Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Entendendo o acesso livre à informação científica

O acesso livre ao conhecimento científico tem sido uma reivindicação mundial da comunidade científica global. Foram declaradas diversas manifestações de apoio como as que se seguem: 1) a Declaração de Budapeste; 2) a Declaração de Bethesda; e 3) a Declaração de Berlim, além de outras. No Brasil, o Ibict lançou em setembro de 2005 a “Manifestação Brasileira de Apoio ao Acesso Livre à Informação Científica”. Na mesma época, no âmbito do 9º Congresso Mundial de Informação em Saúde e Bibliotecas, foi elaborada a “Declaração de Salvador sobre o Acesso Aberto: a perspectiva dos países em desenvolvimento”; em dezembro de 2005 um grupo de pesquisadores fez a “Carta de São Paulo” e, em 2006, a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação de Psicologia (ANPEPP) lançou em seu congresso a “Declaração de Florianópolis”.

O movimento do acesso livre à informação é uma resposta à crise dos periódicos científicos iniciada na década de 80. As dificuldades de manutenção das coleções de periódicos científicos não são um privilégio das bibliotecas brasileiras, mas de bibliotecas de todo o mundo.

Esse movimento é, também, uma resposta ao fato de o pesquisador, ou autor, entregar gratuitamente o copyright de seus trabalhos aos editores ou publicadores científicos. Nesse ciclo da comunicação científica, os únicos beneficiários são os editores ou publicadores. Esses editores, em nome da defesa dos direitos de autor, visando garantir a qualidade dos trabalhos e protegê-los contra cópias piratas, nada repassam aos autores e, muitas vezes, os autores são obrigados a pagar para ver os seus trabalhos publicados.

Vale ressaltar que a maioria das pesquisas científicas é custeada pelos governos e, da mesma forma, o acesso ao principal insumo das pesquisas científicas, as informações resultados dessas pesquisas, é garantido pelo governo. Ou seja, nós cidadãos, por meio do pagamento de impostos, acabamos pagando duas vezes pelo mesmo produto: a pesquisa científica.

Em estudo recente, verificou-se que o custo da elaboração de um artigo ou de um capítulo de livro varia, dependendo da área do conhecimento, de 50 mil reais a 70 mil reais. Esse custo é bancado pelo governo, uma vez que a grande maioria dos pesquisadores é funcionário de instituições públicas.

Segundo Stevan Harnad, líder mundial do acesso livre, existem em todo o mundo cerca de 24 mil títulos de periódicos científicos, avaliados pelos pares, e um total aproximado de 2,5 milhões de papers publicados anualmente nessas revistas. As universidades e unidades de pesquisa possuem capacidade para assinar apenas uma pequena fração desse conjunto de títulos de periódicos científicos. Isto significa dizer que, todos esses papers, são acessíveis apenas a uma pequena fração de potenciais usuários. E, conseqüentemente, a pesquisa está tendo apenas uma fração de seu potencial de uso e impacto.

Se pensarmos em termos de Brasil, o Portal de Periódicos da Capes tem cerca de 10 mil periódicos científicos, alguns deles de pouca importância, outros relevantes. Isso, comparado com os números citados por Stevan Harnad, mostra que a nossa comunidade acadêmica tem acesso a menos da metade da quantidade de periódicos científicos existentes no mundo. Portanto, a nossa comunidade acadêmica tem acesso a uma fração ainda menor da pesquisa publicada no mundo todo. Isto nos leva a crer que esse fato pode influenciar nosso potencial de pesquisa, que pode ser mais reduzido do que se possa pensar. Ainda assim, esse portal continua sendo importante para o país e para a comunidade científica do país. Não se pode prescindir desse portal.

Segundo esse mesmo autor, 15% da produção científica mundial já se encontra em repositórios de acesso livre. Os estudos mostram que os trabalhos que são depositados em repositórios de acesso livre têm um incremento de cerca de 300%, em média, no fator de impacto. Ou seja, a média de citações desses trabalhos, depositados em repositórios institucionais de acesso livre, cresce em cerca de 300% em relação aos trabalhos publicados em revistas impressas, cujo acesso é restritivo.

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julho 14, 2007 - Posted by | Sem categoria |

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