Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Argumento essencial para o OA – Parte VII – Entrevista concedida pelo reitor Bernard Rentier ao jornalista Richard Poynder

Richard Poynder

RP: Disseram-me que há cerca de 10.000 universidades/centros de pesquisa no mundo. De acordo com o sítio ROARMAP existem apenas cerca de 120 mandatos institucionais. O que a Universidade de Liège – e as outras instituições que estabeleceram seus mandatos – perceberam que a grande maioria das instituições de ensino superior e de pesquisa parecem ainda não terem percebido?

Bernard Rentier

BR: Francamente, eu não sei. Talvez a diferença resida no grau de preocupação
sentido pelo(s) dirigente(s) universitário(s) e sua habilidade, paciência e teimosia em persuadir seus autores a jogar o jogo. Então, talvez se possa dizer que a diferença está
na capacidade da instituição em fazer da filosofia OA um grande valor moral a que a maioria dos seus membros se sintam capazes para se inscrever. No início aqui na ULG a adesão foi baixa e a resistência foi muito forte. Qualquer pretexto era considerado bom o suficiente para não participar.
Mais recentemente, comecei a receber comentários positivos freqüentes sobre quão agradável e inesperadamente útil é a ferramenta repositório.

RP: Acho que isso nos diz que os dirigentes de universidade precisam ser persistentes na defesa do OA. Mas diga-me, quando você fala sobre o “grau de
preocupação” sentido por dirigentes universitários, que tipo de preocupação você está se referindo? Dito de outra forma, qual é o argumento essencial para o OA a partir da perspectiva do dirigente de uma universidade?
BR: Preocupação com o custo de periódicos acadêmicos/científicos; preocupação em ter um inventário da produção da universidade; e preocupação em ter uma vitrine do desempenho da pesquisa da universidade.

RP: Um número de agências de fomento à pesquisa também adotou mandatos OA aderrentes à Via Verde, e alguns criaram seus próprios repositórios centrais – por exemplo, PubMed Central. Você saúda estas iniciativas?
BR: Estabelecer seu próprio repositório é certamente uma coisa útil para uma agência de fomento. É absolutamente essencial para que eles possuam cópias de toda a literatura produzida a partir da pesquisa que financiaram. Mas esta será sempre uma coleção incompleta do corpus, uma vez que conterá somente os resultados da pesquisa que eles próprios financiaram. Apenas repositórios institucionais podem fornecer cobertura completa.

RP: Essencialmente, você está falando sobre a diferença entre tentar criar um sistema centralizado (quando não há nenhuma autoridade central), em vez de explorar a natureza em rede da Web para criar (1) um modelo distribuído com base na agregação ao invés de (2) centralização. Você está dizendo que o último (1)
inevitavelmente proporciona um retrato mais completo?
BR: Sim. E por esta razão repositórios das agências de fomento devem realmente
Ter um único objetivo, o de colher metadados a partir de repositórios institucionais. Para isso, é claro, seus repositórios terão de ser compatíveis com repositórios institucionais (RI), o que significa que RIs também precisam ser construídos com os padrões reconhecidos, e obedecer a certas regras.
Por exemplo, precisamos desenvolver padrões bem definidos para que as publicações depositadas, em RI, possam identificar qualquer agência de fomento que tenha dado apoio aos pesquisadores que as produziram.

RP: Os governos têm um papel a desempenhar para facilitar o OA? Em caso afirmativo, qual o papel?
BR: Se eles financiam pesquisas, sim. Da mesma forma, se eles operam esquemas de avaliação de pesquisa para ajudá-los a decidir que subsídios oferecer a instituições de pesquisa também têm um papel a desempenhar.

RP: Estou certo em pensar que você espera persuadir o Fundo Nacional de Pesquisa da Bélgica a considerar a adoção de um mandato OA verde?
BR: Absolutamente, sim. E eu gostaria de vê-lo diretamente conectado com a sua elegibilidade para concessões futuras.

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junho 17, 2011 - Posted by | Entrevista | , , , , , , ,

1 Comentário »

  1. […] ponto importantíssimo abordado pelo jornalista com o entrevistado foi tentar desvendar qual era o argumento essencial para o OA. O Richard Poynder põe o dedo na ferida indagando ao reitor: existem cerca de 10 mil universidades […]

    Pingback por Uma verdadeira aula sobre o acesso livre ou simplesmente OA | Blog do Kuramoto | junho 22, 2011 | Responder


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