Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

A invisibilidade da pesquisa científica brasileira

As razões para o surgimento do movimento Open Access já são bem conhecidas, não há necessidade de repetí-las aqui neste espaço. Trata-se de um fenômeno global e tanto o Brasil quanto outros países em desenvolvimento enfrentaram e enfrentam as mesmas barreiras no acesso à informação científica, com a agravante de serem países com pouca disponibilidade de recursos para sutentar o acesso à totalidade dos 28 mil títulos de periódicos científicos (vide o Ulrich’s).

Mas, o problema que aflige os países em desenvolvimento não diz respeito apenas às barreiras quanto ao acesso à informação científica. Embora esses países tenham aumentado os seus investimentos em pesquisa científica, nos últimos anos, as suas revistas científicas lutam para permanecer à margem da comunidade científica internacional (Gibbs, 1995).

The invisibility to which mainstream science publishing condemns most Third World research thwarts the eÝorts of poor countries to strengthen their indigenous science journals. (artigo publicado por W. Wayt Gibbs no SCIENTIFIC AMERICAN August 1995, com o título: Lost Science in the Third World)

Nas últimas décadas pesquisadores brasileiros têm realizado grandes quantidades de pesquisas. No entanto, os resultados dessas pesquisas não chegam ao conhecimento dos potenciais leitores, ou não recebem a atenção que merece devido às falhas crescentes no sistema de comunicação científica. Além disso, os mais importantes serviços de indexação não cobrem suficientemente as revistas brasileiras (ou mesmo as revistas regionais, latinoamericanas). Apenas os resultados de pesquisas que são publicados nas melhores revistas ocidentais conseguem se beneficiar do maximo de visibilidade global (Swan, 2008).

Brazil’s researchers undertake a huge amount of scholarly and scientific research but that research does not get the readership and attention that it merits because of the faults that have grown up in the scholarly communication system, particularly in recent decades. Brazil’s academic output has suffered from low visibility and poor dissemination outside Latin America. Most Brazilian journals do not sell in large numbers to libraries outside South America. Moreover, the major abstracting/indexing services do not cover enough of Brazil’s (or regional South American) journals and so only Brazilian outputs that are published in the best ‘western’ journals enjoy the maximum visibility worldwide. For example, one of the longest-established Brazilian journals, Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, is not indexed at all by Web of Science and another, Cadernos de Saúde Pública, although now in volume 23 with almost 150 issues published, has only been indexed by Web of Science since 2007. This is no way to gain visibility and impact across the world. (artigo de Alma Swan publicado na revista LIINC com o título: Why Open Access for Brazil?)

No Brasil o problema do acesso à informação científica tem sido amenizado devido ao Portal de Periódicos da Capes, mantido pelo governo brasileiro, e que oferece o acesso à maioria dos periódicos científicos à grande maioria das universidades e institutos de pesquisa públicos brasileiros. No entanto, a falta de visibilidade dos resultados das pesquisas brasileiras permanece uma questão não resolvida.

Um outro fator importante, é a inexistência de uma ação sistemática de registro e disseminação da produção científica brasileira. Portanto, a falta de visibilidade não é apenas internacional, mas também nacional.

Qual a solução? De quem é a responsabilidade para a solução desta invisibilidade? Alguém ou algum órgão pode resolver essa questão? O Portal de Periódicos da Capes resolve a questão?

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março 19, 2011 - Posted by | Sem categoria | ,

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