Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Acesso Livre e o Ciclo da Comunicação Científica

Voltando à questão das mudanças provocadas pela estratégia da via verde, que foi explicado em um post no dia 18 de abril de 2011. A via verde, basicamente, introduz a figura dos repositórios institucionais.

Bem, mais do que apenas ampliar o acesso à literatura científica, esta aparentemente ligeira alteração no sistema ou ciclo da comunicação científica provoca uma outra mudança no paradigma da comunicação científica.

Todos nós sabemos que no tradicional sistema da comunicação científica, a produção científica que era e é indexada se restringe às publicações constantes das listas dos principais serviços de indexação. Por esta razão, o Brasil teve um salto em 2008. Esses serviços de indexação resolveram aumentar o número de publicações a serem indexadas.

É preciso atentar para outro detalhe. Até há muito pouco tempo, os mecanismos de busca (Google, Google Scholar, Yahoo, BING etc) indexavam apenas a web superficial, ou seja, não indexavam os documentos que se encontravam em repositórios ou bancos de dados.

Com a introdução dos repositórios digitais OA, esses mecanismos de busca se modernizaram e passaram a indexar o que se convencionou chamar de web profunda. Em outras palavras, esses mecanismos de busca estão indexando também os repositórios OA. E a grande diferença em relação àqueles serviços de indexação da literatura científica é que os mecanismos de busca não têm uma lista de repositórios a serem indexados. Eles indexam toda a web profunda, pelo menos em teoria.

Isto significa que os países que não aderirem à via verde não terão a sua produção científica indexada. No caso brasileiro, o que se pode depreender é que as nossas autoridades estão recusando a indexação da nossa produção científica. Mas, porque recusando? Claro, se elas se calam diante do arquivamento do PL 1120/2007, se elas se calam quanto à discussão de uma política nacional de informação científica baseada nas estratégias do acesso livre, elas estão impedindo que a nossa produção científica seja indexada e, finalmente, impedindo maior visibilidade às pesquisas nacionais.

É por esta razão que sempre defendi a idéia de que as iniciativas do OA complementam os benefícios que o Portal de Periódicos da Capes traz à comunidade científica. O referido portal não pode incrementar a visibilidade das pesquisas brasileiras, mas tão somente promover o acesso àquilo que já está indexado. Enquanto as iniciativas do OA promoveriam a indexação da produção científica lá registrada. Portanto, ao contrário do que muitos pensavam e talvez ainda pensem, as iniciativas do OA não tinham e não tem como objetivo acabar com  o Portal de Periódicos da Capes. As iniciativas do OA são globais e somente os países que não aderirem ficarão à margem do desenvolvimento científico global.

No entanto, é preciso dizer, sempre há a possibilidade de recuperar o tempo perdido. É muito fácil. A Capes coordena todos os cursos ou programas de pós-graduação. Portanto, basta à Capes publicar uma portaria tornando obrigatório a todas universidades federais e institutos de pesquisa a construção de seus repositórios institucionais e estabelecer como obrigatório à todos os pesquisadores dessas universidades o auto-depósito, nesses repositórios, de seus artigos publicados em revistas com revisão por pares.  Uma sugestão à Capes seria inserir em seus critérios de avaliação dos programas, a existência dos repositórios e o volume da produção lá depositada. Estas duas sugestões já seriam parte da política nacional de informação científica.

Concluindo este momento, consultoria gratuita, o Portal da Capes poderia integrar todos os repositórios institucionais e promover a disseminação da produção científica nacional. Está aí uma excelente sugestão para o fortalecimento do Portal de Periódicos da Capes, que deixaria de ser apenas um mecanismo de promoção do acesso para ser também um mecanismo de promoção da visibilidade da produção científica brasileira e, claro, seria uma forma de o portal migrar gradativamente o seu papel.

Portanto, se no século passado os países do chamado terceiro mundo reclamavam dos serviços de indexação e lutavam para se manter à margem do desenvolvimento científico, hoje são as nossas próprias autoridades que impedem essa maior visibilidade da ciência desenvolvida em nosso País.

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abril 21, 2011 - Posted by | Sem categoria | , , ,

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