Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Sessão Defesa do OA: Conversa, Tendências Emergentes e Integração. Segunda parte

Após a apresentação de Monica Hammes, foi a vez de William J. Nixon apresentar a sua visão de como argumentar em defesa do OA. Nixon apresentou a sua visão utilizando um sistema que integra o repositório institucional da Universidade de Glasgow e um sistema de informação de uma agência de fomento. Muito interessante a abordagem, pois, o resultado foi a oferta de serviços de informação com valor agregado. A idéia não é de todo original, visto que, enquanto eu ainda trabalhava no IBICT fiz algumas tentativas de integrar os repositórios institucionais à Plataforma Lattes. E, agora, mais recentemente, encaminhei um projeto e um ofício sugerindo ao presidente do CNPq o estabelecimento de um mandato, dado que o CNPq é uma das maiores e mais importantes agências de fomento. Infelizmente, não recebí nenhuma resposta sobre as minhas sugestões. Dentre as sugestões, além de estabelecer o mandato OA verde, que seria, em última instância, a memória da produção científica financiada por aquela agência de fomento, propus também que se criasse um repositório central e que este fosse integrado à Plataforma Lattes. Certamente, teríamos inúmeros benefícios com essa integração.

Vejam a síntese da apresentação de William J. Nixon, que se intitula: Nenhum repositório é uma ilha

“A abordagem de SILOS para um repositório não funciona”, William J. Nixon é espirituoso ao explicar “, apenas a defesa do OA não funciona. Precisamos de integração”. Ele apresentou o repositório institucional Enlighten da Universidade de Glasgow, integrado a um sistema de informação de uma agência de fomento à pesquisa, construído sob encomenda, incluindo informações sobre a agência de fomento, finanças, recursos humanos, aluno, páginas da publicação com feeds ao twitter, etc”.

O repositório integrado oferece serviços de informação com valor agregado, ele proporciona maior engajamento e é importante para a defesa dos direitos”. Nixon explica como foi a sua “jornada integrada”, que inclui projetos tais como ENRICH e ENQUIRE:

• Integração entre as publicações e os dados da agência de fomento do Sistema de Informação da Agência de Fomento à Pesquisa;
• Alimentação das páginas de perfis institucionais;
• Pilotagem dos resultados de pesquisa, impacto e dados de estima por meio do repositório;
• Redução de duplicatas – usuários e bibliotecários detestam duplicatas;
• Exploração de novas oportunidades, tais como: mineraçãode dados, “business intelligence”, analíticas, métricas, ranqueamento e visibilidade.

“Reutilização, reutilização, reutilização: quanto mais é usado maior é a valorização”, repete Nixon, “. O retorno da informações aos autores promove maior engajamento da academia.” Finalmente, ele sugere um mantra, em texto integral, 4R para Enlightenment de autoria de Morag Greig, o que resultaria em, bem, um texto mais completo, visto que, o repositorio Enlighten ainda contém apenas 10% dos artigos em texto integral: Relembre, Reacenda, Reassegure, Reiterem!

Em seguida, apresentou-se Heather Joseph, que falou sobre o papel do SPARC na defesa do OA. Esta organização, SPARC, foi apresentada não apenas como defensora do OA, mas como promotora de ações catalisadoras. Uma das quais, busca identificar pontos de pressão do mercado da comunicação científica/acadêmica para reduzir a pressão financeita sobre as bibliotecas. Isto envolve três programas:

1. Educar as partes interessadas a respeito de oportunidades para mudar o sistema de comunicação científica/acadêmica;
2. Incubar demonstrações de modelo de negócios de publicação científica promovam mudanças/avanços no sistema;
3. Promover políticas que criem um ambiente onde um sistema mais aberto de comunicação científica possa florescer

“A missão do SPARC é criar o OA como uma nova norma, e não como uma alternativa amigável, a opção da esquerda. Para fazer isto,” continua Heather Joseph, “nós entendemos que algumas regras do jogo devem ser modificadas e uma nova linguagem de comunicação científica precisa ser inventada.” Finalmente, o maior desafio de defender o OA é estar presente nos lugares onde as decisões são tomadas e SPARC está ganhando assento na mesa, está presente quando as discussões estão acontecendo, está posicionado em Washington DC, onde circulam 8 bilhões de dólares para publicações nas áreas médicas, científicas e tecnológicas, e que criam responsabilidade. “Influência próxima, mas obtendo primeiro lugar na mesa,” Joseph repete. “Nós não queremos um lugar na mesa apenas por que queremos estar lá. Nós queremos levar algo para a mesa. Bibliotecas e a comunidade OA precisam estar onde as políticas são criadas.

Encontrar uma maneira de convencer as pessoas não é fácil, mas a massa crítica pode reunir em torno de um advogado que possa explicar os quatro princípios de acesso do contribuinte:

1. Contribuintes norte-americanos têm direito de acesso aberto aos artigos científicos revisados por pares resultados de pesquisas financiadas pelo Governo dos EUA
2. Acesso distribuído à informação contida nestes artigos é um componente essencial e inseparável do investimento das nações em ciência;
3. Esta informação deve ser compartilhada de forma rentável, por meio da Internet, para estimular novas descobertas, inovação e promover a conversão deste conhecimento em benefícios públicos;
4. Maior acesso à informação promoverá o seu uso por parte de milhões de indivíduos, cientistas e profissionais, além de promover um retorno mais rápido dos investimentos pagos pelos contribuintes.

Heather Joseph não deixou de lado alguns resultados de tais ações, uma delas a política OA do National Institute of Health (NIH) que foi promulgada em lei dos EUA em abril de 2008 e agora conta com mais de 2.200.000 artigos em texto integral disponível no repostiório central PubMed Central, que conta com cerca de 500 mil usuários únicos por dia, com 99% artigos baixados pelo menos uma vez, 25% dos usuários são usuários de universidades, 40% são cidadãos e 17% são empresas. O restante são usuários provenientes do governo e outros. Uma tendência emergente é que o “open grant” faça discussões nacionais sobre esses temas que estão crescendo em freqüência.

Acredito Heather acrescentou um elemento essencial para a discussão quando ela percebeu que os esforços de defesa nacionais do OA são vagamente coordenados. Ela propôs estruturas e redes locais para facilitar um esforço explícito e sustentado para ajudar a coordenar, não apenas a nível nacional, mas a nível internacional para a defesa do OA. Desta forma,”poderíamos ser mais eficazes na comunidade”, conclui.

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julho 1, 2011 - Posted by | Evento | , , , , , , ,

1 Comentário »

  1. Boa, mais uma parte… é grande… mas interessante.

    Comentário por Branqueamento Dentário | julho 7, 2011 | Responder


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