Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

O acesso livre: avanços ou paralisia ? (VII)

Seguem mais algumas questões identificadas por Harnad como razões para a demora da implantação do Open Access a 100% dos cerca de 2,5 milhões de artigos publicados anualmente em cerca de 25 mil periódicos científicos:

8. Privacy/Patents: Como eu posso auto-arquivar em repositórios de acesso livre? Minhas idéias poderiam ser roubadas!

Novamente, o único meio de se proteger as idéias de serem roubadas émantê-las guardadas, secretas, sem publicá-las ou tornando-as públicas. Mas, o acesso livre refere-se às descobertas científicas, publicadas para serem aplicadas e utilizadas, não para serem secretas ou mantidas guardadas para serem patenteadas e vendidas.

Aliás, é bom registrar que esta questão ou receio existe por parte de muitas autoridades brasileiras, tive oportunidade de ouvir, certa vez, em uma reunião em uma das unidades depesquisa do MCT, de seu(ua) diretor(a), a afirmação de que se implantássemos o acesso livre no Brasil, estaríamos entregando os nossos resultados de pesquisa ao estrangeiro. Ora, o que se recomenda na estratégia verde do acesso livre (OA) é que se auto-arquive uma cópia dos trabalhos publicados em revistas com revisão por pares, portanto, são trabalhos que já se tornaram públicos, ainda que para um restrito público: aqueles que têm condições de ter acesso à revista que publicou tal trabalho. Este fato mostra algumas autoridades carecem de maior entendimento sobre OA. Ainda que as estratégias e iniciativas de OA tenham sido expostas e discutidas exaustivamente em palestras, reuniões, artigos e publicações periódicas da comunidade científica como o Jornal da Ciência este tipo de dúvida ou desinformação ainda persiste em parte dos diversos segmentos da comunidade científica brasileira.

9. Paranoia: Por que eu deveria auto-arquivar em um repositório de acesso livre? A minha instituição deveria se apropriar ou controlar o meu trabalho!

Harnad argumenta dizendo que a instituição, assim como seus pesquisadores tem mais a ganhar com a maximização do impacto da sua produção científca por intermédio da maximização do seu acesso do que obter lucros com o seu acesso. Mas, em todo o caso, os autores mantêm a sua autoria intelectual, os editores e revisores controlam a qualidade dos artigos e os repositórios institucionais meramente fornece o acesso suplementar para maximizar o impacto dos artigos. Não há necessidade, a propósito, como pré-condição, para proceder o auto-arquivamento, que os autores mantenham a propriedade intelectual ou a tranfira para suas instituições, ou que adotem a licença Creative Commons(http://creativecommons.org/). Contudo, em qualquer dos casos, especialmente no que se refere a licença Creative Commons, ela é bem-vinda e desejável. Seria um grande erro condicionar o auto-arquivamento a uma renegociação com os editores.

10. Proliferation : Como eu posso auto-arquivar em repositório de acesso livre? Os usuários não saberão a versão autêntica!

A versão definitiva de um artigo publicado é a versão do editor da revista onde o artigo foi publicado, que é acessível a todos que podem pagar por seu acesso, aliás, como sempre foi. O suplementar acesso a versão auto-arquivada é para aqueles que não podem pagar pelo seu acesso à versão do editor. Além disso, o autor, caso queira, poderia auto-arquivar o pre-peer-review preprint; mas eles deveriam sempre auto-arquivar a versão revisada do posprint – assim como, qualquer correção ou revisão atualizada subsequente. Contudo, o registro de uma versão contendo apenas tags e controle está sendo implementada pelos pacotes de software de gestão de repositórios. No artigo original Harnad fala de uma version-tagging and control. Não encontrei uma tradução para este termos, mas imagino que ele esteja se referindo ao registro apenas dos metadados do artigo. Ou seja, o registro dos metadados sem o seu texto integral.

11. Paper-Glut: Por que eu deveria auto-arquivar em um repositório de acesso livre? Já é difícil encontrar e mantê-lo!

O auto-arquivamento é feito para maximizar o impacto dos resultados das pesquisas, por intermédio da maximização do seu acesso. A navegação em linha, a busca e recuperação é incomparávelmente mais forte e eficiente que qualquer outro tipode navegação, consulta e recuperação, mas ela tem a virtue de ser auto-contida. Se o usuário encontra muitos resultados, ele pode encerrar a navegação. Mas o contrário não é verdade: se um artigo não estiver em livre acesso, e um usuário não puder pagar pelo seu acesso, ele não conseguirá acessá-lo, e o pouco do seu potencial de uso e impacto é perdido. Com certeza, o tempo e o interesse são menos arbitrários que a acessibilidade (para nossa instituição), em relação ao que podemos acessar e utilizar.

Anúncios

novembro 26, 2010 - Posted by | Sem categoria | , ,

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: