Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Por que o País precisa de uma Política Nacional de Informação Científica

O momento atual apresenta um dos melhores exemplos da necessidade que temos de uma Política Nacional de Informação Científica. Volto a me referir ao Ranking Web of World Repositories.

Navegando neste sítio verifico que a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP encontra-se em 14. lugar, o repositório Lume da UFRGS em 62.lugar, o repositório da UnB em 132. lugar, o repositório da PUC-RJ em 188. lugar, o repositório de monografias de graduação e especialização da UnB aparece em 373. lugar e a Biblioteca Digital da Unicamp encontra-sem em 594. lugar e mais algumas poucas bibliotecas digitais mas não a totalidade dos repositórios que sabemos existir no País. Só bibliotecas digitais de teses e dissertações existem pelo menos 90, dado que no sítio da BDTD existem mais de 90 repositórios digitais de teses e dissertações cadastrados e coletados.

Em contrapartida, as universidades melhor classificadas no Ranking Web of World Universities, são, pela ordem, a USP ocupando a 51. posição, a Unicamp ocupando a posição 161, a UFRGS em 166. lugar, a UFRJ em 209. lugar, a UNESP em 238. lugar, a UFSC em 240. lugar e a UFMG em 292. lugar, a UnB em 328. lugar e a PUC-RJ em 361. lugar.

Os números e a ordem não refletem o quanto a existência de repositórios institucionais contribui para o posicionamento das universidades. Não se pode afirmar nada, pois, assim como aconteceu com a BDTD do IBICT, não sei o estágio que se encontra os repositórios de cada uma das universidades citadas.

O fato importante, apesar do meu desconhecimento sobre os repositórios de cada uma dessas universidades, é que a produção científica destas tem um peso muito grande, principalmente, se esta está indexada no Google Search Engine e no Google Scholar. A existência dos repositórios institucionais pode contribuir para uma presença maior desta produção no Google Scholar e no Google Search Engine.

Em outras palavras, isto significa dizer que se existisse uma Política Nacional de Informação as instituições brasileiras teria uma visibilidade maior ou seja, estariam classificadas em posições de maior destaque. Esta política poderia disciplinar: 1) a construção de repositórios institucionais e centrais no País, 2) a elaboração de mecanismos de avaliação dos pesquisadores baseada em indicadores gerados por repositórios institucionais; 3) a obrigatoriedade de depósito por parte dos pesquisadores e professores de sua produção científica nos respectivos repositórios; 4) mecanismos de avaliação, controle e planejamento dos investimentos em pesquisas científicas a partir de indicadores gerados a partir desses repositórios, 5) o registro e acompanhamento de repositórios em sítios de diretórios de repositórios como o ROAR e OpenDOAR; 6) a distribuição de recursos para pesquisas mediante o posicionamento das universidades brasileiras em rankings como os citados neste post; 7) a obrigatoriedade de os repositórios brasileiros serem indexados em mecanismos de busca como o Google SE, Yahoo Se e o Google Scholar, entre outros.

Destas, constam no ranking de repositórios, os repositórios da USP em 14. lugar, o repositório Lume da UFRGS em 62.lugar, o repositório da UnB em 132. lugar, o repositório da PUC-RJ em 188. lugar, o repositório de monografias de graduação e especialização da UnB aparece em 373. lugar. Independentemente de qualquer coisa, as universidades brasileiras melhor classificadas no ranking web global de univesidades mostram algumas universidades brasileiras com os seus respectivos repositórios. Ou seja, na medida em que as universidades brasileiras construam os seus repositórios e depositem a sua produção científica, elas tenderão a ganhar maior visibilidade. Acredito que isto seja um estímulo a mais e vem no bojo das estratégias do Open Access. Mas, é bom deixar o alerta de que não basta construir repositórios, é preciso registrá-lo no OpenDOAR e garantir indexação de seu conteúdo pelo Google.

É preciso entender que existe, no Globo, iniciativas de desenvolvimento e implantação de uma infraestrutura para suportar as iniciativas de Open Access e Open Data. Cada vez mais, surgirão mecanismos de avaliação e controle que poderão ser utilizados por nossas instituições. Não se pode desconhecer que com as iniciativas de OA diversos pacotes de software open source surgiram, padrões e mecanismos de interoperabilidade, assim como, mandatos e políticas ou seja todo um arsenal de instrumentos para melhorar a visibilidade dos resultados das pesquisas e que, servem, também à uma gestão mais transparente e que proporcona maior governança na gestão dos investimentos em pesquisa científica. Portanto, a discussão e estabelecimento de uma Política Nacional de Informação Científica deixa de ser uma simples oportunidade.

Desta forma, o relatório produzido pela reunião promovida no último dia 20 de Janeiro e que foi convocada pela Comissão Nacional da Holanda para a Unesco, indica que a Unesco foi solicitada a definir ou articular políticas públicas em países em desenvolvimento em apoio à implantação das iniciativas de OA.

Isto indica que se o País não tiver a iniciativa de construir e estabelecer a sua Política Nacional de Informação Científica, por sua conta, em futuro próximo, o País será instado a definí-la ou aceitar algo proveniente de organismos internacionais.

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março 17, 2011 - Posted by | Sem categoria | , ,

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