Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Peter Suber fala sobre o estágio atual das iniciativas OA

Conforme comentei em um post anterior, apresentarei nestes próximos posts apenas uma síntese da entrevista realizada pelo jornalista Richard Poynder com Peter Suber, um dos mais importantes defensores do Open Access (OA). Aqueles que tiverem dificuldades para entender a síntese que apresentarei poderão ler um artigo que publiquei recentemente no Jornal da Ciência.

Peter Suber foi um dos pesquisadores que contribuíram para o surgimento do OA. E, esta talvez seja a mais importante entrevista já realizada sobre o OA, tendo em vista que, Suber explica a situação atual das estratégias e iniciativas do OA. Leiam a síntese a seguir.

Por quê e para quê OA?

Os autores precisam do OA para alcançar todos os leitores que poderão construir seu trabalho, aplicá-lo, estendê-lo, citá-lo ou fazer uso dele. Leitores precisam do OA para encontrar e recuperar todas as coisas que eles precisam ler e processar tudo que eles necessitam processar.

O OA não é meramente um compartilhamento de conhecimentos. Ele acelera a pesquisa visto que ajuda o autor e o leitor encontrar-se mutuamente. Ele é compatível com intermediários mas não é compatível com intermediários que levantam as barreiras contra o acesso para manter os autores separados dos leitores.

Basicamente nós precisamos do OA para resolver o sério problema de acesso que dificulta aos pesquisadores, tanto os autores quanto os leitores. Mas, nós também precisamos agarrar essa bela oportunidade oferecida pela Internet, especialmente a oportunidade para distribuir cópias perfeitas de artigos revisados por pares junto à audiência mundial a um custo marginal igual a zero.

Sobre a situação atual da estratégia verde OA:

Para mim, não há simplesmente uma linha de chegada para o OA. Mas, nós estamos nos aproximando rapidamente do ponto onde a via verde do OA torna-se o padrão para os artigos resultados das novas pesquisas, mesmo se ela coexiste com o acesso pago (ou acesso mediante pagamento de assinaturas) das revistas cientíicas tradicionais. A via verde do OA já é o padrão para a área da física em todo o mundo, e para a medicina na América do Norte, por diferentes razões.

O ritmo do progresso varia de área do conhecimento para área do conhecimento e de país para país, mas a direção do progresso é o mesmo em todo os lugares. A curva é ascendente em qualquer lugar. E a razão é a mesma em quase todos os lugares, ou seja, o forte crescimento das políticas aderentes à via Verde do OA, adotadas por agências de fomento e univesidades. Algumas políticas são fracas e tem pouco efeito, mas a distribuição de fortes políticas está definitavamente ampliando o volume mundial de resultados de pesquisa acessíveis livremente.

Sobre a atual situação da via Dourada:

Nós estamos fazendo progresso também nesta estratégia. O número de revsistas com revisão por pares OA está crescendo rápidamente, tanto as novas revistas OA quanto as revistas existentes que são acessíveis por meio de assinaturas convertidas para OA. Há mais revistas OA dando lucro. Existem mais revistas OA ganhando reputação pela sua alta qualidade, importância e prestígio.

Existem mais experimentos com diferentes modelos de negócio para revistas OA em diferentes nichos e mais reconhecimento de que há muitos diferentes modelos de negócios a experimentar. Há mais universidades e agências de fomento dispostos a pagarem pelas taxas de publicação para revistas OA cujos modelos de negócios se baseiam no pagamento dessas taxas – e, , esses números estão crescendo mesmo em uma profunda recessão.

Há mais reconhecimento de que o apoio a revistas OA é um investimento em nível superior ao suporte à pesquisa, pesquisadores, instituições de pesquisa, e revisão por pares. Mais revistas OA estão documentando que sua conversão para o OA aumentou o número de submissões e impacto na citação.

O crescimento no número de conversão de revistas, baseadas em assinaturas, para OA, em meu entendimento, sugere que os editores de pequeno e médio porte estão começando a ver o OA menos como uma ameaça e mais como uma estratégia de sobrevivência. Os grandes negócios estão absorvendo os orçamentos das bibliotecas, o orçamento das bibliotecas são estáticos ou decrescentes, e revistas excluídas dos grandes negócios têm pouco futuro em modelos baseados em assinaturas.

De fato, eu vejo um maior reconhecimento de que o modelo baseado em assinaturas é insustentável em um mundo no qual o volume de conhecimento publicado cresce rapidamente, e os preços de assinaturas cresce mais rápido que os orçamentos das bibliotecas e a inflação.

Eu vejo mais agências de fomento e governos – não apenas bibliotecas e universidades – chegando à conclusão de que a barreira do preço a esta critica e útil literatura criam espaços danosos ao acesso e minam os investimentos públicos em pesquisa e revisão por pares. Estas instituições têm se comprometido com a estratégia da via Verde, mas elas também estão se comprometendo de forma crescente com a estratégia da via Dourada também.

Segue a mensagem de Suber aos editores que se mantêm contra o OA, especialmente aqueles que fazem lobby contra os mandatos de auto-arquivamento (depósito):

“Eu diria que eles devem aceitar a legitimidade de exigir OA à pesquisa que recebe financiamento público e concentrar suas objeções sobre a duração do embargo permitido. Se não, eles estão colocando seus interesses privados à frente do interesse público e exigindo que os órgãos públicos façam o mesmo.

“Se eles não se opõe aos mandatos da via Verde do OA para as pesquisas com financiamentos públicos e apenas resistem à idéia de converter as revistas, baseada em assinaturas, para revistas OA por si só, então eu não tenho nenhuma objeção. Mas eu devo exortá-los a permitir que o autor seja iniciado à estratégia verde do OA. Eu devo exortá-los a estudar a estratégia da via Dourada para os editores que estão pagando suas contas e fazendo lucros e estudar a real sustentabilidade do modelo de negócio baseado em assinatura em um mundo de crescimento rápido das pesquisas e orçamentos estacionários ou decrescente das bibliotecas. Mas a escolha é deles, e eu nunca quis que a política do governo fosse além da regulação dos subsídios para a regulação dos editores.

“Para mim, o recado aos editores cujo modelo de negócios de suas revistas é baseado em assinatura tem 4 pontos: em primeiro lugar, permitir a estratégia verde do OA. Em segundo lugar, estudar a estratégia Dourada do OA. Terceiro, não agir da mesma maneira como órgãos públicos agem no interesse público. Quarto, não agir da mesma maneira como pesquisadores e instituições de pesquisa agem no interesse da pesquisa.”

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julho 7, 2011 - Posted by | Entrevista | , , , , , , ,

1 Comentário »

  1. Alguem tem de falar nestas coisas, acho bem.

    Comentário por Branqueamento Dentário | julho 7, 2011 | Responder


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