o estágio em que se encontram os repositórios  no Brasil. Vejam, o gráfico a seguir mostra que dos 64 repositórios cadastrados no sítio OpenDOAR (http://www.opendoar.org/), no momento em que eles foram visitados por esta iniciativa, 9,4% (6) dos 64 repositórios estavam fora do ar (“Broken”) e 9,4%(6)  dos repositórios estavam em período experimental (“Trial”), e 81,2% dos repositórios brasileiros encontravam-se ativos, ou seja, em funcionamento. Vejam, a paritr deste gráfico, a importância de os repositórios estarem constantemente em operação. Há duas semanas, tivemos a tristeza de ouvir o relato de um palestrante estrangeiro, fazendo críticas quanto à inoperância de alguns dos repositórios brasileiros. Precisamos entender a importância de operação contínua de um repositório, pois, hoje, os usuários não se resumem em brasileiros, apenas mas, à partir do fato que os repositórios encontram-se na Internet, tanto um usuário localizado no Brasil faz acesso ao referido repositório, quanto um usuário no Japão ou na China pode eventualmente fazer acesso e, em um horário completamente diferente do horário brasileiros. O mundo é, hoje, globalizado.

OpenDOAR Chart: Open Access Repository Operational Statuses - Brazil

Em seguida, apresento uma outra ilustração do estágio em que se encontram os repositórios brasileiros cadastrados no sítio OpenDOAR. Vejam, a seguir, a distribuição dos repositórios por tipo. Assim, dos 64 repositórios, 50 são do tipo Institucional, ou seja, contém a produção científica de uma instituição, 8 ou 13% são repositórios temáticos (“Disciplinary”), ou seja, contém a produção científica de uma determinada área do conhecimento, exemplo a BVS – Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério da Saúde,  5 ou 8% referem-se a repositórios governamentais, ou seja, que armazenam registros de uma determinada organização governamental, por exemplo, o repositório denominado BDSF – Biblioteca Digital do Senado Federal contém materiais provenientes de leis e processos legislativos de uma forma geral.  E, finalmente, o repositório do tipo agregador (‘aggregating’) refere-se a um repositório que reúne registros de outros repositórios, no caso específico do Brasil, o exemplo apresentado refere-se ao SciELO, que é uma biblioteca digital de revistas científicas.
OpenDOAR Chart: Distribuição de repositórios Open Access por tipo no Brasil

Um outro tipo de gráfico, refere-se ao grafico que segue, onde são apresentados a porcentagem de repositórios que estabeleceram uma política de preservação digital. Verifica-se, nesse gráfico, que a grande maioria dos nossos repositórios não se preocuparam com esse pequeno mas, importante, detalhe.  Em primeiro lugar, é verificado se existem políticas de preservação por intermédio do campos identificador no protocolo  OAI-PMH (por exemplo, para EPrints Nottingham – http://eprints.nottingham.ac.uk/perl/oai2?verb=Identify). Esta seção normalmente  inclui a(s) política(s). Então, caso exista(m), ela(s) é(são) analisada(s) mediante critérios padronizados e um grau é atribuído a cada política.  Se não for possível encontrar informações sobre as políticas, então o status do repositório é considerado como “Política Desconhecida”.  Se  existir informações sobre políticas mas, se ela não for  coberta, então o status atribuído será o de “Não estabelecida”. EM alguns casos,  pode-se haver abertura para uma política relevante. Se, no entanto, ainda assim, a informação for “ainda não definida”, então o status será definido como “indefinido”.

De 61 repositórios, 82% não se preocuparam em definir qualquer política de Preservação Digital, 16,4% dos repositórios foram considerados que não têm uma política de Preservação Digital definida. E, apenas 1,6%, ou seja um único repositório informou que existe uma política de Preservação Digital definida.

Gráfico OpenDOAR: Uso de políticas de Preservação Digital - Brasil

A maioria das instituições, efetivamente, mantém a produção científica de todas as áreas do conhecimento. Nesse caso, os repositórios são considerados como Multidisciplinares (“Multidisciplinary”). Vejam a seguir:
Gráfico OpenDOAR: Área(s) do Conhecimento - Brazil

No entanto, nas instituições especializadas, como nos institutos de pesquisa, assim como nos repositórios temáticos a produção científica refere-se apenas a algumas poucas áreas do conhecimento, conforme pode ser visto no gráfico acima.

Um outro gráfico interessante é o que mostra a divisão de repositórios segundo o idioma dos documentos  armazenados. Nesse caso, encontram-se repositórios que permitem os idiomas Português, Inglês e Espanhol.  Na verdade, quando a documentação é apenas em Português, essa limitação dificulta uma maior disseminação de seu conteúdo. Vejam a seguir:

Gráfico OpenDOAR: Idiomas mais Frequentes nos Repositórios - Brasil

A seguir o gráfico mostra que software os repositórios brasileiros utilizam. A parte mais interessante deste gráfico é aquela que mostra o uso do Dspace, que totaliza 71,9% ou melhor, arredondando, 72% do total de repositórios brasileiros.  Esse dado mostra a influência do IBICT em todo o processo de disseminação dos repositórios no Brasil. Veja a seguir:

Gráfico OpenDOAR: Software utilizados por Repositórios Open Access - Brasil

Por último, vejam a diversidade de material que é depositado nos diversos repositórios brasileiros:

Gráfico OpenDOAR: Tipos de Conteúdos nos Repositórios - Brasil

Finalmente, apresento abaixo um gráfico que mostra o crescimento de repositórios no Brasil, pricipalmente, depois do ano de 2007. Isso mostra duas coisas: 1) A imortância da atuação do IBICT em prol do OA no Brasil; 2) A importância dos projetos financiados pela FINEP na introdução do OA no Brasil.  Evidentemente que, existem outras conclusões importantes a retirar desse gráfico que podem melhorar sobremaneira as iniciativas OA no Brasil.
Gráfico OpenDOAR: Crescimento do número de Repositórios, na base do sítio OpenDOAR - Brasil

A leitura dos gráficos apresentados serve para promover o aperfeiçoamento na qualidade dos repositórios, pois, na medida em eles são apresentados, uma série de percepções aparece e que só são percebidas posteriormente em uma amostragem conjunta.

outubro 30, 2012 Posted by | artigo | , , , , , | 5 Comentários

Repositórios Institucionais no Brasil

Fazendo uma rápido passeio pelo sítio OpenDOAR, verifica-se que existem, hoje (26/10/2012), 50 repositórios institucionais no Brasil, registrados naquele sítio, dos quais apenas 32 parecem referir-se a reais repositórios institucionais. Ou seja, constituem-se em repositórios onde se prevê o armazenamento da produção científica da instituição.  Entre os 50 repositórios, há uma diversidade de repositórios, dos quais, em parte, alguns podem até referir-se a iniciativas que registrem e armazenem parte da produção científica como, por exemplo, teses e dissertaçõees. Dentre esses registros encontram-se a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFRN, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da Universidade Federal do Maranhão, o Repositório de Teses e Dissertações da UFPB. Além desse tipo de iniciativa, existem outras como a Brasiliana/USP, que é uma biblioteca digital genérica e que tem outros propósitos diversos do objetivo principal dos repositórios institucionais, que é o armazenamento da produção científica institucional.  Por produção científica institucional entende-se, como sendo aquilo que é resultados das pesquisas realizadas por um pesquisador, professor ou aluno de universidade.

Uma outra constatação, analisando as iniciativas cadastradas naquele sítio, verifica-se, por exemplo o registro de um repositório com a denominação JOBIM, que na realidade trata-se de um repositórios pertencente ao Instituto Antonio Carlos Jobim, que fornece acesso aos trabalhos do maestro Antônio Carlos Jobim, que nesse caso difere de um repositório institucional. Este trabalho tem a sua importância mas, em um outro contexto. Entretanto, esse trabalho não se encaixa no propósito do OpenDOAR que, se pretende registrar os repositórios institucionais, que tem um outro conceito, que é o de registrar a produção científica de uma instituição. Ou seja, os resultados provenientes de pesquisas científicas realizadas por pesquisadores de uma determinada instituição.  Existem, claro, outras discrepâncias que não comentarei por questões pessoais e institucionais.

Assim, o que pude registrar em termos de crescimento de repositórios institucionais, no Brasil, será apresentado no quadro abaixo:

Nesse quadro se pode ver tanto repositórios institucionais desenvolvidos, com o apoio do IBICT/FINEP, quanto outros repositórios  institucionais de instituições que não receberam tal apoio. No gráfico verifica-se uma grande quantidade de instituições que registraram os seus repositórios mas, aparentemente, não houve progressão dado que os referidos repositórios têm menos de 300 registros. Assim, para uma melhora avaliação, refaço o gráfico acima, apenas, com os repositórios que tenham 300 ou mais registros, vejam como ficou o gráfico.

Dentro de 6(seis) meses farei uma novo post com um novo gráfico mostrando a evolução desses repositórios e, nesse caso, usarei o mesmo procedimento, não incluirei os repositórios que tenham menos de 300 registros. É preciso adotar medidas qualitativas para avaliar a construção de repositórios institucionais no Brasil. Os dados apresentados referem-se à informação existente no sítio OpenDOAR e que foi coletado no mês de outubro de 2012. Um ou outro dado, segundo o OpenDOAR foi coletado em datas anteriores mas, todos referem-se ao ano de 2012. Apesar das discrepâncias em termos de tamanho dos repositórios, o gráfico mostra que existem pelo menos 3 instituições, onde se faz o depósito de forma corrente, que são: EMBRAP, UNESP e UFRGS. Todas com um quantitativo de registros acima de 30 mil registros em seus repositórios.

 

 

outubro 26, 2012 Posted by | artigo | , , , | Deixe um comentário

Repositórios Institucionais resultados de Projetos Piloto do IBICT

No dia 29 de Outubro de 2009, escrevi um post, Repositórios Institucionais de Projetos Piloto, no qual fiz menção ao estágio dos repositórios institucionais construídos no contexto de um projeto piloto que o IBICT se propôs a desenvolver de forma consorciada com as universidades UFBA, UFPE, UFRGS, UFSC e UnB. Essas instituições receberam um kit composto de uma estação de trabalho com os software DSPACE e SEER instalados para que as referidas instituições construíssem os seus repositórios e portais contendo os seu periódicos. Hoje, passados, praticamente, 3 (três) anos, os referidos repositórios implantados conseguiram, aparentemente, se desenvolver, à exceção da UFPE, e apresentam o seguinte panorama, em termos de registros depositados:

A fonte dos dados apresentados são provenientes do sítio OpenDOAR. De  uma forma geral, verificamos que quase todas as instituições, à exceção da UFPE,  tiveram êxito nas implantação de seus repositórios, obviamente, resguardados as idiossincrasias locais, não tiveram o mesmo crescimento.  Mas, como disse, de uma forma geral, os projetos piloto tiveram um êxito, ainda que parcial.

outubro 26, 2012 Posted by | artigo | , , , , | Deixe um comentário

Um manual de referência para se criar um bom repositório institucional

A Confederation  of  Open Access Repositories (COAR)  anunciou a publicação do relatório  The Current State of Open Access Repository Interoperability (2012).  Esse relatório fornece uma visão global sobre a interoperabilidade dos Repositórios Institucionais, em termos dos tipos de serviços possíveis viabilizados por esforços recentes de pesquisas e desenvolvimentos de toda a comunidade  Open Access. O relatório cobre sete áreas focalizando iniciativas recentes de interoperabilidade,  além de fornecer uma visão global sobre 19 iniciativas chaves de interoperabilidade.

O público-alvo inclui instituições e gestores de repositórios considerando diferentes perspectivas  em termos de infra-estrutura, recursos e apoio institucional.  Para instituições iniciantes, no que se refere ao Open Access e a repositórios,  o relatório tem o objetivo de fornecer orientações para iniciar os trabalhos e indica as iniciativas de interoperabilidade necessárias a serem implementadas para alcançar serviços específicos. Para instituições e gestores de repositórios que já estão familiarizados, o relatório fornece idéias para a implementação de funcionalidades adicionais e outros serviços possíveis de serem oferecidos à sua comunidade.
Sumário do relatório:

Seção I – Introdução e Informação: Visão geral sobre interoperabilidade

  •  principais desafios
  • estágio atual
  • áreas emergentes

Seção 2 – Descrição das iniciativas de interoperabilidade correntes

  • Descrição – Informações sobre as diretrizes de interoperabilidade e padrões específicos mencionados no roteiro. Cada item resumida de forma consistente.
  • Aplicações:  exemplos concretos de serviços ou aplicativos que foram desenvolvidos usando normas / orientações / projetos.
  • Recursos adicionais para outras leituras, especialmente com foco em textos explicativos e outras informações úteis.

Link para o texto do relatório: The Current State of Open Access Repository Interoperability (2012)

outubro 25, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , | Deixe um comentário

Open Access: um novo Big Deal?

Seguindo com a tradução da matéria publicada por Richard Poynder em seu blog Open and Shut?Open Access in the UK: Reinventing the Big Deal, onde esse jornalista faz uma série de considerações sobre as últimas iniciativas do governo britânico.

New Big Deal

Isso significa, sugere Harnad,  que os editores  agora serão capazes de fornecer o OA, em seus próprios termos, e não nos termos destinados a proteger os interesses da comunidade científica. Essencialmente, o caminho está livre para que os editores  obtenham suas receitas correntes, em condições adaptadas ao novo ambiente OA, sem resolver o problema da acessibilidade,  que privou a comunidade icentífica,  por tanto tempo. Em suma, implícito no relatório FINCH / RCUK existe uma convicção de que as estratégias do OA não devem ter impacto negativo sobre os lucros das editoras. Com o relatório FINCH / RCUK  diz Harnad, “os editores obtêm suas receitas grotescamente inflados e, em troca  o  mundo se rende à estratégia da via Dourada”

É certamente estranho que, ao recomendar que a estratégia da via Dourada seja priorizada, o relatório FINCH argumente que a estratégia da via Verde  tenha falhado – apesar do fato de que a maioria dos trabalhos que estão hoje disponíveis em OA, são resultados da estratégia do auto-arquivamento (a estratégia conhecida como via Verde do OA), e não da estratégia preconizada pela via Dourada do OA (veja o gráfico abaixo), mesmo não tendo evidências de que a estratégia da via  Verde do  OA tenha prejudicado os lucros dos editores.

Imagem cortesia de Yassine Gargouri

Harnad sempre argumentou que o governo deveria exigir que todas as universidades do Reino Unido impusesse aos seus pesquisadores a obrigatoriedade do auto-arquivamento de suas pesquisas e, caberia ao RCUK fazer cumprir essa determinação, uma vez que, de fato, existe um mandato em vigor desde 2006 que,  sem dúvida, desempenhou com sucesso a implantação da via Verde do OA .  No entanto, o mandato poderia claramente ter sido mais eficaz.  Sua fraqueza fica evidenciada pelo fato de  que o RCUK  nunca fez questão de observar devidamente essa conformidade. “A eficácia do mandato depende da eficácia do cumprimento de verificação de mecanismos”, sugere Harnad, “e o RCUK nunca deu prioridade ao  mandato.”

Por isso, ele diz, “Ao RCUK teria sido muito melhor adotar um mecanismo de verificação de conformidade-benefício para o mandato existente do que se oferecer para pagar pela estratégia da via Dourada.”

Isso é importante, acrescenta, não apenas porque alcançaria o OA mais rapidamente, e economizaria  dinheiro a curto prazo, mas porque forçaria os editores a reduzir o custo de suas operações para o fornecimento da  revisão por pares sozinho – que é tudo o que é necessário em um mundo em rede – e assim reduzir os custos de longo prazo da publicação acadêmica. E isso resolveria o problema da acessibilidade insustentável.

Como está, diz  Harnad, a política RCUK simplesmente abriu o caminho para a reinvenção do Big Deal. Se você pensar sobre isso, diz ele, a política RCUK se resume ao esquema de assinatura do BMC / Springer ” mas, em nível nacional ao invés do  nível institucional.  “O próximo passo é um Big Deal nacional ou mesmo global.”

Ele acrescenta: Desde os anos 90 uma das  “opções” que os editores ofereciam, gentilmente, era a licença, tanto a nível Nacional quanto Global: “Você quer que qualquer um acesse qualquer coisa? Muito bem. Nós os editores queremos também. Concorde com o preço e  você terá o acesso!”

No entanto, nem todos acreditam que isso seja uma coisa ruim – pelo menos, não para Jan Velterop, o ex-funcionário da  AP e um dos arquitetos do primeiro Big Deal. “Eu não me importo com a estratégia da via Verde, diz Velterop, “O que eu não vejo como, remotamente realistica, é a ideia de que primeiro se deve submeter os editores à estratégia da via Verde  antes da consolidação da via Dourada.”

Velterop acrescenta, “A via Dourada é, em grande parte desenvolvida pelos novos editores, e não as tradicionais editoras. Ela deve ser construída ao lado da estratégia da via “Verde”. Que é mais provável para forçar ‘mãos que’ as editoras tradicionais verde ‘sozinho.Por isso, ele diz, um negócio grande nacional é precisamente o que o paciente necessita de hoje.

Consequentemente, ele diz, um pacote Big Deal Nacional é precisamente o que o paciente requer hoje.

Mais precisamente, ele diz, o que é necessário é um “Novo Big Deal” . Diferente do velho “Big Deal”, ele explica, isto compreenderia “uma licença Nacional” que desse ao pesquisador um ponto de acesso e uso livre a todos os artigos que estivessem ainda protegidos por assinatura, além de um serviço nacional de contratos. Este serviço seria necessário para aquisição do ponto de acesso livre e uso das publicações OA para os pesquisadores do Reino Unido, permitindo a eles publicar em revistas OA sem ter que pagar por elas.

 

 

outubro 24, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , | Deixe um comentário

Enfim, a vida continuou

Maria Carmen Romcy de Carvalho

Na semana passada, nos dias 18 e 19 de outubro de 2012, tive a surpresa, assimcomo a felicidade e alegria de comprovar que os projetos que havia deixado, no IBICT, tiveram continuidade. Nesses 2 dias, foi realizadoo I Encontro do IBICT para a Visibilidade da Ciência Brasileira. Na oportunidade foram apresentados alguns resultados bastante interessantes, pois, hoje o Brasil pode contar com 782 revistas científicas de acesso livre, constituindo-se no segundo país em termos de revistas científicas de acesso livre. Nessa categoria, apenas os EUA possuem maior quantidade de revistas científicas de acesso livre. Em termos de repositórios institucionais (RI), o Brasil conta atualmente com 50 RI . Obviamente, nem todos os repositórios institucionais foram construídos com o apoio dos projetos desenvolvidos pelo IBICT mas, com certeza, 60%  deste total de RI foram construídos com o apoio de recursos oriudndos dos projetos, que foram financiados pela FINEP. Em termos das revistas científicas, seguramente, elas surgiram a partir dos vários treinamentos no uso do software SEER – Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas, software customizado pelo IBICT, resultado de uma ousada atividade de prospecção tecnológica realizada sob a coordenação do autor deste Blog. Portanto, esses resultados ilustram a importância que tiveram, para o Basil, esses projetos financiados pela FINEP. Graças a esses projetos, hoje o País pode contar com um grande número de revistas científicas eletrônicas de acesso livre, assim como, hoje, mais de 30 universidades possuem ou podem vir a contar com seus respectivos Repositórios Institucionais.

Bianca Amaro de Melo

Além disso, o País poderá contar com um portal que dissemina a produção científica brasileira em acesso livre, o Portal Oasis.Br.

Milton Shintaku

A infomação que tenho é a de que este portal se encontra em fase final de construção e, espero, em breve, divulgar o seu link.

Assim, agradeço, sensibilizado, o empenho dos colegas Maria Carmen Romcy de Carvalho, que coordenou,  Bianca Amaro e Milton Shintako, além de toda a equipe do IBICT, que se empenharam na conclusão desses projetos. Trata-se de um grande feito realizado, no contexto da Comunidade Científica brasilera e que marcará a atuação do IBICT na implantação do Open Access no Brasil.

Antes de concluir este post não posso esquecer de agradecer à Maria Inês Militão Rufino que, vem trabalhando

Maria Inês Militão Rufino

árduamente nos processos burocráticos que envolvem todos os projetos relacionados ao acesso livre no IBICT. À todos esses colegas, os meus mais sinceros agradecimentos, pois, no meu impedimento puderam e tiveram a competência de dar seguimento aos importantes projetos cujos resultados foram apresentados durante o evento.

outubro 21, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , , | 6 Comentários

Open Access: novas ações provenientes dos editores no Reino Unido

Antes de concluir o penúltimo post, a tradução da matéria produzida por Richard Poynder, assinalava:

“Além disso, uma vez que todos os artigos em uma revista científica são únicos, os bibliotecários não estão em uma posição de poder substituir um título caro por  um mais barato. Portanto, há uma enorme pressão sobre as bibliotecas para que sejam assinadas todas as revistas publicadas nas várias áreas da pesquisa em que a instituição atua.”

Essa matéria continua, conforme segue abaixo:

“Por outro lado, os defensores do OA argumentam, com a solução autor-paga adotada pelas editoras que adotaram a estratégia da via Dourada, a decisão de compra é feita pelos pesquisadores, não por um intermediário. E, desde que os autores são capazes de publicar em uma variedade de revistas científicas, eles podem procurar por aí (ou seja, as revistas são substituíveis, e os autores podem – e irão – ao tomar a decisão de compra).

Mas, havia uma mosca na sopa. Como o “Big Deal”, as assinaturas OA são realizadas por intermediários provenientes da classe bibliotecária, de modo que existe uma desconexão no modelo de assinaturas, que muitas vezes continua a existir com a publicação OA. Os modelos de assinatura também tendem a empurrar os autores na direção dos editores que já mantêm contrato com as suas bibliotecas,  o que limita a escolha. 

Além disso, um crescente número de universidades estão criando fundos destinados a subsidiar as publicações de autores interessados em publicar por meio da estratégia da via Dourada. Novamente, a conta não será paga pelo intermediário, não pelo autor. Importante, o recurso não vem do orçamento de pesquisa do autor, então é improvável que o preço seja um fator decisivo quando um autor procura por um periódico OA no qual deseja publicar.

Prioridades

Não é novidade, quando o auto-arquivamento decolou, os  editores logo concluíram que isto representava uma séria ameaça para as suas receitas. E eles responderam de duas maneiras

Primeiro, eles insistiram no embargo ao auto-arquivamento. Exigiram que os pesquisadores esperassen antes de tornar uma cópia de seu artigo disponível gratuitamente na Web – geralmente de 12 meses ou mais.

Segundo, os editores científicos começaram a adotar o OA híbrido. Isso permitiu aos autores publicar seus seus artigos em revistas que se tornaram OA – mas, novamente, mediante o pagamento de um APC. Embora, em teoria, a estratégia OA híbrido não seja diferente da estratégia da via Dourada  (ambos tornam trabalhos livremente disponíveis mediante  o pagamento de um APC), é, geralmente, mais cara do que publicar em revistas que adotam a via Dourada pura. Mais precisamente, o OA híbrido permite aos editores o “double dip” – ou seja, obter receitas, por meio de, ambos os mecanismos,  tanto com os APCs quanto com as assinaturas.

Como as publicações OA vem se desenvolvendo, portanto, espera-se que isto revelará algo mais provável para restringir os preços do que a evaporação dos preços das assinaturas das publicações.   Além disso, para a frustração dos defensores do OA, a quantidade dessas publicações tem crescido muito lentamente. Hoje, apenas cerca de 24% dos resultados das pesquisas, em todo o mundo, são publicadas em revistas OA (35% no Reino Unido), e o crescimento tem se realizado a uma taxa de apenas 1-2% ao ano.

Deve-se também observar que – à exceção da área  biomédica – a quantidade de artigos científicos que são disponibilizados por meio do Acesso Livre, da via Verde do OA é da ordem de 4 vezes a quantidade de artigos que são dispnibilizados por meio da via Dourada.

A comparação feita no parágrafo anterior é importante porque, apesar das vias Verde e Dourada serem vistas como as duas principais estratégias para se atingir o Acesso Livre, no Reino Unido, a mais recente progressão dos fatos indica alterar fundamentalmente esse equilíbrio.

Mais especificamente, no mês de  julho passado, no Reino Unido, o Comitê FINCH publicou um relatório que continha uma série de recomendações sobre a publicação científica/acadêmica. Mais notavelmente, ele recomendava que toda pesquisa financiada com recursos publicos, no Reino Unido, deveria estar livremente disponível em uma base OA. No entanto, ao invés de recomendar a adoção de  todas as estratégias do OA, o referido relatório concluiu que o principal mecanismo a ser adotado seria aquele conhecido por autor-paga OA – tanto para revistas da via Dourada quanto para aquelas que adotam um modelo híbrido.

Resultado, ao invés de reduzir os custos, o relatório FINCH estimou que a sua proposta necessitaria de uma receita adicional da ordem de 40-50 milhões de Libras ao ano, dos quais 38 milhões seriam necessários para pagar a taxa APC.

Não foi surpresa, o fato de muitos reagirem às recomendações FINCH com consternação.  A  queixa era a de que os custos adicionais recairiam desproporcionalmente sobre os ombros de universidades de pesquisa intensiva (nomeadamente o Grupo de Russell).

No entanto, o governo do Reino Unido aceitou a quase totalidade das recomendações FINCH e a Research Councils UK (RCUK) imediatamente publicou uma nova política OA. Esta nova política vai exigir que todos os papers resultantes de pesquisa científica , total ou parcialmente financiada pela RCUK, terá de tornar-se OA. E, como indicado pelo relatório FINCH, RCUK vai exigir que os autores priorizem a estratéga da via Dourada em detrimento da estratégia da via Verde, deixando os repositórios institucionais relegados apenas ao papel de preservação e arquivamento de dados.

Os custos adicionais desta política serão atendidos por meio de subsídios em bloco da RCUK, mas o dinheiro vai sair do orçamento da pesquisa nacional existente, de modo que não haverá dinheiro novo. Além disso, para aplacar o Grupo Russell, o governo do Reino Unido anunciou que irá fornecer um extra de £ 10 milhões.  Isso também não será dinheiro novo, mas virá das “flexibilidades” do orçamento existentes dentro da rubrica para a ciência.

Os maiores críticos do relatório FINCH / RCUK, no entanto, foram os defensores da estratégia da via Verde do OA, como Stevan Harnad, que antecipou que as assinaturas de revistas  (quem ainda publicar a maioria dos artigos revisados ​​por especialistas) vão responder à nova política por meio do  alongamento dos embargos às políticas de auto-arquivamento à ponto de não serem mais compatíveis com a política RCUK, e dizer aos autores que eles devem pagar pelo OA híbrido.

Como Harnad me disse, em Julho passado, se alguém fosse um editor, permitindo a seus autores o pagamento pela publicação de forma aderente à estratégia da via Dourada híbrida (enquanto continua a coletar seu lucro usual provenientes das assinaturas) e, de quebra,  seria aguardado até o cumprimento do embargo à via Verde (ou seja, até a data em que seus netos concluíssem o seu curso superior), para ter certeza de que seus autores paguem pela estratégia da via Dourada híbrida, ao invés de escolher a opção pelo custo-livre que se teme possa vir a representar um risco para as suas receitas de assinaturas!

O entendimento de que a estratégia da via Verd do OA será obsoleta continua. O que se sabe é que, confrontado com as crescentes críticas, o RCUK sentiu a necessidade de fazer uma série de esclarecimentos (por exemplo, aqui e ali). No entanto, recusou-se a alterar a redação de sua política, que afirma claramente que os pesquisadores devem preferir a via Dourada em detrimento da via Verde.”

Esta matéria mostra a força dos editores científicos comerciais, que contra-atacam a estratégia da via Verde do OA, preferindo articular a adoção da via Dourada junto ao governo inglês.

outubro 12, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , | Deixe um comentário

O prêmio Nobel de física é depositante do repositório OpenAIRE

Serge Haroche

Serge Haroche, um dos ganhadores do prêmio Nobel de Física do ano de 2012.

Uma boa notícia é a de que o ganhador do prêmio Nobel de física, deste ano de 2012, Prof. Serge Haroche, físico francês, tem depositado no repositório europeu OpenAIRE dois papers, na qualidade de co-autor.

Segundo a versão eletrônica da revista Veja, Naturalizado francês, Serge Laroche nasceu em Casablanca, no Marrocos, em 1944. Estudou na École Normale Supérieure (ENS). Ao sair da ENS, integrou o CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique, um dos principais centros europeus de pesquisa). Professor na École Polytechnique e professor na Universidade de Paris VI, também ensinou durante nove anos na Universidade de Yale, nos Estados Unidos. Nomeado em 2001 professor do Collège de France da disciplina de física quântica, Haroche lideou o grupo de eletrodinâmica dos sistemas simples no laboratório Kastler Brossel do Departamento de Física da ENS. O pesquisador é um forte defensor da investigação fundamental, “a pesquisa com base em pura curiosidade”. Serge Laroche é membro da Academia de Ciências, da Academia Europeia das Ciências e membro associado da Academia Nacional das Ciências dos Estados Unidos. Casado, é pai de duas crianças.

O físico francês Serge Haroche, 68 anos, que dividiu o Prêmio Nobel de Física com o americano David Wineland nesta terça-feira, ficou surpreso com o anúncio, a ponto de ter que se sentar em um banco quando recebeu a ligação na França da Academia Real de Ciências da Suécia.

“Eu estava na rua, passava junto a um banco e pude me sentar imediatamente”. Acabava de ver que o indicador telefônico da Suécia aparecia em seu telefone celular, e adivinhou que iria ganhar o prêmio. Depois da ligação da Academia, falou com a família e com os colegas mais próximos, “sem os quais não teria podido obter o prêmio”.

“Sempre se pensa que isto pode acontecer, mas as chances são mínimas”, acrescentou. Especialista em física atômica e ótica quântica, Haroche já havia recebido em 2009 a Medalha de Ouro do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique, um dos principais centros europeus de pesquisa).

Serge Haroche disse que iria ao seu laboratório à tarde e que tinha a intenção de celebrar seu prêmio “com champanhe”.

Serge Haroche como diversos outros laureados pelo prêmio Nobel mostra-se, aparentemente, na medida em que, dois de seus papers estão depositados no repositório europeu OpenAIRE, favorável às iniciatvas Open Access.

outubro 9, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , | Deixe um comentário

ENSP institui sua política de OA

Em atenção à solicitação de Ana Funiel segue  a notítia, abaixo, informando que a Escola Nacional de Saúde Públic (ENSP) implementa sua política OA tornando obrigatório o registro de toda a sua produção científica, veja abaixo:

“ENSP é primeira instituição brasileira de ensino e pesquisa de saúde a implantar política de acesso aberto ao conhecimento

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP), unidade técnico-científica da Fundação Oswaldo Cruz, tornou-se a primeira grande instituição brasileira de ensino e pesquisa na área da saúde a ter uma política mandatória determinando que toda sua produção científica seja depositada, a partir do dia 11 de setembro de 2012, no repositório institucional de acesso aberto.

Dessa forma, a ENSP alinha-se a um seleto grupo de grandes instituições – como as universidades de Harvard e Cornell e o Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), nos EUA – que aderiu ao Movimento Internacional de Acesso Aberto ao Conhecimento Científico, ao mesmo tempo que aumenta o impacto dos resultados das pesquisas realizadas na instituição, por meio da maximização do acesso e do uso de sua produção.

O repositório da ENSP é fruto da Política Institucional de Acesso Aberto ao Conhecimento, que vem sendo desenvolvida pela Escola desde abril de 2011. De acordo com alguns estudos, as áreas de ciências da saúde e ciência política obtiveram um aumento de 57% no índice de citações de artigos em acesso aberto. Áreas como psicologia e direito alcançaram 108% de aumento; na área de administração o aumento foi de 92%; e a área de física chegou a 250% de aumento no índice de citações de artigos em acesso aberto.

O Repositório da Produção Científica proporciona grandes vantagens aos pesquisadores, pois aumenta a visibilidade da produção individual e institucional, potencializando as citações, utilização e reutilização de pesquisas feitas por eles próprios, além de contribuir enormemente para reduzir a lacuna existente entre a academia e a sociedade.

Os autores do material científico da ENSP passam a autorizar em caráter permanente e irrevogável, por meio da cessão gratuita e não exclusiva dos direitos de utilização não comercial, a qualquer pessoa, fazer uso da produção científica de sua autoria sem fins comerciais. A permissão inclui reproduzir, exibir, executar, declamar, expor, arquivar, inserir em bancos de dados, difundir, distribuir, divulgar, disponibilizar, emprestar, traduzir, incluir em novas obras, desde que não haja finalidade comercial e respeitando os direitos morais do autor, em especial os direitos de paternidade e integridade.

A ENSP reconhece o respeito aos direitos autorais, sejam eles morais ou patrimoniais, em relação ao conhecimento produzido e entende que é obrigação das instituições públicas garantir que a sociedade tenha acesso ao conhecimento por elas produzido. A democratização e a universalização do acesso ao conhecimento nas ciências e humanidades é condição fundamental para o desenvolvimento igualitário e sustentável das nações. Constituindo-se uma instituição de ciência e tecnologia em Saúde reforça, portanto, os princípios de uma sociedade justa, equânime e solidaria, visando a promoção da saúde e a qualidade de vida das populações.

Acesse o Repositório Institucional de Produção Científica da ENSP em www.ensp.fiocruz.br/repositorio.”

outubro 8, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , | Deixe um comentário

Open Access no Reino Unido: causas e estratégias

Richard Poynder

No último dia 01 de Outubro, Richard Poynder publicou em seu blog Open and Shut? um longo post onde faz uma longa consideração sobre a problemática das assinaturas de periódicos científicos no Reino Unido, soluções propostas pelos editores e o surgimento das estratégias do Open Access.  Devido ao fato do post ser demasiadamente longo, optei por publicar a sua tradução em partes separadas. Segue a primeira parte:

“O sistema de comunicação científica tem enfrentado sérias dificuldades nas últimas décadas, um problema geralmente conhecido como a “crise dos periódicos”. O cerne da questão é que o preço das revistas científicas tem aumentado consistentemente mais rápido que o índice de preços ao consumidor. Bibliotecas de universidades  e  centros de pesquisa vêm encontrando dificuldades cada vez maiores para adquirir e manter as as assinaturas de todas as revistas de que os seus pesquisadores precisam.

No início de 1990, os editores se encontraram em uma situação onde cada vez que preço de uma revista aumentava eles se viam confrontados com uma onda de cancelamentos. Em uma tentativa de recuperar a receita perdida aumentavam o preço, novamente, o que simplesmente desencadeava uma nova onda de cancelamentos.

Consciente de que a sua sobrevivência estava ameaçada, as editoras buscaram uma maneira de manter os seus assinantes e acabou chegando ao que ficou conhecido como o “Big Deal”.

Com o “Big Deal”, essas bibliotecas não assinavam as revistas título a título, mas sim um conjunto pré-determinado de revistas eletrônicas, a cujos contratos tinham validade por vários anos. Normalmente esse pacote é constituído de todo o portfólio da editora, que pode incluir centenas de títulos de revistas.

O atrativo do “Big Deal”,  para os editores,  era que, com esse tipo de contrato, havia o comprometimento de acabar com o ciclo anual de cancelamento. Para bibliotecas, esse tipo de contrato  forneceu o acesso a um número muito maior de títulos pelo mesmo preço que estava pagando por um conjunto menor de títulos – uma vez que assinou-se o pacote inteiro e, além disso, um contrato que abrangia vários anos. Para autores, isto proporcionou um público maior e mais estável aos seus artigos.

A Academic Press foi pioneira, em 1996, quando assinou um contrato nesses termos, “Big Deal”, por três anos com a Higher Education  Funding Council for England (HEFCE). O acordo significa que qualquer pessoa que trabalhasse e uma instituição de ensino superior (Higher Education) no Reino Unido tem franco acesso a um ponto de acesso à revista inteira da referida esitora (Academic Press). Além disso, uma vez que foi HEFCE que pagou a conta (por meio da corte superior), o acordo trouxe o benefício adicional de aliviar a pressão sobre os orçamentos das, duramente, pressionadas bibliotecas de pesquisa do Reino Unido.

O padrão

Depois de algum ceticismo inicial, outras editoras começaram a oferecer seus próprios pacotes “Big Deal”, e o modelo, em breve, tornou-se a forma padrão em que bibliotecas de pesquisa adquiriam o acesso a revistas acadêmicas.

No entanto, enquanto conceito básico da AP foi copiado, mais subseqüentes grandes negócios não foram assinados com organismos de financiamento nacionais, mas com consórcios de bibliotecas. E uma vez que os custos não foram top cortado, isso significava que as bibliotecas tiveram que financiar seus contratos “Big Deal” a partir de seus próprios orçamentos.

Logo tornou-se evidente, portanto, que o Big Deal não conseguiu resolver o problema fundamental da acessibilidade que está no coração da “crise dos periódicos”. E, como carteiras de editores de revistas tem cada vez maior como resultado da consolidação da indústria, os contratos  “Big Deal” começaram a devorar uma porção cada vez maior do orçamento de uma biblioteca. Como conseqüência, o “Big Deal” gradualmente caiu em desgraça, com bibliotecários reclamando que, como qualquer modelo de assinatura do jornal, o “Big Deal” é por sua natureza monopolista, e ele bloqueia bibliotecas em um sistema caro e inflexível que eles só podem se livrar com grande dificuldade.

Desejosos de encontrar uma abordagem alternativa, a comunidade científica começou a ter um interesse no movimento Open Access (OA). Se os artigos fossem disponibilizados gratuitamente na internet, eles entenderam, não somente os pesquisadores teriam acesso a tudo o que precisavam, mas o auto-arquivo (ou, como ficou conhecido mais tarde, a estratégia da via Verde) poderia aliviar o problema, a acessibilidade, permitindo às bibliotecas iniciar o cancelamento de algumas de suas assinaturas de revistas. Com este objetivo em mente, os defensores da estratégia da via Verde convocaram os pesquisadores a tornar os seus trabalhos disponíveis na web (e mais tarde em repositórios institucionais).

Além disso, uma nova geração de editores – por exemplo BioMed Central (BMC) e Public Library of Science (PLoS) – entrou no mercado oferecendo-se  para tornar os artigos acessíveis, livremente, aos pesquisadores  como uma parte essencial do processo de publicação, com a condição de que eles pagassem uma taxa de processamento de artigo (APC). Isto mais tarde, tornou-se conhecido como a estratégia da via Dourada do movimento OA.

Na crença de que o modelo autor-paga levaria a baixar os custos de publicação, a bibliotecas começaram a persuadir os pesquisadores a abraçar a estratégia da via Dourada do movimento OA.  E para ajudá-los nisso, eles concordaram em usar parte do orçamento de algumas das assinaturas de seus periódicos para se filiar a esquemas que as editoras que adotaram a via Dourada do OA, como BioMed Central e Springer começaram a oferecer. Estes esquemas possibilitaram aos pesquisadores o direito de publicar em revistas OA sem ter que pagar pela publicação de um artigo.

A crença de que a publicação OA levaria a custos mais baixos se baseavam em duas suposições: primeiro, que a publicação eletrônica era inerentemente menos cara que a tradicional publicação impressa; segundo, que ela imporia restrição de preços aos editores. O pensamento que estava por trás dessas suposições era: com relação às assinaturas de periódicos científicos, não são os pesquisadores que pagam a conta mas, os bibliotecários. Consequentemente, os pesquisadores não devem se preocupar com o custo das revistas científicas, mas simplesmente solicitar os títulos que eles necessitam, independentemente, do custo que as bibliotecas terão que pagar para tê-los.  Desde que, o seu trabalho é servir às necessidades de informação dos pesquisadores, os bibliotecários sentem que eles teriam que pagar.  Em outras palavras,  há uma desconexão no seio  do modelo de assinaturas de periódicos.

Além disso, uma vez que todos os artigos em uma revista científica são únicos, os bibliotecários não estão em uma posição de poder substituir um título caro para um mais barato. Portanto, há uma enorme pressão sobre as bibliotecas para que sejam assinadas todas as revistas publicadas nas várias áreas da pesquisa em que a ação a instituição atua.”

Evidentemente, aqui no Brasil os nossos pesquisadores, aparentemente, ainda não se depararam com tal situação graças ao Portal de Periódicos da Capes que tem mantido as assinaturas dos periódicos alí disponibilizados. Será que teremos, eternamente, orçamentos capazes de bancar o referido portal?

outubro 7, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , , , , | Deixe um comentário

UKPMC passará a se chamar Europe PubMed Central

À partir do próximo dia 1º de novembro o UKPMC passará a se chamar Europe PubMed Central. Para quem não sabe o UKPMC é constituída de 18 fontes de informação de Acesso Livre na área biomédica e ciências da saúde, além de agências de fomento, existentes no Reino Unido, as quais passam agora a fazer parte do European Research Council (ERC) a partir deste ano. Em reconhecimento ao fato do ERC tornar-se a terceira agência de fomento a integrar o UKPMC, o serviço será rebatizado como Europe PubMed Central.

Isto não afetará como os pesquisadores usam o serviço, que continuará a atendê-los considerando  a melhor oportunidade de acessar e explorar a literatura científica integralmente com outras fontes e conjuntos de dados biológicos.

Esta é uma demonstração de que o movimento Open Access continua evoluindo, principalmente, fora do Brasil e constitui um exemplo às nossas instituições e agências de fomento que permanecem estáticas nessa área. Em conseqüência, se nenhuma instituição brasileira tomar qualquer atitude nessa direção, a nossa sociedade continuará pagando para ter acesso à informação científica, mantendo o status quo, ou melhor fazendo o jogo das editoras comerciais científicas.

outubro 5, 2012 Posted by | artigo | , , , , , | Deixe um comentário

BOAI-10: sobre promoção e coordenação

Dando continuidade à série de posts decorrentes das recomendações formuladas pelo BOAI-10, segue a matéria abaixo, que trata  da promoção e coordenação:

4.1. Devemos fazer mais para consciencializar os editores de revistas, os editores científicos, revisores e pesquisadores dos padrões de conduta profissional para publicação em OA, por exemplo, quanto ao licenciamento, processo editorial, apelo à submissão de artigos em OA, identificação de propriedade e gestão de taxas de publicação. Os editores científicos, revisores e pesquisadores devem avaliar as oportunidades de envolvimento com editores de revistas na base destes padrões de conduta profissional. Quando os editores não agirem de acordo com esses padrões devemos ajudá-los a melhorar, como um primeiro passo.

  • Como forma de avaliar um editor ou revistas OA, novas ou desconhecidas, recomendamos que os pesquisadores consultem a associação de editores de acesso aberto (OASPA – Open Access Scholarly Publishers Association) e o seu código de conduta. Queixas sobre editores membros da OASPA ou sugestões de melhoria do código de conduta devem ser enviados para a OASPA.
  • Encorajamos todos os editores OA e as revistas  OA a aplicar as boas práticas recomendadas pela OASPA ou a procurar tornar-se membro da associação, o que implicará uma análise das suas práticas e oferecerá uma oportunidade para corrigí-las se necessário.

4.2. Devemos desenvolver diretrizes para universidades e agências de financiamento que estejam considerando a definição de políticas de OA, incluindo os termos recomendados para as políticas, boas práticas e respostas a perguntas a questões frequentes.

4.3. Encorajamos o desenvolvimento de recursos consolidados que facilitem o acompanhamento do progresso do OA por meio dos números e gráficos mais relevantes. Cada unidade de informação deve ser atualizada regularmente e a sua proveniência ou método de cálculo claramente indicada.

4.4. A comunidade OA deve agir mais frequentemente de modo conjunto. Sempre que possível, as organizações e ativistas  OA devem procurar formas de coordenar as suas atividades e comunicações no sentido de utilizar melhor os seus recursos, minimizar a duplicação de esforços, reforçar a mensagem e demonstrar coesão.

  • Devemos criar melhores mecanismos para comunicarmos e coordenarmos uns com os outros.
  • Devemos comunicar com os nossos colegas acadêmicos, a imprensa acadêmica e imprensa não acadêmica mainstream. A mídia acadêmica e não-acadêmica estão mais informadas e mais interessadas em OA do que nunca. Isto é uma oportunidade para ajudar a educar todas as partes interessadas acerca do OA e das novas propostas para o desenvolvimento do OA.

4.5. A campanha mundial pelo OA aos artigos científicos deve trabalhar em maior proximidade com a campanha mundial pelo OA aos livros, teses e dissertações, dados científicos, dados governamentais, recursos educativos e código-fonte.

  • Devemos coordenar com esforços afins menos diretamente relacionados com o acesso aos resultados da pesquisa, como a reforma dos direitos de autor, obras órfãs, preservação digital, digitalização de literatura impressa, decisão política baseada em evidências, a liberdade de expressão e a evolução de bibliotecas, publicação, revisão por pares e medias sociais.
  • Devemos procurar formas de amplificar as nossas diferentes vozes quando defendemos princípios comuns.

4.6. Precisamos afirmar mais claramente, com mais evidências e a mais grupos de interessados, as seguintes verdades sobre o OA:

  •  O OA beneficia a pesquisa e os pesquisadores, e sua falta os prejudica.
  • O OA à pesquisa financiada com recursos públicos beneficia os contribuintes e aumenta o retorno do seu investimento na pesquisa. Existem benefícios econômicos bem como benefícios acadêmicos e científicos.
  • O OA amplifica o valor social da pesquisa, e as políticas OA amplificam o valor social das agências de fomento e das instituições de pesquisa.
  • Os custos do OA podem ser suportados sem adicionar mais dinheiro ao atual sistema de comunicação científica.
  • O OA é consistente com as leis de direitos de autor em qualquer parte do mundo, e concede tanto aos autores quanto aos leitores mais diretos  do que eles teriam no âmbito dos acordos de publicação convencionais.
  • O OA é consistente com os mais elevados padrões de qualidade.

setembro 30, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , , , , | Deixe um comentário

Recomendações sobre políticas provenientes do BOAI-10

Logo no início, no prólogo, das recomendações provenientes do BOAI-10, os presentes demonstraram confiança nos resultados das estratégais adotadas pelo movimento Open Access(OA), vejam:

“…Reafirmamos nossa confiança, em  que “o objetivo é atingível e não apenas desejável ou utópico”. Nada nos últimos dez anos tornou o objetivo menos atingível. Pelo contrário, o Acesso Livre (OA) está bem estabelecido e em crescimento em todos os domínios. Possuímos mais de uma década de sabedoria prática sobre como implementar o OA. A viabilidade técnica, econômica e legal do OA está bem testada e documentada.”

Esta confiança quanto ao sucesso não fica apenas na retórica, basta ver os números no sítio OpenDOAR. Existem, atualmente, 1822 Repositórios Institucionais, 235 Repositórios Temáticos, 52 Repositórios Governamentais e 96 Repositórios Agregadores, em todo o mundo. Esses repositórios foram construídos e registrados ao longo dos últimos 10 anos. Isto reflete a adesão à estratégia da via Verde. Além disso, nos últimos 10 anos, mais de 7 mil revistas científicas de acesso livre foram lançadas, em todo mundo. Neste sítio, o Brasil ocupa o segundo lugar em termos de números de revistas OA criadas, conforme mostra o sítio DOAJ.

Diante dessas evidências positivas, o grupo de especialistas que se reuniu em Budapeste tentou resumir as recomnedações relacionadas a políticas de OA a serem adotadas, da seguinte forma:

1.1. Todas as instituições de ensino superior devem ter uma política que assegure que versões revisadas por pares, de todos os futuros artigos científicos da autoria dos seus membros, sejam depositadas no repositório designado pela instituição. (Ver recomendação 3.1 sobre repositórios institucionais.

Os depósitos devem ser realizados tão logo quanto possível, de preferência no momento da aceitação do artigo para publicação, e não após a data da publicação formal.

As políticas universitárias devem respeitar a liberdade dos acadêmicos de submeter os seus trabalhos às revistas da sua preferência.

As políticas universitárias devem encorajar, mas não requerer, a publicação em revistas OA, e devem ajudar os acadêmicos a compreender a diferença entre depositar num repositório OA e publicar numa revista OA.

Quando possível, as políticas universitárias devem ser adotadas por meio do voto dos acadêmicos, devem requerer o OA imediato e devem aceitar o depósito de outros materiais nos repositórios, mesmo quando não exigidos (por exemplo, conjuntos de dados, apresentações em conferências, livros ou capítulos de livros, trabalhos publicados antes da adoção da política, e assim por diante).

Quando os editores das revistas não autorizarem o OA nas condições preferenciais da universidade, recomendamos uma das seguinte alternativas: A política poderá requerer o depósito em acesso restrito no repositório institucional até que a permissão para o OA possa ser obtida; ou a política pode atribuir à instituição um direito não exclusivo de disponibilizar os futuros artigos dos acadêmicos em OA através do repositório institucional (com ou sem a opção dos acadêmicos cancelarem esta atribuição de direitos para qualquer publicação individual).

1.2. Todas as instituições de ensino superior que oferecem pós-graduações devem possuir uma política que assegure que as futuras teses e dissertações sejam depositadas, depois de aprovadas, no repositório OA da instituição. A pedido dos estudantes que desejarem publicar o seu trabalho, ou obter uma patente relativa a uma descoberta patenteável, as políticas devem conceder períodos de embargo razoáveis, em vez de isenções permanentes.

1.3. Todas as agências de fomento à pesquisa, públicas ou privadas, devem ter uma política assegurando que versões com revisão por pares de todos os futuros artigos resultados da pesquisa financiada sejam depositados em um repositório adequado e disponibilizados em OA logo que possível.

Os depósitos devem ser realizados tão logo quanto possível, de preferência no momento da sua aceitação para publicação, e não após a data da publicação formal.

Quando os editores não permitirem o OA nos termos da agência de fomento, as políticas das agências de fomento devem exigir que os beneficiários procurem outro editor.

Se as políticas das agências de fomento permitirem períodos de embargo antes de um novo trabalho tornar-se OA, os embargos não devem exceder seis meses. As políticas não devem permitir quaisquer embargos para materiais aos quais não se aplica os direitos de autor.

As agências de fomento devem considerar os custos de publicação como custos de pesquisa, e devem apoiar os beneficiários a pagar taxas de publicação razoáveis, nas revistas OA que exigem o pagamento dessas taxas.

Quando possível, as políticas das agências de fomento devem requerer o OA livre (libre OA), preferencialmente nos termos de uma licença CC-BY ou equivalente.

Um repositório é adequado para este propósito quando proporciona OA, permite interoperabilidade com outros repositórios e toma medidas tendentes à preservação a longo prazo. A escolha da agência de fomento deve ser determinada por pesquisa corrente sobre questões como qual a escolha que melhor promova o depósito dos artigos abrangidos, a utilidade dos depósitos, a conveniência das agências de fomento e dos autores, e incentiva o maior crescimento futuro do OA.

1.4. Todas as políticas OA de universidades e de agências de fomento devem requerer o depósito num repositório adequado entre a data de aceite para publicação e a data de publicação. Os metadados devem ser depositados logo que estejam disponíveis e devem ser OA a partir do momento do depósito. O texto integral deve ser publicado em OA logo que o repositório tenha permissão para fazê-lo.

1.5. Desencorajamos o uso dos fatores de impacto das revistas como indicadores da qualidade das revistas, artigos ou autores. Encorajamos o desenvolvimento de métricas alternativas de impacto e qualidade que sejam menos simplistas, mais confiáveis e inteiramente abertas para uso e reutilização.

Na medida em que universidades, agências de fomento e programas de avaliação de pesquisa necessitem medir o impacto de artigos individuais, estas instituições devem usar métricas baseadas nos artigos de per si, e não em métricas baseadas na revista como um todo.

Encorajamos a realização de pesquisa sobre a precisão e exatidão das novas métricas. A medida que a pesquisa demonstre a sua utilidade e confiabilidade, encorajamos o seu uso por universidades (na avaliação para progresso acadêmico), agências de fomento (na avaliação dos candidatos a obtenção de financiamento), programas de avaliação da pesquisa (na avaliação do impacto da pesquisa) e editores (na promoção das suas revistas).

Encorajamos o desenvolvimento de materiais para explicar como os fatores de impacto das revistas têm sido mal utilizados, e como métricas alternativas podem servir melhor aos fins para os quais a maioria das instituições tem usado os fatores de impacto.

À medida que as métricas de impacto forem melhorando, encorajamos o aprofundamento de estudos sobre se o OA e as políticas OA aumentam o impacto da pesquisa.

1.6. As universidades que possuem um repositório institucional devem exigir o depósito no repositório de todos os artigos científicos que devam ser considerados na promoção daquele acadêmico, no seu curso profissional ou em quaisquer outras formas avaliação interna.

Da mesma forma, os governos que realizam avaliação de pesquisa devem requerer o depósito em repositórios OA de todos os artigos científicos sujeitos a análise para efeitos de avaliação institucional e nacional.

Nenhuma política deve ser interpretada no sentido de limitar outros tipos de evidência, ou de alterar os padrões de análise.

1.7. Os editores que não disponibilizem OA devem pelo menos permiti-lo através dos seus acordos formais de publicação.

Os editores devem abster-se de fazer lobby contra os governos que atuam no interesse público, e abster-se de fazer lobby contra as instituições de pesquisa que atuam de acordo com os interesses dos pesquisadores e da pesquisa. Os editores devem repudiar campanhas de lobbying realizadas em seu nome pelas suas associações profissionais ou comerciais contra o interesse público e o interesse dos pesquisadores e da pesquisa.

A minoria dos editores de revistas baseadas em assinaturas que ainda não permitem a adoção da estratégia da via Verde OA, por meio do depósito pelos autores, sem pagamento ou embargo, devem adotar a posição da maioria.

Relembramos que pesquisadores não necessitam trabalhar como autores, editores científicos ou revisores para editores que agem contra os seus interesses.

setembro 25, 2012 Posted by | artigo | , , , , , , | Deixe um comentário

O Brasil ganha um novo aliado na batalha pelo Acesso Livre

Além da Embrapa, que construiu e mantém o seu repositório institucional (RI), Alice, agora a Fiocruz contruiu e implantou o seu RI, Arca, veja mais na revista Inova ICICT. Portanto, duas grandes instituições de pesquisa, uma na área agropecuária e outra na área de ciências da saúde. Trata-se, portanto, de uma excelente notícia para o Open Access no Brasil. Na realidade, o RI Arca foi lançado em abril de 2011.

Segundo a Coordenadora Cícera Henrique da Silva, coordenadora do Laboratório de Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fiocruz, desde o ano passado a equipe responsável pelo referido RI vem investindo em uma maior aproximação com as unidades da Fiocruz com vistas a povoar o referido RI, por meio de apresenações aos Conselhos Deliberativos da referida fundação e treinamento dos profissionais da informação para o depósito da produção intelectual no referido sistema. Leiam mais na revista Inova ICICT.

À Fiocruz, os cumprimentos deste blogueiro por mais esta demonstração de confiança na estratégia da via Verde do OA como forma de regitrar e disseminar a sua produção científica. No momento, esta fundação vem discutindo a sua política institucional de informação e, com certeza, em breve a terá estabelecido como sua política para garantir o depósito da sua produção científca. Antes, porém, recomendo que registrem tal política no sítio ROARMAP e torne-se a terceira instituição brasileira a fazer o referido registro. Isto, com certeza, promoverá maior visibilidade ao seu RI, Arca.

agosto 28, 2012 Posted by | artigo | , , , , | 1 Comentário

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