Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Por que Open Access?

Desde o início do movimento do acesso livre, ou open access, o meu entendimento era e continua sendo o de que as estratégias definidas por este movimento são excelentes subsídios para a discussão e desenho de uma política nacional de informação científica.

Tais estratégias propuseram as seguintes iniciativas: 1) a implementação de publicações científicas periódicos de acesso livre; 2) o desenvolvimento de repositórios digitais de acesso livre. Para que estas iniciativas fossem implementadas outras iniciativas se faziam necessárias.

No caso das revistas científicas, para que estas se tornassem acessíveis livremente, era necessário o desenvolvimento de modelos de negócios que dessem sustentabilidade às revistas. E, diversos modelos foram desenvolvidos. Um dos modelos que se destacou foi o modelo denominado “autor-paga”. Este modelo se assemelha ao adotado pelas reds de rádio e televisão, as quais arcam com os custos para que os ouvintes e telespectadores possam assistir à sua programação gratuitamente. No caso das revistas científicas, os autores dos papers pagam para que os seus artigos sejam publicados e acessíveis livremente. Algumas grandes editoras adotaram este modelo, como a Royal Society e a Nature Publishing Group (NG). Não podemos esquecer a Public Library of Science (PLOS). São editoras que publicam revistas Open Access e de alta qualidade.

A adoção desta estratégia poderia ser benéfica à industria editorial científica brasileira caso as agências de fomento recomendassem às revistas que elas financiam a busca pela sua autosustentabilidade com base nos modelos de negócios do OA.

No caso dos repositórios, para garantir a sua alimentação é necessário que as universidades e agências de fomento, administradores desses repositórios estabeleçam mandatos tornando obrigatório o depósito de artigos por parte dos pesquisadores nesses repositórios. Tais mandatos inspiram o estabelecimento de diversas iniciativas, tanto em nível das universidades, quanto em nível das agências de fomento para garantir a alimentação desses repositórios.

Além disso, é importante perceber que esses repositórios poderão gerar inúmeros indicadores capazes de descrever a produção científica de uma instituição e seus finaciadores. Esses repositórios integrados, em nível nacional, poderão gerar indicadores similares em nível nacional, os quais serviriam à avaliação, controle e planejamento dos investimentos em pesquisas científicas de uma nação.

Uma outra percepção importante é o fato de os repositórios promoverem maior visibilidade dos resultados de pesquisas neles depositados. Ampliando a visibilidade, ampliará o uso e impacto desses resultados.

Outro aspecto interessante é a possibilidade de as agências de fomento e universidades criarem mecanismos capazes de aperfeiçoarem a avaliação dos pesquisadores, mediante o uso dos indicadores gerados a partir desses repositórios. Usualmente, os pacotes de software gerenciadores desses repositórios permitem gerar estatísticas de uso dos documentos neles armazenados. Estas estatísticas poderão contribuir na avaliação da qualidade dos documentos produzidos por seus autores e tais informações poderão, certamente, serem utilizados no processo de avaliação dos pesquisadores, podendo estimulá-los a fazer os depósitos de seus papers. Um outro exemplo que pode ajudar a garantir os depósitos de papers por parte dos pesquisadores é agregar à contagem de pontos da avaliação dos pesquisadores, a um número indicando a quantidade de papers originais depositados nos repositórios, por cada pesquisador.

Além dos exemplos citados, outros mecanismos poderão ser criados mediante o uso dos repositórios e a compilação de todas essas idéias contribuem para a elaboração de uma verdadeira política nacional de informação científica. Evidentemente, que para isto, um estudo mais elaborado é exigido.

Mas, o fato é que com tal política o estado poderá ter uma administração mais transparente e maior governança nos seus investimentos em ciência.

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março 14, 2011 - Posted by | Sem categoria | ,

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