Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Estatísticas sobre Repositórios no Brasil

Seguindo a idéia do post publicado há alguns dias atrás, publicarei agora alguns gráficos dando uma idéia sobre o estágio em que se encontram os repositórios  no Brasil. Vejam, o gráfico a seguir mostra que dos 64 repositórios cadastrados no sítio OpenDOAR (http://www.opendoar.org/), no momento em que eles foram visitados por esta iniciativa, 9,4% (6) dos 64 repositórios estavam fora do ar (“Broken”) e 9,4%(6)  dos repositórios estavam em período experimental (“Trial”), e 81,2% dos repositórios brasileiros encontravam-se ativos, ou seja, em funcionamento. Vejam, a paritr deste gráfico, a importância de os repositórios estarem constantemente em operação. Há duas semanas, tivemos a tristeza de ouvir o relato de um palestrante estrangeiro, fazendo críticas quanto à inoperância de alguns dos repositórios brasileiros. Precisamos entender a importância de operação contínua de um repositório, pois, hoje, os usuários não se resumem em brasileiros, apenas mas, à partir do fato que os repositórios encontram-se na Internet, tanto um usuário localizado no Brasil faz acesso ao referido repositório, quanto um usuário no Japão ou na China pode eventualmente fazer acesso e, em um horário completamente diferente do horário brasileiros. O mundo é, hoje, globalizado.

OpenDOAR Chart: Open Access Repository Operational Statuses - Brazil

Em seguida, apresento uma outra ilustração do estágio em que se encontram os repositórios brasileiros cadastrados no sítio OpenDOAR. Vejam, a seguir, a distribuição dos repositórios por tipo. Assim, dos 64 repositórios, 50 são do tipo Institucional, ou seja, contém a produção científica de uma instituição, 8 ou 13% são repositórios temáticos (“Disciplinary”), ou seja, contém a produção científica de uma determinada área do conhecimento, exemplo a BVS – Biblioteca Virtual de Saúde do Ministério da Saúde,  5 ou 8% referem-se a repositórios governamentais, ou seja, que armazenam registros de uma determinada organização governamental, por exemplo, o repositório denominado BDSF – Biblioteca Digital do Senado Federal contém materiais provenientes de leis e processos legislativos de uma forma geral.  E, finalmente, o repositório do tipo agregador (‘aggregating’) refere-se a um repositório que reúne registros de outros repositórios, no caso específico do Brasil, o exemplo apresentado refere-se ao SciELO, que é uma biblioteca digital de revistas científicas.
OpenDOAR Chart: Distribuição de repositórios Open Access por tipo no Brasil

Um outro tipo de gráfico, refere-se ao grafico que segue, onde são apresentados a porcentagem de repositórios que estabeleceram uma política de preservação digital. Verifica-se, nesse gráfico, que a grande maioria dos nossos repositórios não se preocuparam com esse pequeno mas, importante, detalhe.  Em primeiro lugar, é verificado se existem políticas de preservação por intermédio do campos identificador no protocolo  OAI-PMH (por exemplo, para EPrints Nottingham – http://eprints.nottingham.ac.uk/perl/oai2?verb=Identify). Esta seção normalmente  inclui a(s) política(s). Então, caso exista(m), ela(s) é(são) analisada(s) mediante critérios padronizados e um grau é atribuído a cada política.  Se não for possível encontrar informações sobre as políticas, então o status do repositório é considerado como “Política Desconhecida”.  Se  existir informações sobre políticas mas, se ela não for  coberta, então o status atribuído será o de “Não estabelecida”. EM alguns casos,  pode-se haver abertura para uma política relevante. Se, no entanto, ainda assim, a informação for “ainda não definida”, então o status será definido como “indefinido”.

De 61 repositórios, 82% não se preocuparam em definir qualquer política de Preservação Digital, 16,4% dos repositórios foram considerados que não têm uma política de Preservação Digital definida. E, apenas 1,6%, ou seja um único repositório informou que existe uma política de Preservação Digital definida.

Gráfico OpenDOAR: Uso de políticas de Preservação Digital - Brasil

A maioria das instituições, efetivamente, mantém a produção científica de todas as áreas do conhecimento. Nesse caso, os repositórios são considerados como Multidisciplinares (“Multidisciplinary”). Vejam a seguir:
Gráfico OpenDOAR: Área(s) do Conhecimento - Brazil

No entanto, nas instituições especializadas, como nos institutos de pesquisa, assim como nos repositórios temáticos a produção científica refere-se apenas a algumas poucas áreas do conhecimento, conforme pode ser visto no gráfico acima.

Um outro gráfico interessante é o que mostra a divisão de repositórios segundo o idioma dos documentos  armazenados. Nesse caso, encontram-se repositórios que permitem os idiomas Português, Inglês e Espanhol.  Na verdade, quando a documentação é apenas em Português, essa limitação dificulta uma maior disseminação de seu conteúdo. Vejam a seguir:

Gráfico OpenDOAR: Idiomas mais Frequentes nos Repositórios - Brasil

A seguir o gráfico mostra que software os repositórios brasileiros utilizam. A parte mais interessante deste gráfico é aquela que mostra o uso do Dspace, que totaliza 71,9% ou melhor, arredondando, 72% do total de repositórios brasileiros.  Esse dado mostra a influência do IBICT em todo o processo de disseminação dos repositórios no Brasil. Veja a seguir:

Gráfico OpenDOAR: Software utilizados por Repositórios Open Access - Brasil

Por último, vejam a diversidade de material que é depositado nos diversos repositórios brasileiros:

Gráfico OpenDOAR: Tipos de Conteúdos nos Repositórios - Brasil

Finalmente, apresento abaixo um gráfico que mostra o crescimento de repositórios no Brasil, pricipalmente, depois do ano de 2007. Isso mostra duas coisas: 1) A imortância da atuação do IBICT em prol do OA no Brasil; 2) A importância dos projetos financiados pela FINEP na introdução do OA no Brasil.  Evidentemente que, existem outras conclusões importantes a retirar desse gráfico que podem melhorar sobremaneira as iniciativas OA no Brasil.
Gráfico OpenDOAR: Crescimento do número de Repositórios, na base do sítio OpenDOAR - Brasil

A leitura dos gráficos apresentados serve para promover o aperfeiçoamento na qualidade dos repositórios, pois, na medida em eles são apresentados, uma série de percepções aparece e que só são percebidas posteriormente em uma amostragem conjunta.

Anúncios

outubro 30, 2012 - Posted by | artigo | , , , , ,

5 Comentários »

  1. Oi, Kuramoto!
    Fiquei em dúvida sobre a “política de preservação digital” e essa forma que você mencinou que ela precisa estar disponível no AOI-PMH.
    Eu utilizo o DSpace e não fiz modificações no protocolo OAI-PMH.

    Vi que você deu um exemplo http://eprints.nottingham.ac.uk/perl/oai2?verb=Identify, mas gostaria que você compartilhasse qual repositório brasileiro está com a política disponível no protocolo OAI-PMH para eu poder questioná-los sobre como fizeram isso.

    Muito obrigada

    Comentário por Manuela Klanovicz Ferreira | novembro 20, 2012 | Resposta

    • Prezada Manuela,

      Obrigado pelo envio de seus comentários. Creio que deve ter algum engano. O que disse era que a política institucional de informação deveria ser cadastrada no sítio:http://roarmap.eprints.org/view/geoname/geoname=5F2=5FBR.html, pois isso comprovaria a existência dessas políticas em instituições brasileiras, mantenedoras de Repositórios Institucionais. Os Repositórios Institucionais (RI) só consegue existir funcionar devidamente com o estabelecimento de tal política. É ela, em princípio, que vai estimular os pesquisadores daquela instituição a fazer os depósito de sua produção científica. Em ela muito provavelmente, os pesquisadores não depositarão a sua produção científica, além do fato de que a falta da referida política compromete a qualidade daquilo que é depositado ou armazeado nos RI’s e isto é um fato, que pode ser visto ao fazer acesso aos RI brasileiros, tem muita coisa que não é proveniente ou resultado de uma pesquisa.

      Os repositórios da UFRGS, da FURG, da FIOCRUZ e, creio que em muito breve, o da UnB, que acabou de ser aprovado. Veja mais, no link que estou te enviando.

      Um abraço.
      Helio Kuramoto

      Comentário por Helio Kuramoto | novembro 20, 2012 | Resposta

    • Olá Manuela,

      Obrigado pelo envio de seu questionamento. Pensei que já tivesse respondido anteriormente ao referido questionamento mas, aparentemente, não o fiz.

      Acho que houve uma confusão no que se refere à política de preservação. Não me referi à política de preservação. Apenas acho que tal política deve existir.

      Com relação ao Brasil, não conheço nenhum repositório brasileiro, que tenha uma política explícita estabelecida. Todos os repositórios que utiliza o Dspace tem uma ação de preservação porque o software Dspace tem esse mecanismo embutido em seu código mas, não sei se as instituições estão preocupadas efetivamente com esse detalhe. Acredito que a maioria das instituições que o utilizam desconhece tal peculiaridades. Talvez a USP esteja seguinda alguma política de preservação, conversei recentemente com um técnico daquela instituição e me pareceu bastante entendido da questão. Mas não posso afirmar que a USP tenha uma tal política.

      Atenciosamente.
      Hélio Kuramoto

      Comentário por Helio Kuramoto | abril 8, 2013 | Resposta

  2. Boa tarde, Kuramoto.
    Gostaria de uma definição mais precisa sobre Repositório Institucional, visto que você entende perfeitamente sobre o assunto. Sou graduanda em Biblioteconomia da UFG e pretendo realizar meu TCC sobre RI, frente a isso gostaria que vc me indicasse fontes de informação sobre este assunto e um conceito para compreender melhor sobre. Aguardo.

    Muito obrigada, Erinéia Alves.

    Comentário por Erinéia Alves | abril 7, 2013 | Resposta

    • Olá Erinéia,

      Boa noite, obrigado pelo envio de sua questão que, aliás, é bastante pertinente de instigante.
      A sua pergunta poderia ser respondida de uma forma bastante simples, conforme define a wikipedia (http://pt.wikipedia.org/wiki/Reposit%C3%B3rio_institucional):

      Os Repositórios Institucionais (RI) são sistemas de informação que servem para armazenar, preservar, organizar e disseminar amplamente os resultados de pesquisa de instituições de ensino e pesquisa, utilizando um software.

      No entanto, existe uma definição mais completa dada por Clifford Lynch, no link https://blogs.libraries.iub.edu/scholcomm/2011/08/23/2-what-is-an-institutional-repository/:

      Definindo Repositórios Institucionais:

      Segundo Clifford Lynch, um repositório institucional, instalado em uma universidade, é um conjunto de serviços que a universidade oferece aos seus membros, que se refere à gestão e disseminação de materiais digitais criados pela instituição e os membros de sua comunidade. Isto é essencialmente um compromisso organizacional para a gestão desse material digital, incluindo a preservação à longo prazo, quando apropriado, assim como orgsanização e acesso ou distribuição. Enquanto responsabilidade organizacional para esses serviçocs, podem se razoavelmente situados em diferentes unidades organizacionais, em diferentes universidades. A necessidade efetiva de um repositório institucional representa uma colaboração entre bibliotecários, técnicos de informação, arquivistas e gestores de registros, administradores de universidades e faculdades, e tomadores de decisão e responsáveis por políticas.
      Enfim, ambas as definições se equivalem e a última detalha mais o papel e importância dos atores na comunidade científica.

      No entanto, apesar de gostar da definição dada por Clifford Lynch, eu discordo quando ele menciona que o repositório institucional deve armazenar material digital de uma forma geral. Prefiro considerar qus os repositórios institucionais deveriam armazenar principalmente e tão somente os artigos publicados em revistas com revisão por pares, pois, é esse material que interessa ao movimento OA. Creio que esse ponto deva ser algo a ser discutido no contexto de sua monografia, se quiser mais material me procure.

      Bem, se vc tiver qualquer dúvida, entre em contato pelo meu email: alokura2010@gmail.com

      Um abraço.
      Kura

      Comentário por Helio Kuramoto | abril 8, 2013 | Resposta


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: