Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Uma verdadeira aula sobre o acesso livre ou simplesmente OA

Não resistirei à tentação, farei uma pequena recensão da entrevista realizada pelo jornalista Richard Poynder com o reitor da Universidade de Liège (ULG), Prof. Bernard Rentier, por sinal muito bem executada. Trata-se de um bela visita aos fundamentos do Open Access (OA). Muito didático e entusiamante. A começar pela introdução Parte I e Parte II, nas quais é feita uma rápida introdução ao Open Access, discutindo a dificuldade de muitos em absorverem os fundamentos do OA, para em seguida descrever o perfil do reitor e mostrar quão rápido o Prof. Bernard Rentier conseguiu entender o OA, ainda que estivesse nos seus primórdios, o reitor percebeu que se tratava de uma solução inovadora para os problemas enfrentados em sua universidade, ainda como vice-reitor, responsável pela política de pesquisa e pelas bibliotecas da universidade.

A seguir o jornalista Richard Poynder inicia a entrevista propriamente dita, colocando questões iniciais ao reitor, de forma a fazê-lo se apresentar e mostrar como foi o começo de seus empreendimentos na ULG.

Em seguida, o jornalista indaga sobre o repositório e o mandato da ULG. Nesta parte, o reitor fala de sua motivação no desenvolvimento do ORBi e da adoção do mandato, jutificando a sua necessidade.

A seguir o Prof. Rentier fala dos incentivos necessários para que o ORBi realmente funcionasse como o depositário legal da produção científica da ULG. Ele mostra que os incentivos são estímulos naturais aos pesquisadores e, que a partir do momento em que estes experimentam o auto-depósito e, vêem os seus benefícios, as coisas tendem a se concretizar sem necessidade de qualquer castigo ou promessa. Os próprios pesquisadores entendem e são automaticamente convencidos dos benefícios proporcionados pelo auto-depósito e pelo repositório institucional.

A entrevista mostra que a construção e implantação de um repositório institucional, acrescido de um mandato é uma tarefa plenamente viável. Aliás, uma tarefa que exige baixíssimo investimento, mas infelizmente essa questão não foi abordada. Devo dizer que o investimento é praticamente zero, uma vez que os aplicativos para criação de um repositório institucional já existe e utiliza pacotes de software open source, portanto, software livre de custos. A tecnologia já é totalmente dominada e existem diversas metodologias prontas para serem utilizadas. Portanto, não existe qualquer complicação ou dificuldade. Entendo que esse empreendimento é dependente, especialmente, da boa vontade dos dirigentes universitários ou governamentais, em alguns países.

Um outro ponto importantíssimo abordado pelo jornalista com o entrevistado foi tentar desvendar qual era o argumento essencial para o OA. O Richard Poynder põe o dedo na ferida indagando ao reitor: existem cerca de 10 mil universidades ao redor do globo terrestre, por que somente a ULG e algumas outras poucas universidades perceberam a importância do OA para as suas comunidades acadêmicas? Eu iria mais longe, por que majoritariamente as universidades de países desenvolvidos aderiram ao OA, enquanto universidades de países em desenvolvimento, como o Brasil, raramente, tem aderido ou vem aderindo mais preguiçosamente? Uma excelente questão para discussão.

A entrevista entra, neste ponto, em um outro tema muito polêmico: Via Verde x Via Dourada. Conforme vem sendo discutido, internacionalmente, e indicam relatórios de estudos recentes, a Via Verde é a estratégia preferencial e que certamente levará à implantação universal do OA.

A entrevista mostra que Bernard Rentier não se contenta apenas em empreender a implantação da estratégia da Via Verde em sua universidade, ele é hoje o presidente da EOS – Enabling Open Scholarship, uma organização não governamental criada para convencer reitores e outro dirigentes a aderirem ao OA e empreender as estratégias do OA em suas universidades ou Países.

Finalmente, Richard Poynder conclui a entrevista com chave de ouro, comentando e mostrando algumas habilidades pessoais do reitor e Prof. Bernard Rentier, coloca a cereja no bolo, declarando: Não apenas uma mudança, mas uma revolução global.

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junho 22, 2011 - Posted by | Entrevista | , , , ,

6 Comentários »

  1. Caro Hélio
    Agradeço MUITO por todo a sua dedicação e esforço na tradução desta entrevista fascinante e muito valiosa. Vi Prof. Bernard Rentier falar por videoconferência no Encontro Luso-Brasileiro de Acesso Aberto no ano passado, em Minho, e ele realmente é uma pessoa que serve como inspiração, além de ser tão claro, convicto e objetivo! Estaremos citando ele bastante em nossas atividades de “OA advocacy” junto aos docentes e administradores, sem dúvida!

    Mais uma vez, obrigada!
    Chloe

    Comentário por Chloe Furnival | junho 22, 2011 | Resposta

    • Prezada Chloe,

      muito obrigado pelo seu simpático comentário. O blog é praticamente o unico mecanismo que tenho para defender o OA e a entrevista foi uma das melhores matérias que encontrei e, acredito que será de grande valia para aqueles que defendem o OA no Brasil.

      Um forte abraço
      Kura

      Comentário por Helio Kuramoto | junho 22, 2011 | Resposta

  2. […] Recentemente, o senador Rodrigo Rollemberg apresentou à Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática o projeto de lei 387/2011, cujo objetivo é desenvolver e implantar a estratégia da via Verde do Open Acceess. Trata-se de um dos mais modernos mandatos de acesso livre. Este projeto de lei torna obrigatório às universidades e instituições de pesquisa públicos a construção dos seus repositórios institucionais e aos seus pesquisadores o depósito de sua produção científica. Se este projeto for aprovado e tornar-se lei, o Brasil, pela primeira vez, na sua história terá estabelecido o registro e a disseminação sistemática de sua produção científica. Esta estratégia da via Verde do OA tem demonstrado, em todas as universidades que a adotaram, que as suas pesquisas ganham maior visibilidade, uso e impacto. Exemplos desses resultados foram comprovados pela Universidade do Minho, em Portual e pela Université de Liège na Bélgica. Os resultados obtidos na Université de Liège, foram comentados pelo seu reitor, prof. Bernard Rentier, em entrevista, por ele concedida, ao jornalista Richard Poynder que foi traduzida e publicada recentemente neste blog. […]

    Pingback por Acesso livre no Brasil: vamos fazer acontecer | Blog do Kuramoto | julho 11, 2011 | Resposta

  3. […] a satisfação de comprová-los, como o Prof. Bernard Rentier da Université de Liège conforme sua entrevista recente falando sobre o repositório institucional daquela universidade, o ORBi, e Eloi Rodrigues […]

    Pingback por Que ameaças o OA pode trazer aos portais de revistas científicas? | Blog do Kuramoto | julho 19, 2011 | Resposta

  4. […] e, assim, diversos países vêm implantando a estratégia preconizada pela via Verde. As suas universidades, institutos de pesquisa e agências de fomento vêm implantando políticas OA e repositórios […]

    Pingback por OA: Mitos e Verdades II | Blog do Kuramoto | agosto 12, 2011 | Resposta

  5. […] científicas e buscam alternativas para superar essas dificuldades, conforme pode ser percebido na entrevista do reitor Bernard Rentier da Université de […]

    Pingback por Acesso Livre: como alcançar o Acesso Livre Universal « Blog do Kuramoto | março 8, 2012 | Resposta


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