Blog do Kuramoto

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IBICT antecipa PL 1120/2007 e promove implantação de RI

No dia 12 de dezembro de 2008, o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT) lançou um edital para distribuição de servidores (hardware) às universidades e institutos de pesquisa públicos, com o objetivo de promover a construção e implantação de repositórios institucionais (RI). Esses servidores serão distribuídos já com o sistema operacional e os pacotes de software para construção de RI instalados. Portanto, as universidades ou institutos de pesquisa que receberem tais equipamentos terão o trabalho apenas de customizar essas instalações, colocando as suas logos e definindos os metadados de seu RI de acordo com as suas necessidades.

Em princípio, todas as instituições públicas de ensino e pesquisa poderão submeter os seus projetos de RI. O único pré-requisito é que essas instituições estabeleçam as suas políticas institucionais de informação de forma a garantir o autodepósito, por parte dos seus pesquisadores, de uma cópia de seus trabalhos publicados em revistas com revisão por pares.

Esta ação do IBICT é aderente ao que determina o PL 1120/2007, ações que se tornarão obrigatórias na medida em que esse projeto de lei venha a ser aprovado.

Quais os benefícios que as instituições de ensino e pesquisa terão à partir do momento em que estas implantem os seus RI? São vários os benefícios, senão vejamos:

  • o servidor poderá abrigar além do RI, as revistas mantidas pela respectiva instituição, assim como a sua biblioteca digital de teses e dissertações;
  • a instituição e os seus pesquisadores poderão maximizar a sua visibilidade e a de suas pesquisas, aumentando a sua competitividade, não apenas em nível nacional como internacional;
  • a comunidade científica e tecnológica terá maior acesso à informação científica produzida no Brasil e também no mundo, uma vez que o Ibict integrará os RI nacionais com os correspondentes internacionais;
  • maior celeridade no desenvolvimento da pesquisa;
  • maior integração com a comunidade científica internacional;
  • maior intercâmbio com grupos de pesquisa nacionais e internacionais;
  • possibilidade de geração de indicadores de produção científica institucional, os quais poderão subisidiar o planejamento institucional e mesmo em nível nacional;
  • maior transparência e governança na administração dos recursos alocados à pesquisa científica, portanto, maior otimização nos gastos públicos com a ciência.

Por outro lado, é importante ressaltar que, hoje, 63% das revistas científicas já permitem o depósito de artigos publicados em suas revistas e, apenas 9% dos editores  não permitem o depósito, nem dos artigos (pós-prints) publicados em suas revistas e nem os pre-prints. Dessa forma, os argumentos de que os pesquisadores possam ficar pressionados contra a parede cai por terra. Instituições de ensino e pesquisa públicas de várias parte do mundo já aderiram a essas ações e vêm implantando os seus repositórios institucionais. Prova disso é o ranking ROAR, que mostrava há 2 meses atrás, o Brasil em quarto lugar em termos de quantidade de repositórios. Hoje, o Brasil ocupa o quinto lugar, tendo sido ultrapassado pelo Japão. A situação atual é a seguinte: os EUA estão em primeiro, com 263 repositórios, o Reino Unido em segundo, com 130 repositórios, a Alemanha vem em seguida, em terceiro lugar, com 97 repositórios, o Japão aparece em quarto lugar, com 64 repositórios, o Brasil está em quinto lugar, com 63 repositórios e o Canadá aparece em sexto lugar, com 48 repositórios. É bem verdade que esses quantitativos de repositórios não se referem apenas a repositórios institucionais, existem outros tipos de repositórios. Mas a grande maioria dos repositórios inscritos são institucionais.

Ao apresentar esse ranking, a idéia é mostrar que as instituições de ensino e pesquisa estão construindo os seus repositórios e disponibilizando para acesso livre os resultados das pesquisas desenvolvidas pelos seus pesquisadores. Em outras palavras, um maior acervo de informação está sendo disponbilizado para todo o mundo científico. Assim, é meu entendimento, o de que o Brasil, como país emergente e que vem incrementando a sua produção científica, deveria em contra-partida às iniciativas de outros países, também promover o registro e a disseminação de sua produção científica. Essa é uma troca salutar e integradora, uma vez que dando maior visibilidade às nossas pesquisas, conquistamos maior integração e intercâmbio com outros grupos de pesquisa estrangeiros.

É importante observar que um dos resultados dessas iniciativas em todo o mundo é o incremento nos fatores de impacto em várias áreas do conhecimento como mostra o gráfico abaixo:

grafico_fator_impacto_areas_do_conhecimento

Um outro aspecto a observar diz respeito a mudanças de paradigmas que essas ações vêm provocando na ciência em todo o mundo, conforme mostrou a última matéria que publiquei neste blog. Portanto, a construção de repositórios institucionais por parte das universidades não contribui apenas para o crescimento do Brasil no ranking do ROAR, mas principalmente para a sobrevivência da ciência brasileira.

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fevereiro 6, 2009 - Posted by | Sem categoria | , , , ,

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