Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Diferenças entre os cenários: acesso limitado e acesso livre.

Certamente, pouco se discute sobre um cenário considerando o acesso livre e um cenário considerando o acesso limitado (acesso onde apenas os pesquisadores, professores ou funcionários de uma instituição assinante de uma determinada revista tem acesso ao seu conteúdo).

No cenário proporcionado pelas revistas cujos conteúdos são acessíveis apenas aos pesquisadores, professores, funcionários ou colaboradores filiados a instituições assinantes dessas revistas verifica-se os seguintes fenômenos:

1 – A visibilidade, uso e impacto são limitados, uma vez que apenas os usuários filiados às instituições assinantes têm acesso aos seus conteúdos;
2 – A exclusão cognitiva é resultado do fato de que parte da comunidade científica não tem acesso a esses conteúdos, visto que algumas das instituições participantes dessa comunidade não têm condições de manter as assinaturas ou assinar tais revistas. Assim, partes da comunidade científica não consegue desenvolver suas pesquisas ou solucionar problemas de saúde ou infraestrutura por falta do acesso a esse conteúdo;
3 – Quem tem acesso ao conhecimento científico se desenvolve mais rapidamente, se capacita, e tem maior capacidade de inovação tecnológica. Enquanto isso, quem não tem esse acesso, não consegue se desenvolver, se capacitar e sequer tem condições de promover qualquer inovação tecnológica. Enfim, a capacidade de se desenvolver e de inovar tecnológicamente fica restrita á comunidade que tem acesso aos conteúdos das revistas científicas comerciais. Assim, os países desenvolvidos são cada vez mais desenvolvidos, enquanto aqueles países não desenvolvidos ficam à margem do desenvolvimento como um todo.

No cenário proporcionado pelo acesso livre (Open Access) – quando o acesso livre tornar-se universal, ou seja, toda a produção científica mundial for livremente acessível – ocorrem as seguintes possibilidades:

1 – As universidades, faculdades, escolas e/ou países não terão necessidade de assinar revistas científicas comerciais e nem contratar portais de periódicos científicos;
2 – A produção científica ganhará maior visibilidade, uso e impacto;
3 – O globo vivenciará o nascimento das Sociedades do Conhecimento Compartilhado;
4 – Não mais haverá o fenômeno da exclusão cognitiva;
5 – Os países pobres e ricos gozarão da mesma oportunidade de desenvolver-se e de inovar tecnologicamente;
6 – Os países, universidades, faculdades, de uma forma geral, poderão otimizar os seus investimentos em pesquisa científica, uma vez que não terão, mais, a necessidade de despender recursos com a assinatura de revistas científicas.
7 – Os pesquisadores / autores poderão finalmente conhecer o real fator de impacto de suas pesquisas, de forma transparente e isonômica, uma vez que os motores de busca as indexarão independentemente da revista onde foram publicadas;
8 – Os governos, universidades, faculdades e agências de fomento ganharão um mecanismo para avaliar os seus pesquisadores e seus investimentos em pesquisa. Enfim, os governos e as instituições de ensino e pesquisa ganharão maior transparência e governança em seus investimentos.

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novembro 28, 2011 - Posted by | artigo | , , ,

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