Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Agência de fomento belga dá exemplo para o Acesso Livre universal (OA)

O Conselho de Administração do FRS-FNRS (Fund for Scientific Research da Bélgica-francófona) anunciou, oficialmente, que decidiu utilizar Repositórios Institucionais, exclusivamente, como fontes de dados bibliográficos em suporte à avaliação de submissão de pedidos de auxílios à pesquisa ou bolsas (exceto para candidatos estrangeiros), a partir de 2013 (fortemente encorajados em 2012).

A FRS-FNRS é a principal agência de fomento para a pesquisa básica na Federação de Wallonia-Brussels.

Segundo, Stevan Harnad, esta é a primeira iniciativa a estender, a uma agência de fomento, uma das principais características do modelo instituído pelo prof. Bernard Rentie, o “modelo de Liège”, mandato adotado em uma instituição de pesquisa para implantação de um RI. Tal modelo inclui o modelo ID/OA.

O modelo de Liège tem as seguintes características: i. torna obrigatório o depósito da produção científica; e para assegurar o seu cumprimento, ii. designa o depósito no repositório institucional como o único mecanismo utilizado para avaliar a apresentação de publicações na análise de desempenho pessoal/institucional.

O FRS-FNRS é a agência responsável pelo financiamento da pesquisa científica na Bélgica francófona. Sua contraparte Flamenga, FWO, estabeleceu o mandatado OA de depósito em 2007, mas, como a maioria dos mandatos de agências de fomento, ele não especificou onde depositar e nem forneceu qualquer sistema de monitoramento para garantir o cumprimento: http://roarmap.eprints.org/57/.

O FRS-FNRS designou, agora, o depósito em RI como o único mecanismo em suporte à avaliação de um pedido de financiamento de pesquisa.

Esta decisão proporciona seis grandes benefícios:

(1) Não apenas estende o modelo de Liege, estabelecendo uma forma de cumprimento/monitogamento para o mandato de uma agência de fomento, mas também;

(2) ajuda a integrar os mandatos institucionais e de agências de fomento;

(3) garante que o depósito seja feito,

(4) assegura que o depósito é feito em repositório institucional do autor (em vez de em diversos repositórios institucionais externos),

(5) incentiva as instituições que ainda não adotaram a via Verde do OA a adoptá-la, de forma a complementar mandatos das agências de fomento de toda a produção científica institucional, financiada e sem fundo; e

(6) assegurar que os mandatos institucionais e das agências de fomento sejam convergentes e que se reforçam mutuamente, em vez de divergentes e competitivos, com depósitos de ambos os mandatos sendo feito institucionalmente, e com as instituições, portanto, acompanharem e assegurarem a conformidade com os mandatos das agências de fomento.

Mais um passo foi dado em direção ao OA universal e serve de exemplo a outras agências de fomento, em especial às brasileiras, as preferem manter-se reféns das editoras comerciais.

Anúncios

dezembro 23, 2011 - Posted by | artigo, Mandato OA | , , , , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: