Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Matéria publicada, sobre OA, no Jornal da Ciência

Poucos dias atrás, o Jornal da Ciência publicou matéria intitulada Brasileiros preferem publicar em revista tradicional às de livre acesso, na qual traz depoimentos de pesquisadores dando o seu testemunho, favorável ou não às revistas de acesso livre.

Segundo o prof da Unicamp, Anibal Vercesi:

É importante publicarmos em revistas tradicionais, pois elas têm uma notoriedade maior, e a Capes [Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior] está muito preocupada com o índice de impacto das publicações. Se o pesquisador não publica artigos em revistas com alto índice, ele não é considerado prestigiado na classificação do órgão, o que prejudica os alunos e o curso dele, pois cursos com classificação abaixo de 4 na avaliação fecham. Se eu tiver cinco artigos publicados na Nature, eu tenho portas abertas no mundo inteiro, o que não ocorre se publicar cinco trabalhos em revistas de livre acesso” O professor de física da USP-São Carlos, Carlos Vanderlei Bagnato, concorda: “Você tem que se preocupar em publicar em periódicos sérios e reconhecidos, porque, para nós, a credibilidade do trabalho vem com a publicação nessas revistas“.

Por outro lado, ele também destaca a importância da publicação de artigos nas revistas de livre acesso.

Todo mundo quer ler trabalhos relevantes. Por isso, as pessoas procuram acessar publicações de boa reputação, e pelas quais não precisam pagar. Por isso, o ideal seria a gente unir essas duas características em revistas de acesso livre, que também são mais vantajosas para quem publica nelas, já que podem ser lidas por mais pessoas

No entanto, o professor Bagnato contesta o fato de se publicar em uma revista de livre acesso não significa se livrar de qualquer tipo de cobrançca:

“Algumas cobram dos pesquisadores para publicarem seus artigos. Outras não, pois são mantidas por apoio governamental, por exemplo. De qualquer forma, sempre existe o custo de manter essas revistas, mesmo elas sendo virtuais, pois têm demandas, como o corpo editorial. Alguém tem que pagar”, esclarece Bagnato.

Na mesma matéria o prof. Vercesi diz:

“Algumas cobram dos pesquisadores para publicarem seus artigos. Outras não, pois são mantidas por apoio governamental, por exemplo. De qualquer forma, sempre existe o custo de manter essas revistas, mesmo elas sendo virtuais, pois têm demandas, como o corpo editorial. Alguém tem que pagar”, esclarece Bagnato.

O que se pode constatar nessa matéria é que há um tremendo desconhecimento das estratégias propostas pelo movimento Open Access. É preciso, assim, fazer uma correção no que se refere às estratégias promovidas pelo movimento Open Access: O movimento Open Access propôs no ano de 2001 duas estratégias: a VIA VERDE e a VIA DOURADA. A estratégia da VIA VERDE propõe que as universidades, os institutos de pesquisa criem os seus repositórios institucionais com o propósito de armazenar a produção científica de seus pesquisadores e professores. E, da mesma forma, que as agências de fomento criem os seus repositórios centrais com o propósito de armazenar a produção científica proveniente das pesquisas, por elas, financiadas. E, de forma complementar que essas instituições estabeleçam políticas visando disciplinar esses depósitos.

De forma complementar, os pioneiros participantes do movimento Open Access propuseram uma segunda estratégia para alcançar o acesso livre universal, a VIA DOURADA, que propunha aos editores científicos a criação e/ou conversão das revistas científicas comerciais para revistas científicas de acesso livre. A idéia é que as revistas fossem acessíveis livremente, à todos, sem o pagamento de assinaturas para que elas fossem lidas por mais pessoas. As duas vias foram definidas na mesma reunião dos participantes do movimento do acesso livre. Já faz algum tempo, diversos líderes deste movimento defendem que a estratégia da VIA VERDE seja a estratégia principal para se alcançar o acesso livre e que, à partir da implantação da VIA VERDE, em nível mundial, ter-se-ia o cenário ideal para se criar as revistas de acesso livre. O fato é que o custo para produção dessas revistas, nos dias de hoje, ainda é muito caro e os modelos de negócio utilizados, penalizam em demasia os autores devido ao alto custo cobrado por estas revistas. Verifica-se, assim, que essa matéria do Jornal da Ciência não foi muito feliz e faltou com precisão ao tratar do acesso livre, dado que o referido jornal não avaliou com cuidado e completeza as estratégias do Open Access, avaliou apenas o uso da VIA DOURADA, aquela que preconiza o uso das revistas científicas de acesso livre e a menos utilizada nos dias de hoje, basta verificar no sítio www.opendoar.org, a quantidade de repositórios, reforçando a implementação da VIA VERDE em todo o mundo.

Anúncios

junho 12, 2012 - Posted by | artigo | , , , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: