Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

O que a sociedade e a comunidade científica ganham com o Acesso Livre

US OSTP

US OSTP

 

Retomando a sequência de questionamentos solicitados pelo US OSTP, apresentarei agora a primeira parte da tereira questão.

Quais são os prós e os contras na adoção das abordagens centralizada e descentralizada na administração do Acesso Livre aos artigos científicso resultantes das pesquisas financiadas com recursos públicos em termos de interoperabilidade, pesquisa científica, desenvolvimento de ferramentas analíticas, e outras oportunidades científicas e comerciais?

 

Para responder a esta pergunta, é essencial distinguir o local do depósito do local de consulta e navegação.

A melhor forma de implemntar a estratégia da via Verde (Green OA), à toda pesquisa científica financiada com recursos públicos, é adotar a obrigatoriedade do depósito diretamente no repositório institucional (RI) da instituição do pesquisador beneficiado pelo financiamento (compatível com o protocolo OAI-PMH, portanto interoperável). Os depósitos (metadados mais o link para o texto completo, ou os metadados mais o texto completo), que podem ser coletados automaticamente por repositórios temáticos ou centrais (PubMed Central ou CiteSeerX0), bem como por repositórios agregadores globais(tais como: o Scirus ou Google Scholar).

O princípio fundamental da Internet e da Web é (1) depósito, local e depois distribuído (2) A coleta de metadados por repositórios central e/ou temáticos, navegação, consulta e análise. (Observe que o conteúdo não é depositado diretamente no google!) A busca e ferramentas de análise são todas desenvolvidas a nível do agregador central e não a a nível do provedor de dados (repositórios institucional).

Muitas universidades e instituições de pesquisa já têm os seus RI interoperáveis compatíveis com o padrão OAI de interoperabilidade [http://roar.eprints.org]. Para aquelas instituições que ainda não tem o seu RI, existem repositórios back-ups criado especificamente para o propósito de armazenar provisoriamente a produção científica de uma instituição até que esta construa o seu próprio RI. O OpenDepot é um desses repositórios.

Depósito institucional, coleta de metadados centralizada. O depósito deve ser sempre no RI da instituição a qual se vincula o autor, com a instituição ajudando a monitorar e assegurar a conformidade com os mandatos/políticas das agências de fomento. Uma vez que os embargos tenham se expirado, os depósitos podem ser automaticamente coletados pelos repositórios central tais como PubMed Central, ou temático como o E-Lis.

(O propósito disso é (1) assegurar que os autores façam o depósito uma única vez, (ii) estimular instituições a monitorar e assegurar o cumprimento das políticas de agências de fomento (iii) facilitar a adoção e implementação de políticas complementares pelas instituições, fornecedores universais de pesquisa de forma a exigir que sejam depositados tanto os artigos provenientes de pesquisas financiadas quanto não financiadas com recursos públicos.)

Harnad, S. (2008) How to Integrate University and Funder Open Access MandatesOpen Access Archivangelism 369 (2 March 2008)

RESUMO: Políticas/mandatos de de Acesso Livre de agências de fomento (como a do NIH ou a do RCUK) e as políticas/mandatos de Acesso Livre de  universidades ou  de instituições de pesquisa (como o da Harvard University e o da Université de Liege s) são complementares. Há uma maneira simples de integrá-los para torná-los sinérgicos e se reforçare mutuamente:
Os RI das universidades/institutos de pesquisa  são os locais naturais para o depósito direto de sua própria produção científica : universidades (e instituições de pesquisa) são os fornecedores universais de todas as pesquisas (financiadas e não financiadas, em todos as áreas do conhecimento) e têm um interesse direto no arquivamento, monitoramento, medição, avaliação e na divulgação dos seus próprios ativos de pesquisa – bem como na maximização da sua aceitação, uso e impacto.
Universidades (e instituições de pesquisa) também têm um interesse direto em que os seus pesquisadores  cumpram com as condições estabelecidas pelas agências de fomento para a concessão de auxílios/financiamento da pesquisa.
Tanto as universidades quanto as agências de fomento devem, por conseguinte, estabelecer políticas/mandatos tornando obrigatório o depósito de todos as versões finais de artigos com  revisão por pares  (postprints), de  cada um de seus autores no RI da sa universidade/instituto de pesuqisa, imediatamente após a sua aceitação para publicação, com propósitos de monitoramento e registro tanto das instituições quanto das agências de fomento.  O Acesso a esse depósito imediato do postprint do autor no RI de sua instituição pode ser definido imediatamente como Acesso Livre se as condições/contratos de direitos autorais permitirem, caso contrário, o acesso pode ser definido como o acesso fechado/restrito, enquanto não for liberado. Todo o resto das condições descritas pelas universidades e agências de fomento  deveriam, portanto, ser aplicável apenas aos prazos e condições dos direitos autorais para configurar o Acesso Livre a todos os depósitos, não para o depósito em si, seu local ou seu prazo.
Como resultado, (1) haverá um local de depósito comum para todos os resultados das pesquisas em todo o mundo, (2) mandatos/políticas de Acesso Livre da universidade vai reforçar e fiscalizar o cumprimento de mandatos/políticas de Acesso Livre da agência de fomento; (3) mandatos/políticas de Acesso Livre das agências de fomento irão  reforçar mandatos/políticas de Acesso Livre da universidade; (4) detalhes legais relativos ao fornecimento de Acesso Livre, direitos autorais e embargos serão aplicadas independentemente de depósito propriamente dito, em uma base caso a caso, de acordo com as condições de cada mandato; (5) opt-outs (opção de não depositar) só será aplicável em caso de negociação de direitos autorais, não ao depositar em si, nem ao prazo para depósito, e (6) qualquer repositórios centrais OA pode, então, coletar os postprints de RI dos autores nas condições acordadas e horário combinado, se assim o desejarem.

Ferramentas de busca e metadados enriquecidos não faltam. Mas, o conteúdo em Acesso Livre sim. O que irá criar a motivação para desenvolver novas e poderosas ferramentas de busca e análise de conteúdos será a disponibilização de conteúdos em Acesso Livre. Sem mandatos/políticas de Acesso Livre, hoje, apenas  fragmentos dispersos de artigos com revisão por pares são livremente acessível em linha.  Se as agências de fomento adotarem mandatos/políticas de Acesso Livre (Green OA), isto não só vai apenas tornar livremente acessível os artigos resultados de pesquisa financiada com recursos públicos,  mas  ajudará e estimulará as universidades e instituições de pesquisa em todo o mundo a adotarem mandatos/políticas de Acesso Livre (Green OA)  para todas os artigos resultados tanto de pesquisas financiadas com recursos públicos quanto não financiadas, em todos as áreas do conhecimento.

As Universidades e instituições de pesquisa, então, também estará em uma posição de ajudar a monitorar e assegurar o cumprimento dos mandatos/políticas de Acesso Livre das agências de fomento. O fornecimento de Acesso Livre aos conteúdos também estimulará o desenvolvimento padrões mais poderosos  de interoperabilidade, tornando o conteúdo em Acesso Livre cada vez mais útil e funcional.  O Acesso Livre promoverá, também, o desenvolvimento de novas métricas  para rastrear e medir a aceitação, uso, aplicação, citação, direção, progresso e imapcto das pesquisas., uma vez que o banco de dados de Acesso Livre foi fornecido porque é universalmente obrigatório segundo mandatos/políticas de agências de fomento e instituições.

Harnad, S. (2008) Validating Research Performance Metrics Against Peer RankingsEthics in Science and Environmental Politics 8 (11) doi:10.3354/esep00088  “The Use And Misuse Of Bibliometric Indices In Evaluating Scholarly Performance” .

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janeiro 20, 2012 - Posted by | artigo | , , , , , ,

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