Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Como a estratégia da via Verde pode ser usada para o crescimento da economia e da produtividade da Ciência?

A segunda parte do RFI do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano é muito interessante. Vejam abaixo:

US OSTPComo as políticas para o arquivamento de artigos científicos, tornando-os acessíveis publica e livremente, podem ser usadas para o crescimento da economia  e melhoria da produtividade nos empreendimentos científicos?

Comentário deste blogueiro (HK) : Trata-se de uma questão  pertinente e difícil de responder, uma vez que o uso da  informação científica não é evidente e muitos não conseguem entender devido à sua especificidade. Poucas pessoas conhecem  a verdadeira dimensão do termo “informação científica”: políticas, tratamento, disseminação, difusão e usos.  A informação científica é crucial para o desenvolvimento das pesquisas científicas e, consequentemente da ciência.

O resultado dessas políticas será a retomada das pesquisas, construída e aplicada por qualquer pesquisador, ao invés de, como agora, apenas os pesquisadores cujas instituições assinam as revistas científicas em que os artigos científicos foram publicados. Isso maximiza o acesso à pesquisa, uso e impacto, que por sua vez, maximiza o progresso da pesquisa, a  produtividade, e os benefícios do P & D para os contribuintes que financiaram a pesquisa.

O sistema atual de acesso restrito aos resultados de pequisas financiadas com recursos públicos, no qual apenas os pesquisadores cujas instituições podem se dar ao luxo de assinar a revista em que foram publicados é um legado da economia da era da imprensa (Gutenberg), e não é mais necessário. Na era digital não há mais qualquer motivo para que esses resultads não sejam acessíveis a todos os potenciais usuários.

Nas comparações cuidadosas do impacto da pesquisa (citações e downloads) entre os resultados publicados em uma mesma revista e ano que tornnaram-se de acesso livre, tem sido repetidamente relatados, em todos os campos testados, que aqueles que se tornaram livremente acessíveis são baixados (downloaded) e citados significativamente mais do que os resultados publicados (na mesma revista e ano) que não se tornaram  livremente acessíveiso (ver Figura 5). Barreiras de acesso significa barreiras à aplicações da pesquisa e benefícios.  Portanto, perdas aos contribuintes nos investimentos em pesquisa científica.

Firuga 5. Gráfico mostrando o incremento do fator de impacto das pesquisas disponbilizadas em acesso livre via a estratégia da via Verde (Green OA).

Em todas as disciplinas testadas, as citações (e downloads) são significativamente maiores para os artigos que se tornaram livremente acessíveis por seus autores (self-archiving) em comparação com artigos no mesmo jornal e ano que não se tornaram livremente acessíveis. (O ponto importante é que o impacto OA é sempre maior, em todos os disicplinas, e não a ordem de classificação do tamanho da vantagem por disicplinas, que varia de ano para ano e de amostra para amostra.) Citações indicam que a pesquisa está sendo usada e desenvolvida dando origem a mais pesquisas e aplicações.

Vejam mais em:

The effect of open access on downloads (‘hits’) and citation impact: a bibliography of studies

Gargouri, Y., Hajjem, C., Lariviere, V., Gingras, Y., Brody, T., Carr, L. and Harnad, S. (2010) Self-Selected or Mandated, Open Access Increases Citation Impact for Higher Quality ResearchPLoS ONE 5 (10) e13636

Hajjem, C., Harnad, S. and Gingras, Y. (2005) Ten-Year Cross-Disciplinary Comparison of the Growth of Open Access and How it Increases Research Citation ImpactIEEE Data Engineering Bulletin 28(4) pp. 39-47.

Harnad, S. & Brody, T. (2004) Comparing the Impact of Open Access (OA) vs. Non-OA Articles in the Same JournalsD-Lib Magazine 10 (6) June

Perdas ou atrasos no progresso da pesquisa também significam perdas para o crescimento e produtividade da indústria de P & D em todos os campos e, portanto, à economia dos EUA (e em qualquer outro país). É um erro muito amplo e profundo contar os ganhos ou perdas potenciais de fornecer ou não acesso livre em termos de ganhos ou perdas para a indústria editorial.

A publicação de resultados de pesquisa revisados por pares em revistas científicas é um serviço prestado pela indústria editorial.  É próprio do serviço de pesquisa, pesquisadores e progresso da pesquisa, que são muito maiores e mais importantes economicamente do que a editoração de revistas científicas em si, como um negócio. É, portanto, a indústria editorial científica que deve se adaptar ao potencial da nova e poderosa  era digital, que se abriu para a pesquisa, pesquisadores, instituições de pesquisa, financiadores de pesquisa, a vasta indústria de P & D, professores, estudantes e os contribuintes que financiam a pesquisa científica.  E não o contrário.

Economicamente falando, seria um grande erro conceituar essa nova situação como a pesquisa, pesquisadores e a indústria de P & D terem que comprometer os seus potenciais achados para maximizar o progresso da pesquisa – considerando as possibilidades fornecidas pela era digital – para proteger e preservar os fluxos de receitas correntes e modus operandi da indústria editorial científica, que evoluiu para a tecnologia e economia da era passada de Gutenberg (imprensa).

A pesquisa científica ter que se adaptar à indústria editorial científica   equivaleria a um cão abanando a cauda. Deve-se ter em mente, muito claro, que a industria editorial científica existe para servir à pesquisa, e não o contrário.

A pesquisa com financiamento público tem direito ao benefício integral científico e público da sua abertura por intermédio da comunicação em linha. A indústria editorial científica pode e deve continuar a evoluir até que se adapte naturalmente às novas demandas e necessidades da era digital de acesso livre à pesquisa científica.

Harnad, S. (2007) The Green Road to Open Access: A Leveraged Transition. In: The Culture of Periodicals from the Perspective of the Electronic Age, pp. 99-105, L’Harmattan.

RESUMO: O que a comunidade científica precisa, urgentemente, é do acesso livre (Open Access, OA) a seus próprios resultados de pesquisa.  Pesquisadores podem fornecer isto de duas maneiras: 1) publicando os seus artigos em revistas centíficas de acesso livre (Gold OA, via Dourada) ; ou continuando a publicar em revistas científicas não OA (revistas científicas acessíveis via pagamento de assinaturas)  e auto-arquivando a versão final de seus artigos revisados por pares no Repositório Institucional de sua instituição (Green OA, via Verde). O auto-arquivamento em Acesso Livre, uma vez que se torna  obrigatório pela instituição de pesquisa e/ou agências de fomento, pode gerar confiavelmente 100% do acesso livre (Green OA).  A estratégia da via Dourada ( Gold OA) requer que as revistas científicas acessíveis mediante o pagamento de assinaturas convertam-se em revistas científicas de acesso livre (OA), que não se encontra nas mãos da comunidade científica e também requer receitas para cobrir os custos da sua publicação.  Com 100% Green OA, os problemas de acesso e impacto  da comunidade científica está resolvido. Se e quando for alcançado os 100%  da literatura científica em acesso livre, pela estratégia da via Verde (Green OA), este novo contexto causará significante pressão para cancelamento de (ninguém sabe se e quanto isto acontecerá, porque a estratégia da via Verde (OA Green) crescerá anarquicamente, artigo a artigo, e não revista a revista) então a pressão por cancelamento causará uma redução de custos, achatamento e eventualmente a transição pela adoção da conversão das revistas científica baseadas na captação de recursos via assinaturas para revistas científicas de acesso livre.  Como as receitas provenientes de assinaturas serão achatadas,  eventuais economias provenientes do cancelamento tende a crescer.  Se e quando as assinaturas de revistas tornarem insustentáveis,  o custo por artigo publicado cairá o suficiente, e as economias institucionais provenientes do cancelamento das assinaturas de revistas, serão suficientes para cubrí-los, porque as revsitas científicas terão reduzdo os seus custo para apenas arcar com os custos da revisão por pares. , geração/envio de textos para os autores e fornecimento de acesso/ arquivamento na rede global de repositórios institucionais. A estratégia da via Verde (Green OA) terá provocado a transição para a revista científica de acesso livre (Gold OA).

 

Aqui se encerra a segunda parte da resposta de Stevan Harnad ao RFI do OSTP.

Anúncios

janeiro 12, 2012 - Posted by | artigo | , , , ,

3 Comentários »

  1. Caro Hélio Kuramato,
    Interessante esse seu questionamento, sobre idéias e sugestões que enviamos aos Órgãos e Instituições a espera de uma comunicação por partes dos responsavéis que atuam no desenvolvimento do nosso país, “Um país de todos” e que não nos respeitam como cidadãos, quando estão no poder. Imperam apenas suas opiniões e decisões entre eles em benefícios seu, de sua equipe e partidos oligarquicos. Sou servidora pública e todo ano recebo o mesmo modelo de relatório para ser preenchido com planejamentos e metas para o próximo ano. Nos cobram todo final do ano letivo, mas ano após, nada de resposta sobre do que enviávamos dos planejamentos, dos relatórios e das análises estatísticas. Os dirigentes faziam-se de esquecidos o ano todo. Infelizmente nossos “gestores” de instituições públicas querem mesmo é ocupar cargos e acharem que podem mandar e os outros obedecerem, se questionarem estão contra esta situação te põem no ridículo, te menospreza, inicia um processo de assédio moral e psicológico. Enfim é uma tristeza é uma doença.

    Comentário por Edméa Souza Crqueira | janeiro 13, 2012 | Responder

    • Prezada Edmea,

      obrigado pelo seu comentário. Concordo com tudo o que vc comentou. A experiência que tenho é de que tudo isso faz parte da cultura brasileira. Nenhuma empresa ou instituição governamental brasileira responde a emails. Aliás, existe uma exceção, a Ouvidoria do MCT, eles sempre respondem aos meus questionamentos, mas os dirigentes, a contar pelo ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloísio Mercadante, e o presidente do CNPq, assim como a presidente deste País, jamais responderam às minhas mensagens e propostas. Enfim, não dá para acreditar nesse quadro de dirigentes. Talvez seja o excesso de trabalho. Alguns, como o presidente do CNPq, chegam a enrolar a gente enviando mensagens pela sua secretária dizendo que encmainhou a proposta para o setor competente avaliar. Mas, nunca responderam. Gostaria que tivesse pelo menos uma resposta negativa que fosse, já seria um alento par nós cidadãos brasileiros.

      Atenciosamente.
      Helio Kuramoto

      Comentário por Helio Kuramoto | janeiro 13, 2012 | Responder

  2. […] implantar o seu próprio repositório institucional. A estratégia da via Verde ainda é a que oferece melhor relação benefício/custo. CompartilheFacebookTwitterRedditStumbleUponDiggPrintEmailGostar disso:GostoSeja o primeiro a […]

    Pingback por Pesquisa comprada, então pague-a « Blog do Kuramoto | janeiro 17, 2012 | Responder


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: