Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Por que me candidatei à direção do Ibict?

Trabalho no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) há pouco mais de 26 anos. Ao longo desses anos eu aprendi não apenas a gostar do Instituto, mas principalmente entender a sua importância para o desenvolvimento científico e tecnológico do País. Desempenhei diversas funções neste Instituto, desde analista de sistemas à coordenação de informática, de produtos e serviços de informação, até a coordenação de projetos especiais. Foi este Instituto que me propiciou vislumbrar outros horizontes profissionais e acabei por migrar da área de tecnologias da informação e da comunicação para a área de ciência da informação, inclusive, o o Instituto possibilitou o meu doutoramento em ciência da informação. Evidentemente, como todo e qualquer funcionário de carreira, esses anos todos me permitiram moldar o ideal de desempenhar a função máxima deste Instituto.

Vivemos um momento singular no que se refere à informação cientifica e tecnológica, em geral, e a ciência, em particular. Mudanças profundas estão ocorrendo no mundo, em especial, na forma de se fazer ciência. O cenário mostra o surgimento de diversas iniciativas em direção ao acesso livre ao conhecimento cientifico, à abertura dos dados brutos utilizados pelos pesquisadores em suas pesquisas cientificas e à criação de grids de computadores para armazená-los. Tais mudanças vêm contribuindo para maior celeridade no desenvolvimento científico, maior acesso e visibilidade aos resultados das pesquisas, dos pesquisadores e das instituições de ensino e pesquisa que aderiram a essas iniciativas. Mais do que a simples visibilidade, essas mudanças possibilitam a otimização, governança e transparência nos investimentos em ciência. A convergência de todas essas iniciativas globais é o e-science. O acesso livre á informação científica é a base desse modelo.

Em outras palavras, o Ibict deverá assumir, nesse novo contexto, papel importantíssimo a desempenhar junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e à comunidade cientifica brasileira e regional. É preciso estar atento a essas mudanças para absorver conhecimentos e tecnologias provenientes dessas iniciativas de forma a colocar o País em sintonia e no cenário científico global. É preciso que o Ibict seja uma instituição forte e esteja em sintonia com tais acontecimentos. A passividade institucional deve ser um comportamento do passado, o Instituto de hoje e do futuro deve ter um papel pró-ativo.

É importante ressaltar, aliás, que eu venho trabalhando com esse ideal desde o meu retorno ao Instituto, em 2002. Desde então, coordenei a implantação da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), que hoje ocupa lugar privilegiado entre todas as iniciativas similares no globo terrestre. As estatísticas mostram que essa biblioteca se encontra entre as três maiores do globo terrestre. Ouso dizer que a BDTD é a maior rede de bibliotecas digitais do hemisfério sul. Esta iniciativa, é importante ressaltar, introduziu, no Brasil o modelo de interoperabilidade Open Archives. Desde então, venho desenvolvendo diversas iniciativas em direção ao acesso livre, desde iniciativas políticas como a articulação com dirigentes de diversos segmentos da comunidade científica até articulação com a Camara dos Deputados, na qual conseguimos articular a submissão do PL 1120/2007. Se hoje, noBrasil, diversos repositórios institucionais estão sendo desenvolvidos, ou mesmo mais de 600 revistas foram criadas na web, estes são resultados dessas iniciativas.

Assim, considerando esse novo paradigma da ciência, torna-se inevitável a necessidade de capacitação do Instituto e do País para o uso e desenvolvimento de ferramentas imprescindíveis ao tratamento, organização e disseminação da informação; de maneira a construir e consolidar plataforma para suportar esse novo paradigma: o e-science.

É preciso formar competência técnica e cientifica em Ciência da Informação (CI), tanto em nível interno (Ibict) quanto nacional.

É preciso dar um novo impulso à CI no Pais. Ou seja, o Ibict deve ter competência técnica e científica para capturar todos esses sinais de mudanças globais e, para tanto, o Instituto deve:

  • Realizar prospecção tecnológica para dotar a nossa comunidade provedora de informação dos mecanismos necessários para construir e manter os estoques de informação e dar suporte ao e-science em nível nacional;
  • Articular com todos os segmentos da comunidade cientifica para sensibilizá-la quanto à importância das mudanças científicas globais e criar mecanismos para alinhar a nossa maneira de fazer ciência às iniciativas globais;
  • Intergrar a nossa comunidade cientifica com a comunidade cientifica internacional;
  • Democratizar e socializar o conhecimento científico desenvolvido no País e em outros países, em uma linguagem apropriada, para o conhecimento da sociedade brasileira em geral;
  • Promover e estimular a formação de novos pesquisadores nesse novo contexto científico global. A integração de todas essas ações deve ter como propósito maior compartilhamento do conhecimento científico e, consequentemente maior redução das desigualdades sociais.

Verifica-se, portanto, que os desafios para o Ibict continuam se renovando dia-a-dia e, são esses desafios que me levam a almejar o posto de diretor do Ibict, com a certeza de que este Instituto tem muito a contribuir com o progresso e o desenvolvimento científico deste Pais.

Portanto, se vc concorda com as minhas idéias, apóie a minha candidatura assinando a petição constante no endereço: http://www.ipetitions.com/petition/kuramoto/.

Para conhecer mais sobre o que penso visite o meu curriculum vitae na plataforma Lattes: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4793276U6.

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maio 24, 2009 - Posted by | Sem categoria

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