Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

SEER: proposta para sua consolidação no Brasil.

As idéias que vou apresentar neste post são de caráter pessoal. Não falo como representante do IBICT dado que não tenho mais nenhuma representatividade, não detenho mais nenhum cargo de confiança ou função de coordenação, sou apenas um servidor público lotado no IBICT.

Eu adotei o título deste post, mas creio que aquilo que vou apresentar são apenas idéias e posições pessoais sobre alguns dos pontos de estrangulamento relacionados ao Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas. Talvez o título mais adequado fosse: SEER: idéias para sua consolidação sustentável no Brasil.

O SEER ou OJS são pacotes de software open source, portanto pacote de software livre. Em outras palavras sistema com código fonte aberto. Existem, hoje, no Brasil, diversos especialistas na instalação e uso desta ferramenta. Em consequência, com toda a certeza existem diversas pessoas em condições de oferecer treinamentos quanto ao seu uso e instalação. O IBICT não é a única instituição a deter esta prerrogativa.

Entendo que o IBICT já cumpriu com o seu papel de órgão público, ao identificar, adaptar, distribuir e formar uma comunidade informal de usuários na referida ferramenta. O IBICT não tem como missão institucional treinar usuários no uso de qualquer software. O Instituto o faz devido a contingências ou iniciativas que o levaram a assumir esse papel. Foi uma contingência e isto não deve durar a vida toda. Mas, a rigor a capacitação quanto ao uso de um software escapa ao seu papel como órgão nacional responsável pela promoção do registro e uso da informação científica e tecnológica. Existem outras atividades importantes a serem desenvolvidas. Imaginem se todo pacote de software identificado pelo IBICT como solução para os nossos problemas de registro e disseminação da informação científica ficasse apenas sob a sua guarda ou responsabilidade. O Instituto teria que ter uma verdadeira software house. Isto, certamente tiraria o foco do Instituto. Assim, a atividade de capacitação não deve ficar apenas sob a responsabilidade do IBICT.

A comunidade de usuários formada ao longo destes 6 anos tem totais condições de compartilhar com o IBICT a responsabilidade em promover mais treinamentos. Vivemos em uma economia de mercado. A oferta de treinamento no SEER pode até se transformar em uma oportunidade de negócio rentável. No mundo real, exemplos deste tipo de atividade não faltam.

Quando a Microsoft lança uma nova versão do Windows ou do pacote Microsoft Office, ela não se preocupa em criar monopólico de capacitação de pessoas no uso dessas ferramentas. As iniciativas privadas ou o mercado é que se encarrega de resolver o problema e oferecer treinamentos nos mais variados pacotes de software. O mesmo acontece com o Linux ou com o BROfice. Os grupos ou empresas que mantêm esses pacotes de software também não se ocupam do processo de treinamento de usuários.

Quando uma nova versão de pacotes de software como Windows, Microsoft Office ou mesmo, OpenOffice é lançada, os próprios usuários se encarregaram de aprender a usá-los, seja procurando um curso particular ou público, seja estudando e testando, ou seja buscando a ajuda de um colega.

Durante muito tempo o IBICT se preocupou em capacitar pessoas no uso do SEER, com um quadro muito reduzido de técnicos. Esta atividade foi desenvolvida pelo Instituto como uma estratégia com vistas à levar esta ferramenta aos editores científicos brasileiros para atender a uma demanda reprimida e para formar uma comunidade usuária. Na verdade, o treinamento quanto ao uso do SEER não é monopólio do Instituto. Qualquer curso de biblioteconomia ou comunicação científica poderia incorporá-lo à sua grade curricular. Particularmente, seguindo a filosofia open ou aberta, entendo que a própria comunidade de usuários SEER, tem condições, pode e deve resolver essa questão do treinamento.

Além de ter se formado mais de mil usuários no SEER é importante ressaltar também que, hoje, existem no Brasil mais de mil revistas utilizando o SEER. Trata-se, portanto, de uma iniciativa já consolidada e, que de agora em diante a própria comunidade formada se encarregará de se aperfeiçoar e ampliar.

O outro aspecto importante relacionado ao SEER diz respeito à sua manutenção, à sua atualização. O IBICT ainda mantém, por intermédio da Coordenação Geral de Tecnologia da Informação e de Informática, esta atividade. Novamente, o Instituto como todos os órgãos públicos federais teve perdas importantes. Porém, o ministério do planejamento estabeleceu uma instrução normativa para resolver esse problema de uma forma geral, promovendo a terceirização das atividades de informática. O modelo preconizado pelo referido ministério não é atende às necessidades do Instituto. Assim, conclui-se que a manutenção e atualização é também um problema face ao cenário atual do serviço público. É importante relembrar que o IBICT não é uma software house. Qual a solução?

Na minha visão pessoal, a única solução sustentável seria a formação de grupos de desenvolvimento semelhante aos diversos grupos existentes e dedicados a outros pacotes de software open source. Um exemplo disto é o BROffice que é mantido por um grupo de técnicos brasileiros que o customizou a partir de uma iniciativa estrangeira. E, como resolver essa questão? Como criar tal grupo para o SEER? Eis a questão!

A solução desta questão passa pela articulação do IBICT com o programa software livre do governo federal. Clique aqui e veja.

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abril 16, 2010 - Posted by | Sem categoria | ,

2 Comentários »

  1. Concordo com o fato de não haver necessidade de treinamentos ou capacitação quanto ao uso do software. O sistema possui uma ajuda sensível bastante completa, onde todas as funções estão detalhadas, assim como em qualquer aplicativo. Basta o usuário ter interesse em aprender. Não é necessário nenhum tipo de treinamento para saber usar o sistema. Percebe-se que há muitos pois temos quase 800 periódicos técnico-científicos, que publicaram pelo menos uma edição, que usam a ferramenta, fora os que não estão cadastrados no nosso portal. No entanto, o conhecimento técnico para instalação, suporte e manutenção é precário. Se o IBICT, que tem um Plano Diretor e verba para contratação de técnicos, desde 2004 não conseguiu contratar um técnico dedicado ao projeto, como um periódico, com muito menos recurso conseguirá essa proeza? Não se pode depender apenas da comunidade para este tipo de serviço, já que ninguém quer trabalhar de graça. O conceito de cooperativas pode ser uma saída, muito comum em outros países. Contudo, o IBICT deveria ser o exemplo, já que usa o sistema para suas quatro publicações, e ser referência na área não faz mal a ninguém.

    Comentário por Ramón Fonseca | julho 1, 2010 | Responder

    • Prezado Ramón,
      obrigado pelo seu comentário. Quanto ao seu comentário cabem algumas observações:
      1) O IBICT é uma instituição pública que tem como missão promover o registro e a disseminação da informação científica e, apesar de ter um Plano Diretor e, aparentemente ter recursos para contratação de técnicos, não é uma software house e não tem o papel de dar assistência técnica quanto a instalação do SEER. Desta forma, entendo que a questão de assistência técnica relativa a instalação e manutenção do SEER deva ser uma solução que deveria partir da comunidade ou mesmo um tipo de serviço que poderia ser terceirizado e caberia a cada usuário a sua contratação, e não ao IBICT;

      2)As cooperativas podem ser uma solução interessante, mas novamente aí, ninguém quer trabalhar de graça, haverá custos e alguém tem que arcar com estes custos, afinal uma cooperativa deve ter instalações próprias, quadro de pessoa técnico especializado uma estrutura adminsitrativa e tudo isto requer recursos..gastos.

      3)Quanto ao IBICT ser referência, isto já é uma realidade. Infelizmente, como em todas as suas comunicações, vc não especifica ser referência em que. O IBICT é referência em muitas coisas, talvez não o seja na criação de cooperativas, que aliás, não é seu papel.

      4)O IBICT já cumpriu com o seu papel ao trazer o software, promover a sua customização, distribuição e promoção de uso. Além disso, não se esqueça de que o IBICT promoveu o seu uso mediante a oferta de cursos gratuitos. Ou seja, durante um período, no qual era necessário fornecer esses cursos e estimular o uso do referido software, as ações necessárias foram desenvolvidas à contento. Portanto, entendo que, neste momento, o IBICT já cumpriu com a sua missão e cabe à comunidade buscar resolver os problemas e necessidades advindos da comunidade usuária. Não podemos adotar uma solução paternalista e, isto, envolve recurso público. As carências de treinamento são idênticas às carências suscitadas por pacotes de software produzidos pelas software houses e estas são perfeitamente resolvidas pela comunidade usuária por intermédio do mercado consumidor. Os recursos públicos de que o IBICT dispõe certamente serão melhor aplicados em outras iniciativas que se encontram no contexto da sua missão. Estes não deverão ser utilizados para dar novos treinamentos/capacitação, o mercado deverá absorver esse nicho de oportunidades, que aliás, foi criado pelo IBICT.

      Cordiais saudações.
      Hélio Kuramoto

      Comentário por kuramoto | agosto 10, 2010 | Responder


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