Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

O acesso livre: avanços ou paralisia ? (VIII) Parte final

Mais alguns medos/pânicos ou simplesmente razões para impedir a implantação do livre acesso aos cerca de 2,5 milhões de artigos publicados anualmente em cerca de 25 mil títulos de periódicos científicos.

12. Pricing : Por que eu deveria auto-arquivar em repositórios de acesso livre? Tudo o que precisamos é maior acessibilidade às revistas científicas!

O que é necessário para maximizar o impacto da pesquisa é maximizar o seu acesso aos potenciais usuários. Tornando as revistas mais acessíveis (por exemplo: diminuindo o seu custo de acesso) aumenta o acesso mas isto não conseguirá maximizá-lo; mesmo se todos os cerca de 25 mil periodicos científicos existente no globo terrestre fossem vendidos sem custos (lucro zero), e seus custos fosse minimizados, muitas instituições ainda não poderiam ter acesso a todas elas ou à maioria delas. Portanto, os artigos e seus autores continuariam a perder seus usuários potenciais e os impactos a suas pesquisas. A barreira representada pelo custo é também barreira ao acesso e ao impacto.

13. Pretty-Sitting: Por que eu devo auto-arquivar em repositório de acesso livre? Eu já tenho acesso a tudo o que preciso!

Os chapéus de autor e usuário estão misturados neste contexto: Os autores auto-arquivam seus trabalhos para obter maior impacto e não para obter maior acesso: eles já possuem acesso a seus próprios trabalhos! Mesmo se um autor está em boa situação – por exemplo: se sua instituição (do autor) pensa que é capaz de oferecer acesso a todas as revistas que ele, como usuário, sente que quer e necessita – Há ainda o problema de usuários de outras instituições menos dotadas de recursos para oferecerem a eles, acesso a revistas científicas. Estes usuários desejam acessar e muito provavelmente usar e fazer citações aos artigos acessados.

14. Papyrophilial/Print/PDF : Por que eu devo auto-arquivar em repositório de acesso livre? It’s ptin-on-aper we need!

A revsita impressa é boa para aqueles que tem o seu acesso. Para o resto, o uso em linha, ou a sua cópia impressa é suficiente. Para surfar e navegar, o acesso em linha é melhor do que em papel. Para os famintos por acesso, apenas Marie Antoinette aconselharia: deixe-os ler em papel. A reação em cadeia existe também para autores, os famintos por impacto.

15. Publishing’s Future: Por que eu deveria auto-arquivar em repositórios de acesso livre? Revistas OA são o que precisamos!

Esperar passivamente pela implantação da estratégia Gold OA, ao invés de ir em frente e alcançar a implantação da estratégia Green OA não é apenas uma atitude de desespero, mas isto lança dúvidas sobre o suposto desejo e necessidade da comunidade científica: Se nós queremos muito, por que nós ainda não proporcionamos isto par nós? Se OA é tão importante, como nós podemos nos dar ao luxo de sentar e esperar pela conversão, uma por uma, do restante das 23 mil revistas científicas em acesso livre? E, por que as revistas científicas deveriam se converter para acesso livre, sob sacrifício e riscos ao fluxo de suas receitas, se os autores, clamando por acesso livre, não podem ser incomodados com alguma óbvia, auto-ajuda livre de riscos, afim de dar e obtê-lo?

Evidentemente, o auto-arqivamento não está livre de riscos: é isto que proporciona a Paralisia de Zeno! Mas, as 93% das revistas restantes que permitem o desenvolvimento da estratégia Green OA já deram o primeiro passo na eliminação da percepção de risco de 93% dos autores, permitindo o auto-arquivamento de seus artigos. Então esperando passivamente pela implantação da estratégia Gold OA, em particular, parece particularmente paradoxal (e eu suspeito que seja mais frequentente orientado pela teoria da reforma da publicação científica que orientado por necessidade de impacto dos resultados de pesquisa).

16. Publishers’s Future: Por que eu devo auto-archivar em repositório institucional? Isto vai colocar o meu editor fora do negócio!

Todas as evidências, ate o momento, indicam que as revistas, com modelo de negócio baseadas em assinaturas, e o auto-arquivamento por parte do autor podem conviver pacíficamente. O auto-arquivamento maximiza o impacto dos resultados de pesquisas para o benefício, tanto do pesquisador quanto da revista científica. Os dois maiores editores na área de física (área em que o auto-arquivamento tem sido praticado há 15 anos, com alugmas subáreas tendo atingido os 100% no último anos) relata que não foi detectado nenhum declínio nas assinaturas em função do auto-arquivamento nos últimos anos (Swan & Brown 2005 http://eprints.ecs.soton.ac.uk/10999/http://eprints.ecs.soton.ac.uk/10999/).

Mas, segundo Harnad, 100% de auto-arquivamento jamais provocaria queda nas assinaturas das revistas que utilizam o modelo de negócio baseado em assinaturas. E, por conseguinte, os seus respectivos editores jamais sairiam do negócio em função do auto-arquivamento. Se isto acontecesse, essas revistas seriam guindadas à adoção do modelo de negócios das publicações OA (Harnad 2003 http://eprints.ecs.soton.ac.uk/8705/). A economia gerada, se cada instituição cancelasse as suas assinaturas de revistas científicas, representaria uma poupança extraordinária, e mais do que suficiente para cobrir os custos anuais para a manter a publicação OA e, consequentemente tornar os artigos OA.

Tudo isto constitui especulação (no mesmo estilo Zeno), entretanto, todas as evidências, até o presente momento, indicam que o auto-arquivamento em repositórios de acesso livre tem provocado efeitos altamente positivos no acesso aos resultados de pesquisa e no seu impacto e nenhum efeito nas assinaturas de revistas científicas.

17. Professional Societies’ Future: Como eu posso auto-arquivar em repositório de acesso livre? Isto arruinará a minha sociedade ou associação científica!

A resposta a esta questão é a mesma para os editores em geral, exceto que os editores comerciais estão presumivelmente no negócio apenas pelas receitas, enquanto que os editores de sociedades e associações científicas estão agindo supostamente no interesse de seus membros, isto é, a comunidade científica de sua área de atuação. Na medida em que as sociedades e associações científicas financiam atividades (reuniões, eventos, bolsas etc) além de suas receitas de publicação, uma forma esclarecedora de colocar a questão aos seus pesquisadores-membros é saber se – se os dois já estiveram em conflito – eles estariam dispostos e conscientes em optar por continuar subsidiando as atividades científicas de sua sociedade ou associação científica com seus próprios impactos perdidos? A resposta, é muito provável que a sociedade ou associação científica deve encontrar outras formas de eles proprios fomentá-las.

Mas, isto também é especulação, como todas as evidências, até a presente data, mostram que o auto-arquivamento tem efeitos altamente positivos no acesso aos resultados de pesquisa e seus impactos e não interferem no volume das assinaturas de revistas científicas comerciais.

18. Professional Future of Librarians: Como eu posso auto-arquivas em repositório de acesso livre? Isto vais acabar com o emprego dos bibliotecários!

A comunidade de bibliotecários também encontraram muito o que fazer no mundo digital, incluindo na subárea do OA. Assim como, com os editores e associações e sociedades científicas, o status quo não pode ser sustentado e subsidiado pela perda desnecessária de acesso aos resultados de pesquisa e impacto.
19. Priorities/Perspiration: Como eu posso auto-arquivas em repositório de acesso livre? É tão complicado consome tempo e eu já tenho mais o que fazer que eu possa administrar!

Isto se aproxima do paradoxo original de Zeno, no que diz respeito ao fato de seus seguidores acharem uma perda de tempo para atravessar uma sala. O antídoto para esse paradoxo é não ficar sentado à espera de outras solucões e descruzar as dedos e deixá-los se ocupar do processo de auto-arquivamento (Carr & Harnad 2005 – http://eprints.ecs.soton.ac.uk/10688/). Mas para o maior problema de atribuição ao auto-arquivamento considerando a própria gestão hierárquica do tempo dos pesquisadores, 95% dos pesquisadores no mundo, segundo levantamentos, indicaram que se as instituições e/ou suas agências de fomento estabelecessem mandatos obrigando ao auto-arquivamento, eles o cumpririam (veja: http://eprints.ecs.soton.ac.uk/10999/).

Harnad conclui o seu artigo dizendo que é hora de se colocar em prática uma profilaxia contra a Paralisia de Zeno e menciona que os Conselhos de Pesquisa do Reino Unido (http://www.rcuk.ac.uk/access/index.asp) propuseram mandato tornando obrigatório o auto-arquivamento, e que cinco instituições (Universidade do Minho, Southampton University, Zurich University, Queensland University of Technology e CERN) já estabeleceram os seus mandatos e contribuem para atingir os 100% OA, exatamente como o Swan & Brown (http://www.eprints.org/openaccess/policysignup/ haviam previsto.

Uma vez que o resto do planeta segue este modelo, o resultado ideal e inevitável para a pesquisa, para o pesquisador, para as agências de fomento e suas instituições hierarquicamente superioraas – que são mantidas com os impostos pagos pela sociedade – estará sobre nós

Este post encerra a série de posts traduzindo e comentando o artigo de Harnad Opening Access by Overcoming Zeno’s Paralysis. Trata-se de um artigo muito interessante e ao mesmo tempo com uma linguagem de difícil compreensão. Portanto, convido os meus caros leitores a indicar-me, por gentileza, eventuais falhas ou incoerências nos textos apresentados. Isto é importante para que possamos dar melhor compreensão aos fatos e argumentos aqui apresentados e, eventualmente precisamos melhor discuté-los para melhor compreendê-los. Conto com a compreensão de todos.

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novembro 30, 2010 - Posted by | Sem categoria | , ,

4 Comentários »

  1. Olá Prof, venho aqui indicar meu site http://www.icursosonline.com e dizer que estou a procura de parcerias de troca de links, gostei demais do seu blog e caso tenha interesse em fazer essa parceria e ajudar a divulgar esse nosso trabalho, avise-me por favor, e seu blog já está na lista de favoritos, parabéns pelo blog.

    abraços

    Comentário por Adriano | novembro 30, 2010 | Responder

  2. Muitos agradecimentos são devidos a Helio Kuromato para traduzir o meu texto. Eu posso responder se há perguntas. As perguntas podem ser feitas em Português, mas eu vou ter que responder em Inglês. (O meu controle do Português é apenas uma ilusão googlian.) Abaixo estão alguns artigos recentes e relevantes sobre o mesmo assunto.

    Gargouri, Y., Hajjem, C., Lariviere, V., Gingras, Y., Brody, T., Carr, L. and Harnad, S. (2010)  Self-Selected or Mandated, Open Access Increases Citation Impact for Higher Quality Research. PLOS ONE 5(10) e13636

    Harnad, S. (1990) Scholarly Skywriting and the Prepublication Continuum of Scientific Inquiry Psychological Science 1: 342 – 343

    Harnad, S. (1995) Universal FTP Archives for Esoteric Science and Scholarship: A Subversive Proposal. In: Ann Okerson & James O’Donnell (Eds.) Scholarly Journals at the Crossroads; A Subversive Proposal for Electronic Publishing. Washington, DC., Association of Research Libraries, June 1995.

    Harnad, S. (2001) The Self-Archiving Initiative. Nature 410: 1024-1025

    Harnad, S., Brody, T., Vallieres, F., Carr, L., Hitchcock, S., Gingras, Y, Oppenheim, C., Stamerjohanns, H., & Hilf, E. (2004) The Green and Gold Roads to Open Access. Nature Web Focus.

    Harnad, S. (2007) The Green Road to Open Access: A Leveraged Transition. In: Anna Gacs. The Culture of Periodicals from the Perspective of the Electronic Age. L’Harmattan. 99-106.

    Harnad, S. (2008) Waking OA’s “Slumbering Giant”: The University’s Mandate To Mandate Open Access. New Review of Information Networking 14(1): 51 – 68

    Harnad, S. (2009)  Open Access Scientometrics and the UK Research Assessment ExerciseScientometrics 79 (1) 

    Harnad, S. (2009) The PostGutenberg Open Access Journal. In: Cope, B. & Phillips, A (Eds.) The Future of the Academic Journal. Chandos

    Harnad, S. (2010) No-Fault Peer Review Charges: The Price of Selectivity Need Not Be Access Denied or Delayed. D-Lib Magazine 16 (7/8)

    Harnad, S. (2010) The Immediate Practical Implication of the Houghton Report: Provide Green Open Access Now. Prometheus 28: 55-59

    Sale, A., Couture, M., Rodrigues, E., Carr, L. and Harnad, S. (2010) Open Access Mandates and the “Fair Dealing” Button. In: Dynamic Fair Dealing: Creating Canadian Culture Online (Rosemary J. Coombe & Darren Wershler, Eds)

    Comentário por Stevan Harnad | dezembro 2, 2010 | Responder

    • Dear Stevan,

      thank you for your comments and also for the suggestion of papers to be updated about Open Access. I appreciate it and, mainly your paper. What about the translation? If you have any doubt or suggestion to improve it, please, feel free to do it. As you know my level of english is near what you said about your portuguese skills.

      Best regards.
      Helio Kuramoto

      Comentário por kuramoto | dezembro 2, 2010 | Responder

  3. […] Esta semana, tivemos uma visita muito especial ao nosso blog, Stevan Harnad que deixou um comentário indicando alguns artigos considerados importantes sobre Open Access, aproveito esse momento para divulgar a lista de papers que ele deixou no comentário, sempre muito útil para ficar atualizado sobre o assunto. Portanto, não deixem de consultar ou incluir a bibliografia abaixo em seus favoritos a respeito do Open Access. No seu comentário ele se colocou à disposição para responder a eventuais dúvidas que os leitores deste blog poderiam ter, os quais poderão fazer o seu questionamento em português, mas ele faria a resposta em inglês. Esse comentário poderá ser lido na sua íntegra no post anterior deste blog. […]

    Pingback por Open Access: uma leitura mais atualizada | Blog do Kuramoto | dezembro 2, 2010 | Responder


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