Blog do Kuramoto

Este blog se dedica às discussões relacionadas ao Open Access

Breve relato sobre o Encontro Aberto realizado na 58. Reunião Anual da SBPC

O Encontro Aberto Acesso à Informação Científica: aspectos políticos, tecnológicos e diferenças disciplinares, realizado durante a 58ª. Reunião Anual da SBPC teve como objetivo ampliar a discussão sobre o acesso aberto a informação científica. Na qualidade de coordenador do encontro fiz uma rápida apresentação contextualizando a questão do acesso à informação científica, mostrando as suas peculiaridades, dificuldades e alternativas tecnológicas de solução.

Em seguida, o Prof. Marcello Bax (UFMG) mostrou o cenário brasileiro e internacional relativo ao uso do modelo Open Archives, o seu crescimento e o posicionamento do Brasil no ranking de países que mais possuem repositórios digitais de acesso livre.

O Prof. Rogério da Costa representando o Scielo, primeira iniciativa de acesso aberto no Brasil, mostrou o estágio atual dessa iniciativa, discutindo rapidamente alguns indicadores.

A Profa. Sely comentou rapidamente a questão das diferenças disciplinares no contexto da comunicação científica e a Profa. Sigrid Karin Weiss Dutra comentou a questão do acesso à informação científica do ponto de vista da biblioteca e dos bibliotecários.

O Prof. Piotr Trzesniak fez uma ampla caracterização da comunicação científica, lembrando a fábula que, com a sua autorização transcrevo abaixo.

Concluindo o encontro, foi solicitado pelos participantes que se elaborasse uma carta aberta à SBPC, e que a mesma fosse entregue na reunião das sociedades e associações científicas.

A Profa. Míriam Cunha, Coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ciência da Informação da UFSC, representando a presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Ciência da Informação (ANCIB), Profa. Regina Marteleto, fez a entrega da carta no dia 20 de julho de 2006, quinta-feira.

Esse fato foi o resultado mais importante do encontro, levando a questão do acesso aberto às sociedades e associações científicas vinculadas à SBPC.

A fábula contada pelo Prof. Piotr foi elaborada por ele mesmo e Sílvia Helena Koller. Ambos sintetizaram, em uma rápida, simpática, criativa e pedagógica historinha, a questão da comunicação científica. Segue-a:

No princípio, cientistas curiosos realizavam pesquisas acerca do céu e da terra. No primeiro dia, esses cientistas se reuniram para constituir comunidades em torno de um interesse comum.

Tais comunidades ficaram conhecidas como associações científicas. E isso era bom.

No segundo dia, outras pessoas mostraram interesse pelas descobertas dos cientistas. E isso era muito bom.

No terceiro dia, as associações publicaram seus resultados em revistas científicas. Estas revistas atingiam a audiência mais ampla possível, através de assinaturas a preços acessíveis a indivíduos e a bibliotecas. A arrecadação com as assinaturas era reinvestida no próprio conhecimento, e comunidades com foco temático definido frutificavam. O futuro parecia definitivamente muito promissor.

No quarto dia, editoras comerciais adquiriram as revistas científicas.

No quinto dia, as editoras se fundiram, incorporaram os publicadores menores, e obtiveram lucros astronômicos através do aumento dos preços das assinaturas. As bibliotecas cortaram a aquisição de monografias e de periódicos nas áreas de ciências humanas e sociais para manter as assinaturas das dispendiosas revistas exigidas pelos que se dedicavam as “ciências duras”. Uma nuvem negra passou a pairar sobre a comunicação acadêmica.

No sexto dia, pesquisadores, associações científicas, bibliotecários e administradores acadêmicos começaram a discutir soluções alternativas.

No sétimo dia, foram aos seus colegas das universidades e solicitaram que os apoiassem.Talvez, atualmente, possamos modificar o último enunciado para: No sétimo dia, eles inventaram o acesso livre.

O Open Journal Systems (OJS) é um programa de computador projetado pelo Public Knowledge Project (PKP, University of British Columbia/Simon Fraser University, Canada; http://www.pkp.ubc.ca/) para tornar disponível um ambiente eletrônico que gerencia revistas científicas, abrangendo desde a recepção dos compuscritos (a contrapartida atual dos antigos manuscritos) até a colocação online da versão final. E é gratuito, e é de código aberto. A versão em português, patrocinada pelo governo brasileiro, foi realizada pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (http://www.ibict.br/) e recebeu a denominação SEER, sigla de Sistema Eletrônico de Editoração de Periódicos.

O download pode também ser efetuado gratuitamente. Existem ainda versões em espanhol e em francês.

A instalação padrão do OJS/SEER inclui o seguinte parágrafo sobre o acesso livre, que adaptamos ligeiramente às nossas convicções e às peculiaridades do Interamerican Journal of Psychology:

O Interamerican Journal of Psychology permite o acesso livre ao seu conteúdo integral, com base no princípio de que tornando o resultado da pesquisa disponível ao público implica um maior intercâmbio global do conhecimento. Assim, publicar em nossa revista amplia a quantidade de leitores, que é a única razão para a existência de revistas científicas. Como conseqüência disso, crescerão também o número de citações e o impacto do trabalho de um autor. Para uma maior discussão dessa abordagem, visite o sítio do Public Knowledge Project, que projetou este sistema de gerenciamento de revistas com o objetivo de aumentar as qualidades pública e acadêmica da pesquisa, e que distribui gratuitamente este e outros programas de computador para apoiar o acesso livre às fontes de pesquisa.Olhando esta declaração, muitas pessoas tem como reação imediata: isto é impossível, você tem que resolver primeiro o problema dos custos. Nós discordamos. Defendemos que deve-se tomar primeiro a decisão de apoiar o acesso, o problema dos custos passando a ser equacionado depois. Custos não podem ser razão contrária ou objeção ao princípio do acesso livre.

No entanto, publicar uma revista científica tem custos, sim. Assim, para que a proposta do acesso livre possa sobreviver, é necessários que esses custos sejam cobertos de algum modo, sendo a sua distribuição por toda a comunidade científica uma possível solução. Assim, depende de você, e apresentam-se a seguir algumas formas de você participar:

Copyright. Não transfira incondicionalmente os direitos autorais de seu artigo a nenhuma revista. Ressalve pelo menos a possibilidade de incluí-lo no repositório institucional de sua instituição.

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julho 24, 2006 - Posted by | Sem categoria |

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