Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Preço de acesso a pesquisas impede inovação

O Jornal da Ciência publicou, hoje, matéria com o mesmo título deste post, apresentando uma entrevista com o Dr. Tylor Neylon, organizador do boicote à Elsevier, que conta com mais de 6.200 assinaturas.

Na entrevista, Neylon diz que os altos custos de assinaturas de periódicos e o policiamento contra a livre circulação de artigos na internet prejudica as pequenas companhias que contribuem para a ciência e para a inovação. Felizmente, o Brasil conta com o Portal de Periódicos da Capes, que promove o acesso a cerca de 25 mil títulos de revistas científicas para mais de 300 instituições entre universidades e instituições de pesquisa a um custo aproximado de 65 milhões de dólares anuais.

No caso do Dr. Neylon, ele é cofundador de uma pequena empresa e gosta de fazer pesquisa. Como uma pequena empresa ele diz que não tem condições de arcar com os custos de assinatura de periódicos científicos, cujos preço médio gira em torno de 22 mil dólares anuais. Imagino que esta é uma situação parecida com a de pequenas faculdades e universidades particulares, assim como, de algumas instituições de pesquisa brasileiras não privilegiadas pelo acesso ao referido portal.

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fevereiro 17, 2012 - Posted by | artigo | , , , ,

2 Comentários »

  1. Helio, muito interessante este post. Muito ainda deve ser refletido sobre o monopólio dos Editores sobre o acesso à publicação científica. O incentivo à pesquisa é realmente prejudicado pelos altos custos de assinatura de periódicos. O que seriam dos pesquisadores brasileiros se não existisse o Portal de Periódicos Capes?

    Comentário por Kátia Ferreira | fevereiro 20, 2012 | Resposta

    • Olá Kátia,

      Em primeiro lugar, obrigado pelo seu comentário. O Portal de Periódicos da Capes presta um grande serviço aos pesquisadores brasileiros vinculados à maioria das instituições públicas brasileiras, quem dera que todos os pesquisadores tivessem o mesmo privilégio. Seria o melhor dos mundos. Infelizmente, os pesquisadores estrangeiros também não têm o mesmo privilégio, porque as instituições às quais ele se vinculam não tem a mesma capacidade de fornecer o acesso à todas as revistas de que necessitam. Lá, em função dos orçamentos limitados, as instituições vêm adotando o corte de determinadas assinaturas. Por isto, a maioria dessas instituições vêm adotando a estratégia da via Verde.

      O Brasil, graças a um modelo econômico consistente, vem conseguindo manter os orçamentos para a área educacional e, consequentemente, tem conseguido manter o Portal de Periódicos da Capes mas,… até quando? Não sabemos o que acontecerá amanhã. É preciso se preparar para o dia em que não conseguirmos manter este privilégio (o Portal de Periódicos da Capes). A melhor estratégia, a que oferece melhor relação benefício/custo é a da via Verde. O mundo todo já vem implantando a via Verde, os repositórios institucionais e as políticas/mandatos de Acesso Livre. Logo o Acesso Livre se tornará universal e a totalidade dos artigos publicados em revistas científicas serão acessíveis livremente.

      No entanto, se o Brasil não implantar os seus repositórios, faltará a nossa produção científica no acervo global e o Acesso Livre será quase universal.

      Veja, não sou contra a existência do Portal de Periódicos da Capes, ao contrário, sou totalmente a seu favor. Mas, sou também a favor de ter os nossos repositórios institucionais e que a nossa produção científica seja acessível livremente. O Brasil só tem a ganhar com essa iniciativa, inclusive, uma possível economia de alguns milhões de dólares quando o Acesso Livre tornar-se Universal. Antes disto, se o Brasil adotar uma política nacional de informação científica baseada nas estratégias do Acesso Livre e conseguir registrar toda a sua produção científica, poderá alcançar maior transparência e governança em seus investimentos em pesquisas científicas, assim como, maior visibilidade, impacto e uso dos resultados de suas pesquisas e, consequentemente, um maior retorno econômico como resultado de sua maior visibilidade, impacto e uso desses resultados. Isto poderia ser conseguido por meio do investimento mínimo que não chega, hoje, a 10% do custo de manutenção anual do Portal de Periódicos da Capes. Além dos benefícios citados, este pequeno investimento deixaria um valioso legado representado por uma infraestrutura tecnológica que seria conectada à infraestrutura global de compartilhamento de informação científica de Acesso Livre; por um quadro de recursos humanos especializados em desenvolvimento e gestão de repositórios digitais; e, finalmente, por todo o acervo da produção científica brasileira.

      Cordialmente.
      Hélio Kuramoto

      Comentário por Helio Kuramoto | fevereiro 20, 2012 | Resposta


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