Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Resultados apresentados pelo projeto SOAP

Em recente matéria publicada no jornal SCIENCE, volume 331, de 21 de janeiro de 2011, pela jornalista Gretchen Vogel, cujo acesso é restrito, mostram alguns resultados alcançados pelo levantamento realizado pelo projeto SOAPStudy of Open Access Publishing. Aqueles que se encontram, no Brasil, em uma universidade ou instituto de pesquisa que mantenha convênio com o Portal de Periódicos da Capes, conseguem ter acesso a referida matéria. Tal matéria é intitulada “Open Access Gains Support; Fees and Journal Quality Deter Submissions“.

Esta jornalista comenta alguns resultados divulgados pelo projeto SOAP – Study of Open Access Publishing, projeto financiado pela Comunidade Européia, o qual fez um levantamento com uma amostra de 50 mil pesquisadores de diferentes países. Gretchen inicia a sua matéria dizendo que os cientístias gostam do OA na qualidade de leitores, mas, eles são menos entusiáticos quando submetem os seus trabalhos em uma revista OA. Este estudo apontou uma esmagadora maioria de apoio ao conceito do acesso livre, também chamado de Open Access, 89% dos pesquisadores indicaram que o acesso livre é benéfico em suas áreas de atuação. Mas, esse apoio não foi traduzido em ação. Embora, 53% dos respondentes indicassem que eles publicam pelo menos um artigo em acesso livre, apenas 10% dos artigos são acessíves livremente.

Outros grandes editores científicos já anunciaram novas publicações de acesso livre nos últimos seis meses, observa Mark Patterson, diretor de publicação na Public Library of Science (PLoS). Todos utilizam o modelo do PLoS ONE, editora da maior revista (e principal geradora de receitas). A revista publica artigos após revisão por pares, na qual os especialistas avaliam o rigor científico.

O estudo mostra também que as revistas de acesso livre estão proliferando, especialmente entre os pequenos editores. Um terço dos artigos publicados em revistas de acesso livre foram publicados por mais de 1600 editores de revistas de acesso livre que publica apenas uma revista. Segundo, Caroline Sutton da Open Access Scholarly Publishers Association in The Hague: “algumas poucas revistas de acesso livre estão sendo lançadas anualmente. É mais difícil lançar uma nova revista com base em assinaturas, mas uma revista de acesso livre com base no modelo autor-paga é escalável, uma vez que vc recebe mais submissões e publicam mais artigos , você obtém mais taxas”.

Grandes editores estão também em recuperação. O estudo identificou 14 que pretendem publicar mais de 50 revistas ou o equivalente a mais de mil artigos por ano, representando cerca de um terço das publicações em acesos livre.

O estudo divulgado no início deste ano, em um simpósio em Berlim, Alemanha, indicaram duas principais razões para este cenário: 1) Quase 40% dos pesquisadores apontaram a falta de apoio para o pagamento das taxas de publicação exigidas pelas revistas que adotam o modelo “autor-paga” para fornecer o acesso livre aos seus artigos; 2) 30% dos pesquisadores citaram a falta de alta qualidade das revistas de acesso livre.

Um outro dado importante é que os cientistas disseram que consideram “alto fator de impacto e a qualidade das revistas são mais importantes” e não o fato de as revistas serem ou não de livre acesso, na hora de decidir em qual revista submeter os seus trabalhos.

Os resultados apresentados indicam que o OA é um conjunto de iniciativas que estão em fase de consolidação e, portanto, são irreversíveis, vieram para ficar. Por esta razão, venho, pessoalmente, insistindo para que o governo brasileiro adote as suas estratégias e, além de compartilhar o conhecimento gerado no País, possa buscar o compartilhamento de outros conhecimentos gerados fora do País. As informações aqui disponibilizadas indicam também que temos em nossas mãos a grande oportunidade de consolidar o nosso espaço editorial científico. Nesse contexto, o Ministério da Ciência e Tecnologia – MCT, assim como, a nossa principal agência de fomento, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológicos – CNPq, tem um grande papel a desempenhar, tanto na questão de implantar o acesso livre no País, quanto na questão de consolidar as nossas revistas científicas. Com o propósito de estimular tais instituições a tomarem medidas nessa área, encaminhei-lhes documentos mostrando a essência das estratégias do OA e propostas de ações.

Tentarei, na medida do possível, colocar os vídeos do evento realizadoem Berlim, Alemanha.

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fevereiro 13, 2011 - Posted by | Sem categoria | , ,

3 Comentários »

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Pascal Aventurier, Helio. Helio said: Resultados apresentados pelo projeto SOAP http://wp.me/p6869-k9 […]

    Pingback por Tweets that mention Resultados apresentados pelo projeto SOAP | Blog do Kuramoto -- Topsy.com | fevereiro 13, 2011 | Resposta

  2. Parabéns Dr. Kuramoto pelo post “Resultados apresentados pelo projeto SOAP”, o tema é, além de interessante e atual, muito instigante. A forma como o senhor concatenou as ideias dentro do texto tornou clara a compreensão do tema.

    Atenciosamente,
    Giovanna Guedes

    Comentário por Giovanna Guedes | fevereiro 14, 2011 | Resposta

    • Prezada Giovanna,

      obrigado pelos seus comentários. Fico contente em receber o seu comentário. Isto mostra que aos poucos os colegas estão absorvendo o conceito do acesso livre e, com certeza, se tornará um defensor do Open Access.

      Um abraço.
      Helio Kuramoto

      Comentário por kuramoto | fevereiro 14, 2011 | Resposta


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