Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Por que muitas coisas não prosperam no Brasil?

Certamente, a minha indignação no último post foi forte. Essa indignação não é apenas com o fraco desempenho brasileiro no OA, é fruto de uma série de outras coisas que a gente vai ganhando consciência à medida que tem contato com a realidade em países desenvolvidos.

O título constitui uma dúvida minha e o que vou escrever não é uma resposta a esta dúvida, mas muito mais uma grande indignação com o estágio das coisas no Brasil, que exige uma grande reflexão dos nossos dirigentes e uma mudança radical.

O que direi aqui neste blog não tem nada a ver com o OA e por isso peço desculpas ao querido leitor. Mas, a minha indignação como cidadão brasileiro com relação a como as coisas são tratadas no Brasil é muito grande, assim como, com o tratamento que é dado ao cidadão em geral.

Ao longo desses primeiros seis meses que estou morando aqui nos EUA, tenho percebido uma série de coisas muito interessantes, por exemplo:

01) aqui o serviço público funciona;
02) apesar de as pessoas dizerem que o transporte público aqui em Tempe é deficiente, tenho perecebido que o transporte público oferece um serviço muito bom, talvez não tenha tantas linhas de ônibus, mas eles são pontuais e oferecem um serviço de alto nível, coisa inimaginável no Brasil;
03) aqui as pessoas portadoras de deficiência física têm uma vida normal como qualquer outro cidadão. Essas pessoas frequentam a biblioteca da universidade, vão a shoppings sozinhas, sem qualquer acompanhante. Os ônibus sao dotados de facilidades para essas pessoas e os motoristas são pacientes e os auxiliam;
04) a cidade oferece 4 ou 5 linhas de ônibus totalmente de graça à população, inclusive, com todo o aparato para as pessoas portadoras de deficiência física;
05) todos os ônibus são pontualíssimos, raramente, eles se atrasam. Eles permitem apenas 7 usuários em pé. Ou seja, nunca vi um ônibus superlotado aqui. Quando o motorista percebe que o limite de usuários em pé foi atingido, ele comunica a empresa para providenciar que um outro ônibus venha coletar os usuários que ficaram na parada de ônibus aguardando;
06) hoje comprei duas raquetes para jogar tênis, ao custo de 14 dólares cada. Isto explica porque os EUA sempre revelam grandes tenistas. Mas, isto não explica porque no Brasil a gente compra as mesmas raquetes por valores superiores a 100 reais nas feiras de importados e 200 reais ou mais em lojas do ramo;
07) semana passada, eu comprei uma carteira Tommy Hilfilger por 5 dólares, enquanto no Brasil, a mesma carteira não sai por menos de 100 reais;
08) um Iphone 32 GB aqui sai por 299 dólares, um Iphone 8 GB sai por 49 dólares, enquanto o Iphone 16 Gb sai por 199 dólares;
09) em geral os alimentos locais e regionais são baratos e os importados são naturalmente um pouco mais caros, mas não têm preços exorbitantes como no Brasil;
10) uma calça jeans tem um custo que varia de 2 a 90 dólares.
11) aqui os vôos são pontuais e os aeroportos funcionam e não são complicados, mesmo para pessoas que não falam inglês;
12) aliás, a pontualidade é geral, seja em reuniões ou eventos sociais;
13) aqui o imposto vem na nota ou cupom fiscal e é menos de 10%;
14) é freqüente ver uma bandeira dos EUA hasteada em casas comuns. Isto mostra o orgulho que o povo americano tem do seu país.

Tempe é uma cidade verdadeiramente inclusiva e respeita o cidadão. E o que é mais importante, não se vê propaganda dessa inclusão social. Outra coisa interessante, eu nunca vi aqui ninguém na TV com dólares na cueca ou em outras partes do vestuário como vi nos ultimos anos em que morei no Brasil. Como posso ter orgulho de um país como esse?

Mas, isto não significa que eu não ame o meu país. Isto renova as minhas forças na luta em prol do OA.

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maio 1, 2011 - Posted by | Sem categoria

1 Comentário »

  1. Caro Kura,
    Sua indignação com o mal feito no Brasil é legítima e , como toda manifestação de caráter pessoal, deve ser respeitada. Somos todos seres políticos e cada um opta por se posicionar publicamente (ou não) em função da sua disposição para a luta e das opções estratégicas que tem , no momento. E viva o direito à livre expressão do pensamento! Difícil mesmo é conseguir que esta indignação consiga ser “sentida” por nossos representantes nos âmbitos legislativo ou executivo e nas várias esferas públicas e, mais ainda, transformada em ação corretiva. Mas, isto é assunto de outra esfera. Em relação à luta pelo OA, penso que é necessária uma revisão das estratégias, a partir do diagnóstico da situação. Seria uma alternativa mais voltada para os apectos pedagógicos da discussão. Afinal, a comunidade científica “somos nós”, os pesquisadores que estão em funções executivas nas instituições universitárias, de pesquisa e agências do governo ou de fomento, são “nossos representantes” . Apesar de muitos, como você, estarem na luta por esclarecimentos sobre os princípios do OA há muito tempo, o fato concreto é que a grande maioria dos pesquisadores, inclusive da nossa própria área, desconhece tais princípios. E isto não é uma crítica a essas pessoas, mas penso que não damos conta de nossos afazeres no ensino e na pesquisa e ainda acompanhar tudo o que acontece à nossa volta e que nos atinge diretamente, mas que não percebemos de imediato. A idéia de começar a esclarecer sobre as diferenças entre os benefícios decorrentes de ações como o portal CAPES ou o próprio Scielo e os benefícios potenciais da adoção do OA é excelente, pois mostra a complementaridade de ações e, ao mesmo tempo, permite a contextualização de cada ação no tempo e espaço e melhor compreensão das possibilidades estratégicas das políticas de ICT. Assim, como no caso do projeto SPA/ANTARES, penso que a sua iniciativa em relação ao OA foi extremamente avançada para o tempo . Lembro que no passado os alemães, como hoje os americanos, reconheceram a excelência das suas propostas, mas a nossa comunidade não estava suficietemente esclarecida. Significa que você é um visionário e, como tal, terá que abrir caminhos, muitas vezes com facão e foice. Parabéns pela luta e apesar de parecer solitária, certamente há muitos que estão contigo. Não desista!

    Comentário por Asa Fujino | maio 1, 2011 | Responder


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