Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

OA: soluções em prol dos pesquisadores

Com relação ainda a desconfiança ou receios existentes na área executiva do governo federal é preciso ainda esclarecer o seguinte: 1) o objetivo do Open Access (OA) e suas estratégias são de cunho eminentemente social – trata-se de um programa de inclusão social, assim como também de inclusão cognitiva; 2) os portais de periódicos são serviços contratados junto a fornecedores comerciais, os editores de revistas científicas, portanto, os interesses envolvidos não são exlcusivamente sociais – aliás, muito pelo contrário, são parte de uma ação de exclusão cognitiva, pois mantém à margem do acesso ao conhecimento científico milhares de pesquisadores.

Por outro lado, eventuais desconfianças ou receios poderiam ser esclarecidos mediante a realização de estudos prospectivos , pois, no contexto da área executiva do governo federal existem organismos em cuja missão se insere a realização de estudos estratégicos visando o estabelecimento de políticas públicas. A informação científica é um insumo altamente estratégico para o País e, portanto, merece o desenvolvimento de um estudo sobre o OA e seu impacto no orçamento, seu impacto no desenvolvimento da ciência e seus benefícios ou, eventualmente, como desconfiam alguns executivos, malefícios. É importante, no entando, salientar a existência de estudos similares realizados no Reino Unido, como o relatório (Houghton et al, 2009) e outros existentes na Internet, inclusive neste blog na sessão “Documentos OA”. A leitura, pura e simples, desses relatórios contribuiria para a tomada de decisão, uma vez que os estudos foram realizadas por instituições confiáveis.

O fato é que as revistas científicas deveriam servir à pesquisa e não o inverso. Hoje, as pesquisas são desenvolvidas e geram resultados que são entregues gratuitamente pelos seus autores para serem publicados nessas revistas. Mas, caso o autor ou qualquer outro usuário que queira ter acesso a esta publicação e, em particular, a um determinado artigo desta publicação é obrigado a assiná-la.

Considerando-se que essas revistas recebem gratuitamente os artigos dos seus autores para publicação e que os seus editores as vendem para aqueles que querem ou precisam ter acesso aos resultados publicados nessas revistas, por meio de assinaturas, revela-se, então, o cunho/interesse comercial desses editores. Trata-se de um excelente negócio para as editoras dessas revistas, pois recebem os insumos gratuitamente e os revende a preços estratosféricos. E este negócio se torna ainda mais atrativos na medida em que mantém em suas carteiras clientes cativos como governos e universidades. Os autores/pesquisadores não estão interessados em fazer lucro com as suas pesquisas, mas estão interessados em ver as suas pesquisas lidas, citadas e usadas, daí a necessidade do OA.

Uma outra análise, considerando-se que a maioria das pesquisas são financiadas com recursos públicos e que os seus resultados são publicados em revista científicas comerciais, as quais são acessíveis apenas mediante o pagamento de assinaturas, verifica-se que a sociedade paga duas vezes pelo mesmo produto ou serviço. Portanto, o OA não ameaça os portais de periódicos, visto que, o seu objetivo principal é tornar livremente acessível os 2,5 milhões de artigos que são publicados anualmente em 28 mil títulos de periódicos.

O objetivo do OA coincide com os objetivos dos portais de periódicos, porém, o fazem a um custo muito menor do que o custo de manutenção desses portais. Aliás, é bom que se diga, este acesso além de ser livre de custos, utiliza uma tecnologia muito mais inovadora e moderna.

Outro fato importante a mencionar é que o OA não necessita da construção de nenhum portal específico, as soluções tecnológicas já existem e estão disponíveis para qualquer usuário, seja ele da comunidade científica, seja ele um cidadão comum da sociedade. Isto é possível porque os mecanismos de busca como o Google, Google Scholar, Yahoo e outros indexam os repositórios institucionaise qualquer outro objeto existente na web. Assim, basta ter uma conexão à internet e não depende de nenhum convênio ou acordo formal ou de qualquer pagamento. Este é o grande trunfo do OA.

Evidentemente, que se alguma instituição quiser fornecer serviços com valor agregado, nada impede que estas construam os seus portais customizados para oferecer tais serviços. Mas, não haverá necessidade de o governo federal gastar recursos orçamentários para aquisição de pacotes de software ou para desenvolvimentos quaisquer.

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julho 22, 2011 - Posted by | artigo | , ,

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