Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Entrevista realizada por Richard Poynder (RP) com o reitor Bernard Rentier(BR)… Parte V – Incentivo

Richard Poynder

Segue a entrevista, na sua parte V, enfocando o tema INCENTIVO, muito interessante.

RP: Então, o mandato tornou obrigatório, à todos os pesquisadores da Universidade de Liège (ULG), o depósito de seu trabalho no ORBi?
BR: O mandato é na realidade um mandato “falso”. Nada acontece para aqueles que não depositam suas publicações no ORBi.

RP: Mas você fornece algum tipo de incentivo aos pesquisadores para cumprí-lo?
BR: O que acontece é que quando tomamos decisões sobre a promoção de um pesquisador, ou a concessão de uma subvenção, só levamos em consideração as publicações que o pesquisador depositou no ORBi. Todos os funcionários são informados de que as publicações apresentadas em qualquer outro meio (papel, disco, email, etc) não podem mais ser tratados em nosso novo sistema. Ou seja, apenas os documentos depositados são considerados para fins de avaliação de desempenho.

RP: Então, hoje, o ORBi é o único mecanismo, por intermédio do qual, os pesquisadores da ULG podem submeter os seus artigos para avaliação de desempenho?
BR: Correto. Isto significa que todos os pesquisadores estão ansiosos para ver o repositório alimentado, na medida em que o seu próprio trabalho está em causa, no mínimo. Mas não se trata apenas de uma questão dos pesquisadores se preocuparem com a possibilidade de serem subvalorizados ou desconsiderados publicamente. Como você diz, nós também fornecemos alguns incentivos fortes para estimular o cumprimento do mandato.

RP: Você poderia dizer algo mais sobre esses incentivos?
BR: O ORBi publica permanentemente estatísticas atualizadas de downloads – uma espécie de “hit parade”, se você prefere, – mostrando quais são os artigos que são mais baixados, e que autores são mais freqüentemente consultados. Nós também fornecemos links diretos para quaisquer citações induzidas por esses artigos.
O relatório, que é gerado automaticamente pelo ORBi, é apresentado de forma lógica, clara e em conformidade com os valores tradicionais de importantes áreas de pesquisa. Também pode ser usado para gerar uma lista de publicações para CV, podendo ser atualizado e impresso a qualquer momento em formato definido pelo autor.
Como resultado disto, temos sido capazes de demonstrar aos nossos autores que o sistema foi, realmente, projetado para o seu próprio benefício, e de maniera a aumentar a sua visibilidade e leitores.
Assim, há uma série de vantagens, óbvias, para os pesquisadores depositarem os seus artigos no ORBi: o repositório lhes proporciona um meio de divulgar seu trabalho, de graça, para todo o mundo e oferece-lhes um arquivo seguro e permanente (tanto para seu trabalho em curso como para a sua obra completa), e fornece um lugar onde eles podem postar seus dados de apoio inéditos, não publicados (e impublicáveis).
Ele fornece um ponto único de entrada, mas várias opções de saída, permitindo, os pesquisadores, gerar CVs, listas de publicações etc; e fornece uma ferramenta para avaliar a qualidade da sua pesquisa, e uma eficiente ferramenta de marketing pessoal.

RP: O mandato da ULG se aplica apenas aos artigos publicados em revistas, ou inclui livros, apresentações e outras formas de apresentação de resultados de uma pesquisa?
BR: O nosso mandato é composto de dois elementos:

1. As referências (metadados) de todas as publicações de todos os autores da ULG, publicados desde 2002, devem ser depositados no ORBi;
2. O texto completo de todos os artigos científicos publicados desde 2002 e todas as teses de doutorado devem ser depositados. Para os artigos mais velhos e para outros tipos de publicações (capítulos, livros, etc) é opcional (Na prática, os autores geralmente depositam mais texto completo do que o necessário!)

Dito isto, todas as categorias de publicação são bem-vindas, embora a classificação para fins de avaliação de desempenho seja extremamente rigoroso. Um resumo de conferência ou um livro popular, por exemplo, não pode ser incluído em uma lista de artigos, revisado por pares, em revista internacional.
Assim, muitos tipos diferentes de trabalho podem ser depositados, mas cada item é claramente reconhecido e rotulado para o que é.
Com certeza, a minha esperança é que muitos outros tipos de informações sejam armazenados no ORBI – incluindo dados brutos, resultados negativos, os resultados não publicados ou impublicáveis, etc. Na verdade, os dados brutos já podem ser depositado. É o que chamamos de “material adicional”, e pode ser carregado pelos autores com o acompanhamento de seu texto integral.
Mas o importante é rotular as coisas de forma adequada.

RP: Os dados de depósito que você forneceu sugerem que há cerca de 25.000 registros no ORBi que não incluem o texto completo? Isso é problemático?
BR: Esse número está correto. Cerca de 60% estão disponíveis em texto completo, e cerca de 50% desdes são OA disponíveis. Mas os itens não-texto completo podem ser resumos de conferências, ou podem ser obras que foram publicadas antes de 2002. Como eu disse, nosso mandato exige que qualquer pesquisa publicada depois de 2002 deve incluir o texto completo, mas artigos anteriores podem ser apenas resumos.

RP: Mandatos tendem a variar em suas exigências. Que mandato, na sua opinião, é o ideal?
BR: O meu!

RP: Por quê?
BR: Porque ele não impõe sanções a qualquer pessoa que escolhe ser refratário, ou resistir e não atender ao mandato. Claro, eles não podem esperar qualquer ajuda ou apoio da instituição, e eles se sentirão subestimados pelas autoridades, pelos seus colegas, por pesquisadores externos, e pelo público em geral. Essa é a única consequência em não depositar. Contudo, isto geralmente fornece o estímulo suficiente para incentivar todo mundo a cumprir o mandato.
O outro ponto a destacar é que o repositório é totalmente público, e ainda acessível diretamente através de um link a partir do diretório de pessoal. Ninguém quer que as pessoas pensem que eles não publicaram nada, ou que publicaram menos do que eles realmente escreveram, sozinhoa ou co-autoria.

RP: o estabelecimento de um mandato OA foi resultado de uma iniciativa pessoal sua?
BR: Sim, foi.

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junho 15, 2011 - Posted by | Entrevista | , , , , , ,

1 Comentário »

  1. […] seguir o Prof. Rentier fala dos incentivos necessários para que o ORBi realmente funcionasse como o depositário legal da produção […]

    Pingback por Uma verdadeira aula sobre o acesso livre ou simplesmente OA | Blog do Kuramoto | junho 22, 2011 | Responder


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