Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

OA: Respostas de Stevan Harnad à solicitação de informações do US OSTP (Parte 2)

US OSTPConsiderando a longa resposta de Stevan Harnad à solicitação de informação (RFI) do Office of Science and Technology Policy (OSTP) do governo americano, o post publicado ontem neste blog teve o cuidado de não apresentar a resposta completa e apenas apresentar o link para o blog do Stevan, onde se encontra a resposta completa, em inglês.

Dando continuidade, hoje, publico a parte restante da resposta à primeira questão do RFI do OSTP do governo americano. Em sequência à relação de artigos apresentada no post publicado ontem, Stevan Harnad faz um resumo de seu artigo, conforme apresento abaixo.

Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access NowPrometheus 28 (1): 55-59

RESUMO: Entre as diversas  implicações importantes do relatório de Houghton et al (2009), oportuna e esclarecedora análise do JISC sobre os custos e benefícios de fornecer acesso gratuito em linha (“Open Access,” OA) a artigos de periódicos acadêmicos e científicos, revisado por pares, destaca-se como particularmente atraente: Isto  produziria  uma relação  benefício/custo  da ordem de quarenta vezes o custo de fornecer acesso livre se todos os artigos científicos fossem auto-arquivados pelos seus autores em repositórios OA (Green OA). Há muitos pressupostos, estimativas e análises sustentadas pela  modelagem elaborada por Houghton et al,  elas são na maior parte muito razoáveis e até mesmo conservadoras. Isso faz da sua mais forte implicação prática particularmente impressionante: A relação benefício/custo da ordem de 40 vezes  o custo de fornecer o acesso livre via a estratégia Verde (Green OA) é uma ordem de magnitude maior do que todas as potenciais combinações possíveis de outras alternativas analisadas e comparadas  ao status quo por Houghton et al. Este resultado é tanto mais significativo, tendo em conta o fato de que a auto-arquivamento já repousa inteiramente nas mãos da comunidade científica (pesquisadores, suas instituições e seus financiadores), enquanto a estratégia preconizada pela via Dourada (“Gold”) OA  depende da indústria editorial.  Talvez o mais notável é o fato de que este resultado surgiu a partir de estudos que abordaram o problema principalmente do ponto de vista da economia da publicação e não a economia da pesquisa.

Abaixo (Figura 1), Houghton et al apresenta um sumário da relação estimada benefícios/custoa para o Reino Unido, considerando as duas estratégias de proporcionar acesso livre: (i) Green OA = os autores continuam publicando em revistas científicas de sua escolha, mas tornando-os livremente acessíveis por meio do seu auto-arquivamento no repositório institucional de sua instituição ou (ii) Gold OA = os autores publicam em revistas de acesso livre, as quais fornecem acesso livre a todos os seus artigos. em linha, gratuitamente e cobram do autor uma taxa de publicação. Houghton et al calcularam, separadamente, a relação custo/benefício para as universidades do Reino Unido (HE) e para o Reino Unido como um todo, para converter para a estratégia Gold OA ou para converter para a estratégia Green OA, e em função da conversão isolada do Reino Unido, ou se a conversão é feita em todo o mundo.

Figura 1. Gráfico mostrando a análise Benefício/Custo para o Reno Unido feita por Houghton et al.

Veja também:

The effect of open access on downloads (‘hits’) and citation impact: a bibliography of studies
As duas coisas importantes a observar pelo USOSTP RFI são:  (1) que, para todos os cenários de conversão, os custos de conversão pela estratégia Green OA é muito menor (e distribuído entre as instituições) e a relação Benefício/Custo é muito maior) do que da conversão pela estratégia Gold OA e ainda mais importante, (2) agências de fomento  (assim como as instituições de ensino e pesquisa) podem tornar obrigatória a conversão por meio da estratégia Green OA aos seus beneficiários o auto-arquivamento de seus artigos científicos (ou empregados, no caso das instituições de ensino e pesquisa) mas eles não podem tornar obrigatória a conversão das revistas científicas comerciais para acesso livre (Gold OA), porque estas encontram-se nas mãos dos editores.

Neste parágrafo anterior, Stevan Harnad, aliás em todo o post, faz colocações que são válidas não apenas para os EUA mas para todos os Países, inclusive o Brasil. Farei uma pausa agora e amanhã continuaremos, com a resposta à primeira questão do RFI, especialmente com o tópico Mandatos ou Políticas.

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janeiro 10, 2012 - Posted by | artigo | , , ,

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