Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Será que os nossos candidatos são bem informados?

O Diário de Notícia publicou no dia 8 de julho, na coluna Opinião, um artigo do diretor geral da Unesco, Koïchiro Matsuura, com o título Rumo às Sociedades do Conhecimento, comentando o relatório da Unesco de mesmo título.

Creio que todos os candidatos a presidente do Brasil já deveriam ter tido conhecimento desse relatório. A leitura e incorporação de ações baseadas nos ensinamentos passados por Koïchiro Matsuura nos discursos de nossos candidatos, certamente, nos pouparia o nosso tempo de ficar ouvindo tantas asneiras e promessas vazias. Poderíamos ter propostas mais interessantes, assim como debates mais ricos e quem sabe um novo governo mais voltado para o futuro desse país e do seu povo.

O diretor geral da Unesco começa o seu artigo dizendo :

Os desenvolvimentos científicos do séc. XX praticamente trouxeram uma terceira revolução industrial, a das novas tecnologias, as quais são essencialmente tecnologias intelectuais. Esta revolução, que foi acompanhada por um maior avanço da globalização, lançou os alicerces da economia do conhecimento, colocando o conhecimento no centro da atividade humana, do desenvolvimento e mudança social. A informação não é conhecimento; e a incipiente sociedade de informação mundial só cumprirá o potencial se facilitar a emergência de sociedades de conhecimento pluralista e participativo que incluam em vez de excluírem.”

Para logo em seguida indagar : “Significa isto que o século XXI irá assistir ao desenvolvimento de sociedades de conhecimento compartilhado?“. No centro dessa questão está o tema das discussões que esse blog vem realizando: “o acesso livre à informação“.

No Relatório Mundial da UNESCO Rumo às Sociedades do Conhecimento, consta que “…não deve haver indivíduos excluídos nas sociedades do saber: pois o conhecimento é um bem público que deve ser acessível a todos. O conhecimento tem duas qualidades notáveis: a não rivalidade e, uma vez passado o período de proteção dado pelos direitos de propriedade intelectual, a sua não exclusividade. ” Essa constatação reforça de forma clara a razão desse blog.

Koïchiro constata ainda que:

Há, atualmente, um claro consenso de que o desenvolvimento das sociedades preconizado no compartilhamento do conhecimento é a melhor forma de lutar contra a pobreza e fazer a prevenção de grandes riscos para a saúde tais como pandemias, de reduzir a terrível perda de vidas causada por tsunamis e tempestades tropicais e de promover o desenvolvimento humano sustentado. Pois há, hoje em dia, novos métodos de desenvolvimento ao nosso alcance: já não estão alicerçados, como no passado, em “sangue, suor e lágrimas”, mas na inteligência, capacidade científica e tecnológica de lidar com os problemas, no valor acrescentado intelectual e na expansão de serviços em todos os sectores da economia, que devem conduzir ao desenvolvimento cívico e ao crescimento de uma democracia de longo alcance.

O diretor geral da Unesco faz ainda revelações estarrecedoras indicando que existem obstáculos a serem vencidos. A exclusão digital, a exclusão cognitiva, a concentração do conhecimento, a exlcusão social e a exclusão cultural são algumas das barreiras explicitadas por esse diretor. Ao tocar nessas questões, Koïchiro expõe indicadores alarmantes como a de que dois bilhões de pessoas não tem acesso à rede de eletricidade e que três quartos da população mundial tem pouco ou nenhum acesso à instalação de telecomunicações. São revelações estarrecedoras.

A questão que esse blog vem discutindo fica também explícita nessa coluna. O diretor geral da Unesco enfatiza que a exclusão cognitiva é uma questão mais profunda e antiga, constituindo-se em uma importante fratura entre os hemisférios norte e sul. Ele se refere à concentração do conhecimento no hemisfério norte. O conhecimento existe para ser compartilhado e, mas uma vez convertido em informação tem um preço.

Dessa maneira, Koïchiro defende que a solução para vencer essas barreiras está em investir fortemente na educação, na pesquisa, no desenvolvimento da informática e na promoção das sociedades do saber. Eu faria uma simples correção nessa afirmação, o desenvolvimento não deveria ser apenas na informática, mas principalmente nas ciência e tecnologia.

Koïchiro utiliza de citações interessantes como : “Se acham que o conhecimento é caro, experimentem a ignorância!“, parafraseando Lincoln. Ele faz ainda uma provocação: “Poder-se-ia dizer que um mundo que dedica bilhões de dólares/ano a gastos militares não tem meios para se construir as sociedades do conhecimentos para todos ?”

Transpondo para a nossa realidade, faria a seguinte provocação: “Um país que desperdiça bilhões de reais à corrupção não tem meios para promover as sociedades do conhecimento para os brasileiros?

Concluindo Koïchiro prafrasea um provérvio africano dizendo : o conhecimento é como o amor – é a única coisa que cresce ao ser compartilhada.

Não deixem de ler a coluna completa em: http://dn.sapo.pt/2006/07/08/opiniao/rumo_sociedades_conhecimento.html

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setembro 7, 2006 - Posted by | Sem categoria |

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