Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

O acesso livre: avanços ou paralisia ? (IV)

Nos últimos posts os meus comentários mostraram que Harnad defendido com argumentos importantes a importância do acesso livre para os pesquisadores e para a sociedade como um todo e, que o acesso livre à toda a produção científica mundial, representada pelos cerca de 2,5 milhão de artigos publicados anualmente em cerca de 24 mil periódicos científicos já poderia ter sido alcançado devido ao avanço da tecnologia. E, Harnad questiona por que este acesso livre não abrange a totalidade da proução científica. Para, em seguida, defender que os pesquisadores não têm interesse em vender o acesso aos seus trabalhos publicados em revistas científicas e que o seu maior desejo e objetivo é alcançar maior visibilidade e consequentemente maior impacto a esses resultados. E, esta busca el já fazia na era do papel por meio do envio de reimpressões ou cópias de seus artigos a usuários interessados.

Hoje, o pesquisador tem uma outra ferramenta que é o auto-depósito de seus artigos em repositórios institucionais que contribui para a sua busca perene por alcançar a máxima visibilidade e o máximo impacto nos resultados de suas pesquisas. Esta ferramenta proporciona os mesmos resultados que o envio das reimpressões dos artigos aos potenciais usuários.

Surge neste ponto, uma outra indagação : o Open Access é necessário? Pois então, se ele é natural , viável, ótimo e inevitável, porque o ainda continua pairando nos 15% aos invés de atingir diretamente os 100%? Harnad apresenta a seguinte hipótese:

• O acesso livre não é mais necessário porque o acesso em linha baseado em assinaturas institucionais e lecenças, já garante que todos os usuários tenha acesso a todas os artigos que precisam, e todos os autores tem todos os usuários e impacto que querem. Mas, isto é verdade? Não há dúvida que o meio em linha tenha aumentado e consequentemente aumenta o acesso em linha; mas há consideráveis evidências que isto não maximizou o impacto ou visibilidade. Dentre as evidências que Harnad suscita estão:

1. Os bibliotecários continuam a relatar que suas instituições não conseguem assinar todos as revistas científicas que elas necessitam (crise dos periódicos), e as estatísticas da Association of Research Library (ARL) confirmam que a maioria das instituições conseguem apenas uma pequena fração do número total de periódicos publicados (http://fischer.lib.virginia.edu/arl/index.html). Isto representa uma perda de acesso e de impacto.

2. Levantamentos de usuários sugerem que muitos pesquisadores não sentem que eles têm acesso a todos as revistas científicas (e.g. SWAN & BROWN 2005). Harnad observa que pouquíssimas disciplinas ou áreas do conhecimento já possuem 100% do acesso a sua produção científica. E, que muitas áreas ainda estão longe de alcançar os 100% OA.

3. 34 mil pesquisadores da área biomédica assinaram petição em prol do Public Library of Science (PloS) em 2002 solicitando OA aos seus editores. Obviamente, eles não teriam assinado tal petição se eles sentissem já ter acesso a todas as publicações de seu interesse.

4. Quando se compara as citações a artigos OA e a artigos não-OA verifica-se um incremento que varia de 25 a 250%. Harnad observa que diversos fatores contribuem para essa vantagem dos artigos-OA sobre os artigos-não-OA, as quais podem ser enumeradas como: 1) a tendência seletiva por melhors autores emelhores artigos serem auto-depositados; 2) vantagem competitiva do OA sobre o não-OA; 3)uma permanente vantagem agregada, de as iniciativas OA fornecerem um acesso antecipado, visto que, um determinado artigo depositado em um Repositório Institucional poderá ser acessado antes de o mesmo ser distribuído pela revista que o publicou; 4) o acesso precoce ou antecipado acarreta também em uso precoce e consequentemente em citações antecipadas segundo estudos realizados por Brody et al. 2005. Este acesso precoce promove também um maior número de downloads e obviamente citações. Portanto, essa consistente vantagem do OA em termos de citações confirmam que os artigos não-OA não maximizaram o impacto de suas pesquisas.

Portanto, a acessibilidade aos dados e a sua utilzação/impacto indicam que nem o acesso e nem o impacto foram maximizados e que benefícios substanciais aguardam pela colocação dos restantes 85% em OA. Mesmo com uma estimativa conservadora, a pesquisa perde 25%x85% ou pelo menos um quinto de seu potencial de impacto hoje. E, no entanto, o remédio para isto esteve ao alcance de todos, há pelo menos uma década. Por que a comunidade científica demorou tanto tempo para alcançar o ideal e inevitável?

Aguardem no próximo post a continuação desta instigante matéria.

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novembro 20, 2010 - Posted by | Sem categoria | , ,

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